Em janeiro de 2018, ano de eleições presidenciais no Brasil, a Rede Globo lançou um projeto jornalístico chamado “O Brasil que eu quero”. .
Na campanha, os telespectadores eram convidados a gravar um vídeo curto pelo celular respondendo à pergunta: “Que Brasil você quer para o futuro?”.
Brasileiros de todas as regiões deste imenso país enviaram seus depoimentos expressando aspirações e críticas ao governo.
Se fosse hoje, o que você diria? O que espera das eleições deste ano? O que você gostaria que os novos governantes fizessem por nossa “pátria amada”? Afinal, que Brasil você quer para o futuro?
Infelizmente, predomina a desesperança e a sensação de que faltam estadistas, líderes e candidatos que reúnam integridade, competência e bons projetos. Outro dia, uma amiga de outra cidade me disse: “Vou votar no menos pior”. Essa parece ser, ainda hoje, a triste opção de muitos brasileiros. Há até quem vote num candidato apenas para impedir a eleição de outro. Que situação!
Nesse contexto, lembro-me de um cântico dos peregrinos judeus, registrado pelo salmista:
“Olho para os montes e pergunto: De onde me vira o socorro? Meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra” (Sl 121:1).
Outro salmo, também um cântico de peregrinação, menciona “os montes que cercam Jerusalém” (Sl 125.2).
Naqueles tempos antigos, na terra de Canaã, também chamada Palestina, os montes e lugares altos eram associados à idolatria. Os cananeus, que habitaram a terra antes dos israelitas, adoraram seus ídolos nesses lugares (Os 4.13).
Então, podemos entender assim o cântico do peregrino:
“De onde me virá o socorro? Acaso virá desses ídolos? Certamente que não! Meu socorro vem do Senhor, o Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra!”.
Esse cântico bem pode ser o nosso, hoje, no Brasil. Você também está apreensivo, preocupado, desesperançado? Olhe para o alto, ore ao Deus vivo e verdadeiro e confie nele. O socorro virá no tempo e segundo a vontade de Deus, seja para suas necessidades pessoais, seja para as necessidades do nosso país.
Depende, naturalmente, do Brasil que queremos. Deixando de lado as discussões políticas e técnicas, acredito que muitos de nós concordamos sobre algumas necessidades fundamentais.
As desigualdades sociais são um dos nossos grandes desafios. Enquanto muitos acumulam riquezas, milhões enfrentam a pobreza.
Precisamos de políticas públicas e iniciativas responsáveis que promovam uma distribuição mais justa das oportunidades e permitam que todos os brasileiros tenham melhores condições de educação, trabalho e saúde.
O que a Bíblia ensina sobre isso?
No Antigo Testamento, encontramos muitas orientações sobre o cuidado com os pobres, os órfãos, as viuvas e os estrangeiros. Deus sempre exigiu atenção aos necessitados e condenou a exploração dos mais vulneráveis.
João Batista, precursor de Jesus, exortou seus ouvintes a serem generosos com os necessitados:
“Se tiverem duas vestimentos, deem uma a quem não tem. Se tiverem comida, dividam com quem passa fome” (Lc 3.11).
O apóstolo Paulo também ensinou o princípio da igualdade e da ajuda mútua:
“No momento vocês têm fartura e podem ajudar os que passam por necessidades. Em outra ocasião, eles terão fartura e poderão compartilhar com vocês quando for necessário. Assim, haverá igualdade.” (II Co 8.13-14).
A responsabilidade dos governantes é especialmente importante
Combater a desigualdade social não é fácil. Se deixarmos tudo por conta da consciência individual, a ajuda aos necessitados poderá ficar restrita a iniciativas isoladas.
Governantes, legisladores e empresários têm condições de contribuir significativamente para a mudança desse quadro.
Os telejornais noticiam diariamente inúmeros casos de assaltos, feminicídios, violência contra crianças e adolescentes e outros crimes.
A corrupção também preocupa os brasileiros. São muitas as narrativas de escândalos envolvendo recursos públicos. Precisamos de mais transparência, investigação e responsabilização.
O egoísmo, a violência e a corrupção, entretanto, não são problemas novos. João Batista já advertia contra essas práticas em seu tempo.
Aos cobradores de impostos, ele dizia:
“Não cobreis mais do que o estipulado.”
Aos soldados, recomendava:
“A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo” (Lc 3.10-14).
O apóstolo Paulo também advertiu:
“Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes…” (II Tm 3.1-4).
Parece até que estamos vivendo os “últimos dias”.
Talvez esteja mais do que na hora de olharmos para o alto e buscarmos socorro em Deus!
O Estado é laico, sim. Isso significa que não deve impor uma religião aos cidadãos nem privilegiar uma crença em detrimento das demais. As pessoas devem ter liberdade para exercer sua fé e orientar sua vida segundo suas convicções religiosas.
Por razões históricas e culturais, o povo brasileiro professa diferentes religiões. Em alguns contextos, crenças e práticas distintas acabam sendo misturadas, fenômeno conhecido como sincretismo religioso.
Até mesmo em algumas igrejas que se identificam como evangélicas, encontramos misturas de crenças e práticas que precisam ser examinadas à luz das Escrituras.
Entretanto, para nós, cristãos, é fundamental o chamado temor do Senhor, isto é, levar Deus a sério, reconhecer sua autoridade e procurar viver em confiança e obediência à sua Palavra, a Bíblia Sagrada.
Respeitando a liberdade religiosa e as diferenças entre as pessoas, desejamos que os brasileiros conheçam a Bíblia, compreendam quanto Deus nos ama e reconheçam que ele deseja o nosso bem. Cremos que ele é o Deus vivo e verdadeiro e que somente nele encontramos o socorro e a ajuda de que necessitamos.
Na verdade, Deus já nos enviou esse socorro: Jesus Cristo, seu Filho.
“Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Deus enviou seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para salvá-lo por meio dele” (Jo 3.16-17).
Mudanças políticas e sociais são importantes, mas não substituem a transformação que Deus realiza na vida daqueles que creem em Jesus Cristo.
O Brasil dos meus sonhos é uma nação justa,
Acima de tudo, sonho com um Brasil onde as pessoas olham para o alto, buscam socorro em Deus e creem em Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor.
Pois, como declarou o salmista:
“Como é feliz a nação cujo Deus é o Senhor” (Sl 33.12).
Pr. Éber M. Lenz César
Nós confiamos em Deus, não nos governantes