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Série: Uns aos ouros. VI. “Exortai-vos mutuamente…” (Hb 3.13)

Todos nós enfrentamos dificuldades e desafios na vida. Por mais fortes e otimistas que sejamos, existem momentos em que tudo parece pesado demais, até impossível de suportar. Nessas horas, precisamos reagir contra a incredulidade, o pessimismo e o desânimo. E isso se torna muito mais fácil quando um amigo, um irmão ou irmã em Cristo se aproxima para nos lembrar do cuidado de Deus no passado e nos animar com palavras de fé e coragem. Amanhã, pode ser a nossa vez de fazer o mesmo por ele. Por isso a Bíblia nos recomenda: “Exortai-vos mutuamente […]” (Hb 3.13). 

É comum confundirmos exortação com admoestação. Mas exortação é encorajamento; admoestação e correção. Por na Nova Versão Transformadora o texto citado já vem assim: “Encorajem-se uns aos outros, todos os dias…”

Quando o esquecimento desanima

O autor da carta aos Hebreus lembra o Salmo 95, que menciona a caminhada de Israel no deserto, sob a liderança de Moisés. Depois de atravessar o Mar Vermelho, a pé enxuto, o povo caminhou três dias e chegou a Mara. Então, faltou água potável e algum outro tipo de comida, além do maná. Deus proveu água, pão e carne em pleno deserto (Êx 15–16). Mais tarde, em Refidim, a água acabou de novo e, esquecendo-se do que Deus já havia feito, o povo reclamou e brigou com Moisés. Mesmo assim, o Senhor, em sua misericórdia, fez sair água da rocha (Êx 17).

O problema é que Israel esquecia rapidamente os milagres de Deus. Esqueceu o milagre do Mar Vermelho, as águas de Mara, o maná, as codornizes… e, por não se lembrar das provisões anteriores, sempre reagia com incredulidade e murmuração diante de novas dificuldades.

Quando a lembrança encoraja

Isso também ficou claro em Cades, quando os doze espias que Moisés enviou para espiar a Terra Prometida regressaram relatarando o que tinham visto (Nm 13–14). Dez deles só enxergaram os obstáculos e desanimaram o povo. Mas Josué e Calebe, otimistas e confiantes, falaram bem da terra e encorajaram o povo: ”Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela” (Nm 13.30). Disseram mais:

“A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa […]. Não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra […]. O Senhor é conosco; não os temais” (Nm 14.7-9). 

Noutras palavras: “Vamos, gente!  Não tenham medo. Vamos conquistar essa terra, porque o Senhor está conosco e certamente nos dará a vitória!”

Infelizmente, o povo não ouviu e, por causa da incredulidade, aquela geração não entrou em Canaã, a Terra Prometida. Apenas Josué e Calebe puderam entrar porque mostraram “um espírito diferente” e confiaram em Deus (Nm 14.24).

O descanso de Deus

O autor da epístola aos Hebreus recorda essas facetas da história de Israel, e pergunta: 

“Contra quem (Deus) se indignou por quarenta anos? […]. E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade” (Hb 3.17-18). 

O objetivo do apóstolo é fazer-nos entender que, se formos incrédulos e desobedientes, também não entraremos no “descanso de Deus”.

 Há quem compare a libertação de Israel da escravidão do Egito com a nossa libertação da escravidão do pecado; suas jornadas no deserto com as nossas peregrinações neste mundo; e a Terra Prometida com o céu. Entrar no “descanso de Deus” para nós é entrar no céu. Todavia, há outros “descansos”, aqueles que Deus nos dá depois das conquistas que empreendemos. Nestes também só entram os que confiam e obedecem.  Daí essa exortação ou advertência: 

“Cuidem-se, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração incrédulo que se afaste do Deus vivo. Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias […]” (Hb 3.12–13)

O remédio contra a incredulidade, o pessimismo e o desânimo é o encorajamento baseado no que Deus já fez e ainda pode fazer. Josué e Calebe lembraram alguns dos grandes feitos do Senhor no passado, e encorajaram o povo a confiar em Deus, no presente. Assim devemos fazer.

O cântico “De da vida as vagas procelosas são […]” é um bom exemplo. Vou citar uma estrofe apenas, e numa linguagem mais atual: 

“Se as ondas da vida forem fortes,
e o desalento tentar dominar,
conte as bênçãos, uma por uma,
e veja o quanto Deus já fez.”

Perguntas para reflexão e discussão em Pequenos Grupos 

Durante a caminhada no deserto, o povo de Israel murmurou e desanimou várias vezes. Você concorda que isso aconteceu porque eles esqueceram rapidamente os milagres que Deus já tinha feito por eles? Quais milagres você lembra? (Leia Êx 14.10ss; 15.22ss; 16.4ss).

  1. Você consegue se lembrar de momentos na sua vida em que Deus agiu de forma especial, mostrando seu poder, fidelidade e cuidado com você?
  2. Quando enfrenta dificuldades, qual tem sido sua reação: lembrar do que Deus já fez e seguir em frente com fé, ou desanimar, reclamar e desistir?
  3. Qual é a advertência do apóstolo em Hebreus 3.12?
  4. Segundo Hebreus 3.13, o que podemos fazer uns pelos outros para não cairmos no pecado da incredulidade?
  5. Como podemos animar uma pessoa que está desmotivada, pessimista e sem fé? O que aprendemos com Josué e Calebe (Nm 13.30; 14.6-9) e com o hino “Se as ondas da vida forem fortes” (“Se da vida as vagas…”
  6. Você conhece pessoas desanimadas, pessimistas ou murmuradoras na sua família, no trabalho ou na igreja? Você costuma criticá-las ou procura encorajá-las?
  7. E você, já experimentou o poder e a bênção de ser encorajado por alguém? Como foi essa experiência?

Éber Lenz César

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