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Sansão em Gaza

Quando criança e adolescente, ouvi a história de #Sansão muitas vezes. No decorrer dos anos, lendo a Bíblia seguidamente, recordei as aventuras daquele fortão outras muitas vezes. Mesmo assim, por esses dias, relendo o livro dos Juízes, na Bíblia (Jz 13-16), a mesma história me impactou mais uma vez. 

Em termos de força física e a despeito das diferenças culturais, o #Sansão da Bíblia (XII a.C.) pode ser comparado com o Hércules da mitologia grega, ou com os personagens fictícios da Marvel, Hulk e Capitão América. Só que o Sanção da Bíblia existiu mesmo. Sua força excepcional foi uma dádiva de Deus e o capacitou para a árdua missão de libertar Israel da opressão dos #Filisteus. 

Os Filisteus habitavam a antiga Filístia, uma faixa de terra no sudoeste de Israel, hoje conhecida como Faixa de #Gaza. O termo #Palestina, deriva do termo Filístia e foi criado pelos Romanos com intenções pejorativas. Os filisteus não existem mais como uma entidade política ou cultural.

Sansão tem sido lembrado por muitos como um mau exemplo, como um sujeito mulherengo, irresponsável e violento. Ele foi mesmo inconsequente quando se casou com mulheres filistéias e revelou às mesmas certos segredos pessoais. Isso lhe causou graves problemas e, por fim, a morte. Entretanto, bem ou mal, ele cumpriu sua missão, mesmo ao custo da própria vida.

Os pais de Sansão moravam em Zorá, cidade de Israel, quase fronteira com a Faixa de Gaza. Um anjo do Senhor lhes apareceu e lhes disse que eles teriam um filho e que este seria “nazireu consagrado a Deus desde o ventre de sua mãe” e também “ele começará a livrar Israel do poder dos filisteus” (Jz 13.5,7). Assim aconteceu. “Deu a mulher à luz um filho e lhe chamou Sansão, e o Senhor o abençoou” (Jz 13.24). 

Quando jovem, Sansão enamorou-se de uma das filhas dos filisteus e quis casar-se com ela. Seus pais, a princípio foram contra o casamento. Isto porque, em Israel, o casamento com estrangeiros era sinal de infidelidade à aliança de Deus com seu povo (Js 23.12-13). Mas Sansão insistiu e o casamento foi marcado. Neste contexto, há uma nota muito significativa: “Seus pais não sabiam que o Senhor estava agindo no meio disso tudo, para criar uma oportunidade de agir contra os filisteus que, na época dominavam Israel” (Jz 14.4). Deus usa até mesmo os erros e pecados humanos para cumprir seus propósitos… E assim foi repetidas vezes na vida de Sansão!

A caminho de Timna, onde se deu a festa de casamento, Sansão foi atacado por um leão. Mas “o Espírito do Senhor veio sobre ele com tamanho poder, que ele rasgou o animal pelas mandíbulas […]” (14.5-6). Repetidas vezes, a força de Sansão é atribuída ao poder do Espírito!

Na festa de casamento, Sansão desafiou seus convidados com um enigma. Se eles o decifrassem, ele lhes daria “trinta camisas de linho fino e trinta conjuntos de roupa”, do contrário, eles lhe dariam este prêmio (14.12-13). Eles pressionaram com ameaças a noiva de Sansão e ela, com sedução, conseguiu dele o significado do enigma e o revelou a eles. Resultado: Sansão foi a Ascalom, na Faixa de Gaza, matou trinta Filisteus, roubou suas roupas e as entregou aos agora seus inimigos. Furioso com a noiva, Sansão a deixou e voltou para a casa dos pais. 

Posteriormente, Sansão tentou reatar com a noiva, mas o pai dela já a tinha dado a outro. E as coisas só foram piorando… Sansão  queimou as plantações dos filisteus; e estes “queimaram vivos a mulher e seu pai”. Na sequência, Sansão lhes disse:  “‘Não descansarei enquanto não me vingar de vocês pelo que fizeram.’ Ele os atacou com grande violência e matou muitos deles” (15.1-8). Num outro confronto com os filisteus, Sansão, tendo em mãos, como arma, apenas uma queixada de jumento, lutou e matou mil deles! (Jz 15.14-15). 

