Este é um tema importante. De acordo com a IA, 4 em cada 10 brasileiros afirmam receber notícias falsas diariamente, índice que sobe para 65% entre os que demonstram maior preocupação com o tema. Mas o problema é mundial…
O site Lausane Movement publicou um longo e importante artigo intitulado “Competindo pela verdade dentro da epidemia de notícias falsas”. O autor, Tony Watkins, é professor de Jornalismo e Comunicações numa escola de teologia norueguesa. Transcrevo resumidamente algumas de suas declarações:
“Vivemos hoje numa sociedade de pós-verdades […]. As ‘notícias falsas’ afetam muito mais do que somente a política, e recentemente tem caracterizado a esfera da vida pública num grau alarmante […]. As mídias sociais permitem que qualquer pessoa possa comunicar qualquer coisa em qualquer momento a um grande público […]. Os cristãos deveriam ser apaixonados pela verdade, porque seguimos àquele que é a verdade (Jo 14.6) […].
A Bíblia e as fake news
Jesus disse umas verdades a um grupo de judeus que distorciam e rejeitavam sua mensagem, mesmo afirmando ser “filhos de Abraão” e “filhos de Deus. Jesus foi franco com eles:
“Se vocês fossem, de fato, filhos de Abraão, seguiriam o exemplo dele. Em vez disso, procuram me matar porque eu lhes disse a verdade […]. Se Deus fosse seu Pai, vocês me amariam, porque eu venho até vocês da parte de Deus […]. Vocês são filhos de seu pai, o diabo […]. Ele sempre odiou a verdade, pois não há verdade alguma nele. Quando ele mente, age de acordo com seu caráter” (Jo 8.44).
O Papa Francisco, discursando no #Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2018, afirmou que o primeiro caso de fake news ocorreu bem no começo da história humana, no Éden, quando o#diabo, disfarçado de serpente, usou “táticas de cobra” para distorcer as palavras de Deus e enganar Eva (Gn 3.1-5). Com isso em mente, Francisco denunciou políticos e jornalistas que usam “táticas de cobra”.
Muito sério! Quem mente, distorce a verdade e espalha notícias falsas em benefício próprio revela um caráter, digamos, diabólico!
A Bíblia, obviamente, não usa a expressão fake news, mas condena a desonestidade, a hipocrisia, a mentira, o conceito por trás dessa expressão.
O nono mandamento da Lei de Deus, em Êx 20, proíbe explicitamente o falso testemunho, a mentira que prejudica a imagem de outras pessoas ou condena um suposto culpado. No antigo Israel, espalhar falsos relatos era uma ofensa punível porque subvertia a justiça.
O profeta Isaías descreveu uma cultura sobrecarregada pela desinformação: “Ninguém se preocupa em ser justo e íntegro; os processos judiciais se baseiam em mentiras […] Nossos tribunais se opõem ao que é certo; não há justiça em parte alguma. A verdade anda tropeçando pelas ruas, e a honestidade foi banida” (Is 59:4,14). Isso parece tirado de um jornal atual!
O sábio rei Salomão listou sete coisas que o Senhor considera detestáveis. Uma delas é a “língua mentirosa” (Pv 6.16-17). O apóstolo Paulo recomendou: “Não mintam uns aos outros” (Cl 3.9).
Dolo e fake news
No inicio da história da igreja, os romanos perseguiam os cristãos e os caluniavam. O apóstolo Pedro escreveu àqueles cristãos orientando-os no sentido de não usarem da mesma moeda: “Livrem-se de toda maldade, todo engano, toda hipocrisia, toda inveja e todo tipo de difamação”. Noutra versão: “[…] toda maldade e dolo […]” (I Pe 2:1). Mais à frente, o apóstolo cita o exemplo de Jesus: “Ele nunca pecou, nem enganou ninguém”. A outra versão traduz: Cristo “[…] não cometeu pecado nem dolo algum se achou em sua boca” (V. 22).
No grego do Novo testamento, dolos era a isca para capturar a presa. No português #dolo, como sabemos, é a intensão consciente de enganar para alcançar um resultado ilícito. Pedro está dizendo que Jesus não mentia, não manipulava, não fazia jogo de palavras para prejudicar seus inimigos, para atrair discípulos e muito menos para angariar recursos. Seus discípulos deveriam ser igualmente honestos e verdadeiros. No contexto moderno, isso significa que o cristão não deve usar #clickbait, ou seja, isca-cliques – títulos, imagens ou vídeos enganosos cujo propósito é atrair a atenção do usuário e forçar o #clique em um link. São”táticas da cobra”, manipulação, engano, mentira!
Como reconhecer e o que fazer com as fake news?
Meu artigo anterior foi sobre #Polarização. As fake news e o que muitos fazem com elas, políticos principalmente, têm sido causa de extrema polarização. Não nos deixemos levar por estes males sociais modernos.
Deus nos ajude.
Éber Lenz César