Como saber a vontade de Deus?
Há um porto na costa da Itália que somente pode ser alcançado pelos navios através de uma passagem estreita e perigosa. No passado, muitos barcos afundaram ali, colidindo com os arrecifes ocultos sob as águas. Em tempos mais recentes, o Governo mandou instalar naquele porto três faróis. Os técnicos os posicionaram terra a dentro, perfeitamente alinhados e a uma certa distância um do outro. Os pilotos dos navios foram instruídos a alinharem seus navios com os faróis de tal modo que, olhando à distância, só podiam ver uma das luzes, pois as outras duas estariam exatamente atrás da primeira. Só assim poderiam aproximar-se com segurança e escapar dos arrecifes. Se o piloto desviasse seu barco o suficiente para distinguir três luzes, isto significaria que ele tinha saído da rota e estaria em grande perigo.
Somos como um barco navegando no oceano da vida. Muitos de nós, eventualmente, nos chocamos com os arrecifes dos problemas e dos pecados e naufragamos. Não conseguimos encontrar o “rota” segura da vontade de Deus e chegar ao “porto” da vitória e da bênção. Para nos ajudar, Deus providenciou três luzes orientadoras:
Essas três luzes têm que estar alinhadas, sobrepostas, ou o “navegador” estará em perigo.
1, A Palavra de Deus.
O salmista escreveu: “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para os meus caminhos” (Sl 119.105). Precisamos ler a Palavra de Deus diariamente, e praticá-la (Js 1.8; Sl 119.97; Sl 119.101). “Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo […]” (Cl 3.16). Precisamos submeter nossas pretensões e planos à Palavra de Deus (Pv 16.9; Tg 4.13-15).
A Bíblia tem orientação específica sobre muitas questões; mas, obviamente, não contêm instruções minuciosas para a vida particular de cada pessoa. Não diz, por exemplo, se esse ou aquele indivíduo deve ser missionário, pastor, professor, advogado ou médico, etc.; se deve casar-se com esta ou aquela pessoa; comprar este ou aquele apartamento. Nestas e em centenas de outras questões é seguro orar pela direção divina, observar os princípios gerais da Palavra de Deus e, então, contar com aquelas outras duas luzes ou fontes de direção, o testemunho íntimo do Espírito e as circunstâncias. É preciso alinhar as três luzes!
2. O testemunho íntimo do Espírito Santo.
“Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8.14).Podemos dizer de outra maneira: “Todos os filhos de Deus são guiados pelo Espírito”. Ver Jo 14.26; Jo 16.13. Esse é um dos privilégios dos filhos de Deus, dos que crêem em Jesus e o têm como seu Salvador e Senhor.
A direção do Espírito não acontece por meio de voz audível, visões ou sonhos, necessariamente. Deus pode usar estes meios, se quiser. Contudo, nesta dispensação, ele tem falado mais comumente através da Palavra escrita e por impressões em nosso espírito. Ver Pv 21.1; Sl 119.35-36.
A direção do Espírito pode confundir-se com os nossos próprios desejos e fantasias, razão porque é da máxima importância confrontá-la com a Palavra e observar as circunstâncias.
3. As circunstâncias
Para o crente, as circunstância correspondem à maravilhosa providência de Deus. José foi maltratado e vendido por seus irmãos e sofreu adversidades no Egito. No final, ficou patente, e ele assim entendeu, que Deus estava usando tais circunstâncias para dirigir sua vida e usá-lo na concretização de seus planos, não somente para José, mas também para seu povo Israel (Gn 45.3-8; Gn 50.20).
Não sabemos quais foram as circunstâncias que impediram o apóstolo Paulo de pregar a Palavra na Ásia ou ir para a Bitínia, mas ele as interpretou como direção do Espírito (At 16.6-7). As portas se fecharam para a Ásia e Bitínia, mas se abriram para a Macedônia (At 16.9-10).
4. Vontade geral e vontade específica de Deus.
Essa é uma distinção importante. A vontade geral de Deus é o que ele deseja para a vida de todos os indivíduos, principalmente para aqueles que, pela fé em Cristo, se tornaram seus filhos. Inclui fé, amor, perdão, conduta honesta, etc. (Ef 4.25-5.2, por exemplo). A vontade específica de Deus é o que ele deseja que seus filhos façam em situações particulares: estudo, profissão, namoro, casamento, negócios (Sl 139.16; Jr 10.23; Tg 4.13-15). Não faz sentido buscar a vontade específica de Deus e não praticar sua vontade geral.
Concluo citando esta oração do rei Davi, no Sl 143.8-12:
Pr. Éber Lenz César
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