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O fruto. do Espírito. XI. Domínio próprio

Domínio próprio é o mesmo que autocontrole, auto-disciplina, temperança. A palavra grega significa “senhorio forte”, poder de governo de si mesmo. Na Bíblia, é a capacidade de dministrar os próprios pensamentos, emoções, desejos e apetites que nos levam para o pecado.

Desde a queda, o primeiro pecado de Adão w Eva  (Gn 3), nossa mente, nossas emoções e nossos desejos tendem naturalmente para o mal. Por isso precisam ser controlados e redirecionados.

Um exemplo está na história de Caim e Abel, filhos de Adão e Eva. Quando Deus aceitou a oferta de Abel e rejeitou a de Caim, este ficou furioso. Então o Senhor lhe disse: “Por que você está irado? Se fizer o bem, será aceito. Mas, se não fizer, o pecado está à porta; ele deseja dominar você, mas é você quem deve dominá-lo” (Gn 4.6-7). Sabemos o fim dessa história: Caim não conseguiu controlar sua ira e foi dominado por ela.

Diferente do que ensinavam os gregos antigos — e ainda hoje repetem algumas filosofias e seitas — o corpo em si não é mau. Nem o apetite, a sede, os sentidos ou a sexualidade. Tudo isso foi criado por Deus e era “muito bom” (Gn 1.31). O problema é que, afastado de Deus, o ser humano perdeu o controle dessas coisas. Mal usadas, elas se tornaram fonte de dor e destruição. Como disse Suzana Wesley a seu filho João Wesley: “Tudo o que fortalece o corpo em detrimento da mente é mau.”

Mas quando nos voltamos para Deus em Cristo, o Espírito Santo nos ajuda a dominar essas áreas da vida. Por isso Paulo escreveu que “o fruto do Espírito é […] domínio próprio” (Gl 5.22-23).

A batalha interior

Paulo também alerta: “Andem no Espírito, e não vão satisfazer os desejos da carne. Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; eles são opostos entre si” (Gl 5.16-17).

Isso significa que, mesmo sendo habitados pelo Espírito, ainda sentimos a inclinação para o pecado. Ela não desaparece nesta vida. Por isso, a luta é constante.

No contexto em que refere o “fruto do Espírito”, o apóstolo Paulo nos exorta: “Andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência [cobiça] da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne […]. Ora, as obras da carne são conhecidas, e são: prostituição, impureza, lascívia [falta de domínio dos desejos sexuais], idolatria, feitiçarias [falta de domínio sobre os sentimentos e conceitos religiosos heréticos], inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas [falta de domínio dos sentimentos pecaminosos], bebedices, glutonarias [fala de domínio sobre os apetites]“ (Gl 5.16-21). O domínio sobre tudo isso só é possível mediante a ação do Espírito em nossa vida. Mas, ao mesmo tempo, é nossa responsabilidade cooperar com ele. “Andar no Espírito” significa viver em comunhão com ele, depender do seu poder e se deixar guiar por ele em cada momento do dia a dia.

Por isso Paulo também disse:

  • “Façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena: imoralidade sexual, impureza, paixões, desejos maus e a ganância, que é idolatria […]. Abandonem também a ira, a maldade, a calúnia e a linguagem suja” (Cl 3.5-8).
  • “Todo atleta se disciplina em tudo para conquistar uma coroa que logo perde. Nós, porém, o fazemos para ganhar uma coroa eterna. Por isso, eu também corro com um propósito e luto como quem tem alvo. Eu disciplino meu corpo e o mantenho sob controle, para que, depois de pregar aos outros, eu mesmo não seja reprovado” (1 Co 9.25-27).

Domínio próprio, portanto, é obra do Espírito em nós, mas também exige nossa disciplina e esforço.

A importância do domínio próprio

Alguém já disse: “Existem homens capazes de comandar exércitos, mas que não conseguem governar a si mesmos. Existem homens que conquistam multidões com palavras inflamadas, mas não conseguem se calar diante de provocações. O maior sinal de nobreza é o domínio próprio; ele vale mais do que coroas e mantos de reis.”

O sábio Salomão resumiu bem: “É melhor controlar a si mesmo do que conquistar uma cidade inteira” (Pv 16.32).

E Pedro aconselhou: “Empenhem-se ao máximo para acrescentar à fé a virtude; à virtude, o conhecimento; ao conhecimento, o domínio próprio” (2 Pe 1.5-6).

Éber M. Lenz César

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