Em todas as denominações cristãs há pessoas sinceras em sua prática religiosa. Muitos, a despeito de certos erros doutrinários, amam o Senhor e procuram viver de acordo com os valores cristãos. Louvado seja Deus por isso!
Por outro lado, há muitos cristãos e igrejas que enfrentam um preocupante esfriamento espiritual. Entre os evangélicos, há os que já não oram nem leem a Bíblia regularmente. Outros deixaram de frequentar uma igreja. Como se diz, são desigrejados. Entre os católicos, muitos conhecem pouco ou quase nada da Bíblia e não sabem como orar, orar mesmo, conversar com Deus. Quando perguntados pelo IBGE, identificam-se como católicos não praticantes.
Consequentemente, entre uns e outros, nem sempre é fácil perceber “a diferença entre o justo e o perverso, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (Ml 3.18).
Diante desse quadro, precisamos, mais do que nunca, de um retorno à fé, às Escrituras, a Jesus, à sua Igreja. Precisamos de um avivamento.
O povo de Deus no Antigo Testamento também passou por períodos de fraqueza espiritual, de abandono da fé, de idolatria e pecado. O fogo da devoção queimou baixo, quase apagando.
Foi num desses períodos que o salmista orou ao Senhor: “Porventura, não tornarás a vivificar-nos, para que em ti se regozije o teu povo? (Sl 85.6).
O autor do Salmo 119 repetiu várias vezes essa mesma oração: “Vivifica-me, Senhor! Vivifica-me!” (Sl 119.25, 37, 40, 88, 107, 149, 154, 156, 159).
No Antigo Testamento, uma das palavras associadas a essa ação de Deus é #ruah, que significa sopro, vento, alento. É usada também em referência ao Espírito Santo. No Novo Testamento, a palavra grega correspondente é #pneuma, que significa reviver, reavivar, renovar; e também é usada em referência ao Espírito. Jesus, num contexto em que falava de novo nascimento, um recomeço, comparou a ação do Espírito Santo ao vento que sopra onde quer (Jo 3.8; cf. Jo 20.22; At 2–4). Então, tanto ruah como pneuma, são usadas para referir a obra vivificadora de Deus através do Espírito Santo. A ideia é muito bonita: Através do Espírito Santo, Deus sopra e reacende as brasas da nossa fé.
Há uma definição clássica e bastante abrangente de avivamento:
“É um sopro ou ação do Espírito Santo na vida das pessoas, na igreja ou numa comunidade, despertando-as para as coisas de Deus; é aquela mudança de mente e de coração que fez o filho pródigo da parábola de Jesus arrepender-se, levantar-se e voltar para o pai […]”.
Portanto, #avivamento não é simplesmente multidão empolgada, manifestações emocionais, gritos de aleluia, nem mesmo noite de milagres. É, antes de tudo, uma obra de Deus que produz arrependimento, confissão, reconciliação, mudança, retorno ao primeiro amor, apego à Palavra de Deus e disposição para viver de acordo com ela.
Já sabemos que é Deus quem sopra as brasas da fé, reacende. Mas há algumas coisas que podemos e devemos fazer.
1. Oração
Já vimos alguns exemplos bíblicos de pessoas que oraram por avivamento. Há muitas outras passagens que nos encorajam a orar por avivamento:
Em um discurso em que exortou Israel a obedecer a Deus, Moises lhes garantiu: “[…] vocês buscarão o Senhor, seu Deus, outra vez. E, se o buscarem de todo o coração e de toda a alma, o encontrarão” (Dt 4.29).
Em seguida à construção do famoso templo, em Jerusalém, o rei Salomão orou ao Senhor pedindo suas bênçãos sobre Israel (Dt 6.14-48). Em resposta, Deus lhe disse, entre outras coisas:
“Se meu povo, que se chama pelo meu nome, humilhar-se e orar, buscar minha presença e afastar-se de seus maus caminhos, eu os ouvirei dos céus, perdoarei seus pecados e restaurarei sua terra” (2 Cr 7.14).
Essas passagens têm sido usadas com frequência para enfatizar a importância da #oração e de humilde #reconhecimento de pecado como preparação para um avivamento.
Harold Fischer escreveu:
“A oração foi predominante em todos os grandes avivamentos. Não poderíamos nós, caros irmãos, unir-nos uma vez mais para nos angustiarmos em oração, até que víssemos novamente a poderosa mão de Deus mover-se num avivamento proporcional às necessidades prementes da hora presente?” (Avivamentos que avivam, p. 57)..
2. Obediência e santidade
Charles Finney, pregador avivalista do século XIX, costumava dizer: “Avivamento nada mais é do que um novo começo da #obediência a Deus.”
Obediência não apenas aos Dez Mandamentos, mas a tudo aquilo que as Escrituras nos ensinam sobre amor, perdão, integridade, relacionamentos, pureza, sexualidade, casamento, criação dos filhos, uso do dinheiro e muito mais..
Tiago, “irmão do Senhor”, em uma das cartas mais práticas do Novo Testamento, recomenda: “Tornai-vos praticantes da Palavra e não somente ouvintes […]” (Tg 1.22). Não basta ouvir a Palavra, concordar com ela. É preciso colocá-la em prática.
É claro que, nesta vida, nunca alcançaremos a perfeição. Ainda assim, podemos — e devemos — caminhar nessa direção. Deus espera de nós uma vida que reflita o caráter daquele que nos chamou:
“Segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (Lv 20.26; I Pe 1.15-16).
A palavra #santo significa separado. Ser santo, portanto, é viver de maneira coerente com aquilo que somos pela fé em Cristo: filhos de Deus, pessoas que pertencem a Deus (Jo 1.12).
Jesus disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10). Ele veio para fazer #expiação por nossos pecados, para nos perdoar, salvar e reconciliar com Deus, o Pai. E dessa #reconciliação resulta uma vida abundante, plena, significativa e avivada.
Por isso, reafirmamos: avivamento não é multidão reunida, empolgação momentânea, manifestações emocionais: É uma vida renovada por Deus, caracterizada por uma fé genuína, apego à Palavra, obediência, amor e serviço.
É fácil olhar para os outros e para as igrejas e dizer: “Eles bem que estão precisando de uma avivamento!” Mas por que não: “Nós estamos precisando de um avivamento! Eu estou…”
Então, oremos por um avivamento em nossa vida, em nossa igreja e em todas as igreja. E, enquanto fazemos a nossa parte, confiemos naquele que pode soprar as brasas quase apagadas da nossa fé e fazer o fogo voltar a arder.
Pr. Éber Lenz César
Se desejar se aprofunda neste assunto, acesse esta série de 8 sermões sobre AVIVAMENTO e 8 estudos para Escola Dominical ou Grupos sobre os Avivamentos ocorridos na História Bíblia
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