“Algum tempo depois, Sansão se apaixonou por uma mulher [filisteia] chamada Dalila […]” (16.4). Essa é a parte mais conhecida da história de Sansão. Já foi até tema de um filme (1949) e de uma minissérie (1996). Resumindo: Os governantes dos filisteus subornaram Dalila com 1.000 peças de prata (13,2 kg) para que ela seduzisse Sansão e roubasse dele o segredo de sua força. Tanto ela insistiu que ele acabou lhe dizendo: “Meu cabelo nunca foi cortado, pois fui consagrado a Deus como nazireu desde o nascimento. Se minha cabeça fosse raspada, eu perderia as forças […]”. Na primeira oportunidade, enquanto Sansão dormia, Dalila lhe cortou os cabelos e chamou os governantes dos filisteus. Quando estes chegaram, Sansão tentou lutar e se livrar deles, como d’antes… “Não sabia, porem, que o Senhor o havia deixado” (16.20). “Os filisteus o capturaram e furaram seus olhos. Levaram-no para Gaza onde o prenderam com duas correntes de bronze, obrigando-o a moer cereais na prisão” (16.21). 

Triste isso: “O Senhor o havia deixado!” A força e a coragem de Sansão não estavam nos cabelos compridos. Tanto que a força descomunal sempre esteve associada ao poder do Espírito. Os cabelos compridos, nunca cortados, eram símbolo e lembrança de um voto de consagração, obediência e serviço. Deus tinha dito a seus pais e a ele próprio que não poderia cortar o cabelo, beber vinho, etc. Seria nazireu. Mas ele se deixou seduzir por uma mulher bonita, pagã, descrente que não estava nem aí para qualquer ordem de Deus… Acontece ainda hoje!

“Não demorou muito, porém, e seu cabelo começou a crescer de novo” (16.22). Esta observação, no contexto do que ainda estava por acontecer com Sansão, é muito significativa. Creio que significa uma restauração progressiva da comunhão com Deus e consciência de missão. Veja…

Os filisteus realizaram uma grande festa para celebrar a vitória contra Sansão. Foi no templo de seu deus Dagon, que ficou lotado. Trouxeram Sansão para humilha-lo e exibi-lo como um trunfo. Cego, Sansão pediu ao servo que o guiava: “Ponha minhas mãos nas duas colunas que sustentam o templo […]. Assim posicionado, Sansão, com o cabelo já crescido, orou: “Soberano Senhor, lembra-te de mim novamente. Por favor, ó Deus, fortalece-me só mais esta vez. Permite-me que, com um só golpe, eu me vingue dos filisteus pela perda dos meus olhos.” Disse também: “Que eu morra com os filisteus!” Você sabe o que aconteceu. Sansão forçou as duas colunas “e o templo desabou sobre os governantes filisteus e sobre todo o povo. Assim, Sansão matou mais pessoas quando morreu do que em toda a sua vida.” (16.26-30). Tem-se dito que Sansão suicidou-se. Outros dizem que, restaurado, ele sacrificou-se por sua missão. O que você pensa disso?

Ficamos com nossas perguntas: Deus aprova, abençoa e usa casamentos com descrentes e ímpios? Deus capacita seus servos com poder para retaliar e matar? Deus ouve orações que incluem desejo de vingança? Certamente, como dito acima, Deus não aprova casamentos conduzidos tão somente por atração física, paixões cegas; não aprova a sedução e a traição; não aprova violência, assassinado, extermínio, etc. Mas ele misericordiosamente ouviu o clamor de Israel, quando sob a opressão dos filisteus (e de outros povos à volta), levantou e capacitou líderes, os chamados  juízes, e libertou seu povo várias vezes, usando estes juízes, homens e mulheres, a despeito de seus erros e pecados. Deus é Soberano e misericordioso! Tanto que nos usa a nós… Qual é a nossa missão? Que força, dons e talentos nos deu para cumpri-la? De que modo? 

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