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Nós confiamos em Deus, não nos governantes

Sim, nós precisamos de governantes! 

Esperamos que sejam competentes no exercício de suas funções, íntegros, honestos e focados nas necessidades do país e do povo. Esperamos também que não estejam preocupados apenas com o próprio poder, com dinheiro ou vantagens pessoais. 

Desejamos, sobretudo, que não sejam orgulhosos, prepotentes ou ditadores, mas que tenham o temor de Deus!

Entretanto, mesmo se e quando esse sonho se tornar realidade, como cristãos, nossa esperança e confiança deverão estar em Deus. 

Por isso, precisamos orar e pedir a Deus que, soberanamente, poderosamente e graciosamente abençoe e use nossos governantes, quaisquer que sejam!  

A teocracia de Israel 

Durante muitos anos, Israel viveu sob uma teocracia. Isto é, Deus mesmo governava a nação por meio de instrumentos humanos escolhidos por ele. 

Ele usou Moisés, Josué, os Juízes Jefté, Débora e Baraque, Gideão, Sansão e outros. O último dos Juízes foi Samuel. 

Então, aconteceu uma grande mudança… 

Israel pediu um rei

Essa parte da história de Israel nos faz pensar sobre o que vivemos hoje em nosso país. 

“Tendo Samuel envelhecido, constituiu seus filhos por juízes sobre Israel… Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e aceitaram subornos, e perverteram o direito.  

Então, os anciãos todos de Israel vieram a Samuel, e lhe disseram: Vê, já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que nos governe, como o têm todas as nações. 

Porém esta palavra não agradou a Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então, Samuel orou ao Senhor” (I Sm 8.1-6).

Faltou confiança em Deus

Por que “esta palavra não agradou a Samuel”? 

Não foi porque a Monarquia não estivesse nos planos de Deus. Ela estava, como vemos em Gn 17.6. 

Num primeiro momento, pode ter pesado o fato de aqueles homens, não tão jovens, terem chamado Samuel de “velho”, e criticado seus filhos.

Entretanto, o motivo principal certamente estava relacionado à precipitação e à falta de confiança em Deus. 

Isso fica evidente nas palavras que Deus disse a Samuel:

“Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele…” (I Sm 8:7-8). 

Em outras palavras, Deus estava dizendo:

“Samuel, não foi a você que o povo rejeitou, mas a mim, para eu não reinar sobre eles. Você é apenas um instrumento como foram Moisés, Josué e os Juízes.“ 

E pensar que Israel havia experimentado o cuidado e o poder de Deus em inúmeras circunstâncias! 

Os ídolos não são confiáveis

Entretanto não foi somente quando pediu um rei que Israel pecou por não confiar em Deus. 

Em outros vários períodos de sua história, Israel se afastou de Deus, o Deus vivo e verdadeiro, e voltou-se para os ídolos das nações vizinhas. 

Obviamente, aqueles ídolos não corresponderam às expectativas do povo. Não ouviram suas preces, não supriram suas necessidades e não lhes deram segurança. 

É loucura confiar em ídolos feitos por mãos humanas. Eles não são deuses. Não cumprem o que “prometem”, isto é, aquilo que seus adoradores esperam deles.

Ao contrário, Deus, o Deus vivo e verdadeiro,

“é fiel em todas as suas promessas” (Sl 145.13).

“De todas as boas promessas que fez à nação de Israel, nenhuma delas falhou; todas se cumpriram” (Js 21.45). 

Nossos governantes não são deuses!

Hoje, como em épocas passadas e em diferentes nações, indivíduos e povos  têm idolatrado governantes e políticos. Isso acontece quando as pessoas entronizam esses políticos em seus corações e confiam neles cegamente. Tanto que chegam a ignorar seus erros, suas limitações, injustiças e, em muitos casos, comprovada corrupção.

Na monarquia de Israel alguns reis “fizeram o que era mau perante o Senhor” (I Re 15.34; 16.30).

Por outro lado, alguns fizeram “o que era reto perante o Senhor” (II Re 12.2; 14.3). 

Assim, a própria história bíblica mostra que os governantes não podem ser idolatrados. Eles não são deuses. São seres humanos. Alguns fazem o que é mau; outros fazem o que é reto. Nenhum deles é perfeito. 

Qualquer que seja o resultado, confie em Deus!

Em períodos eleitorais, a polarização e a incerteza podem aumentar. Muitas pessoas ficam apreensivas diante das possibilidades e dos resultados. 

Entretanto, precisamos entender que, da perspectiva bíblica e cristã, 

“Não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.” 

Paulo chega a dizer que todas são “ministros de Deus” (Rm 13.1-5). 

Evidentemente, isto não significa que Deus aprova tudo o que eles fazem. Significa, sim, que Deus é soberano e permite que eles governem. Não só permite como também os usa no cumprimento de seus bons propósitos. 

No Antigo Testamento, alguns reis pagãos e déspotas, mesmo sem o saber, cumpriram profecias bíblicas. Deus mesmo se referiu a Nabucodonosor, rei da Babilônia, como “meu servo” (Jr 43.10), e a Ciro, rei da Pérsia, como “seu ungido” (Is 45.1). 

No Novo Testamento, Pilatos, governador da Judeia, e outras autoridades de Jerusalém

“Não conhecendo Jesus nem os ensinos dos profetas, quando o condenaram, cumpriram profecias…” (At 13.27-29). 

Por isso, antes de votar, e depois, quaisquer que sejam os resultados, precisamos orar e confiar em Deus. 

A Palavra de Deus nos orienta:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito…” (I Tm 2:1-3).  

Isso pode ser difícil, principalmente em um tempo como este de grande tensão política. 

Mas é justamente por isso que mais precisamos orar e confiar em Deus, lembrando que: 

“Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus…” (Rm 8.28).  

Como cristãos, podemos e devemos exercer nossa cidadania, votar com responsabilidade e acompanhar nossos governantes. Podemos também cobrar honestidade, justiça e responsabilidade.

Eleições terminam. Governos passam. Cenários políticos mudam. Mas Deus é o mesmo ontem, hoje e eternamente! 

Portanto, confiemos em Deus, não nos governantes.

Pr. Éber Lenz César

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