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Gratidão e louvor por 84 anos de vida e 60 de pastorado

Escrevo este testemunho com o coração cheio de gratidão e louvor a Deus por  estar completando, hoje, 84 anos de vida, e, amanhã, 60 anos de ministério pastoral ininterrupto. Faço uma paráfrase e resumo da oração do Salmo 40, verso 5: “Senhor, são tantas as tuas bênçãos! Eu queria contar tudo que tens feito, mas é demais! Não dá!” 

Onde tudo começou

Nossa história começou muitos anos antes de eu nascer. Em 1876, meu avô, Belmiro César, então um jovem de 16 anos, ouviu a pregação do evangelho pela primeira vez. Foi numa igreja recém iniciada por um missionário americano em Recife, PE. Não demorou e ele se converteu, fez sua pública profissão e fé e foi batizado.

Belmiro casou-se com uma jovem filha de alemães, Cristina Lenz, também recém convertida, e tornou-se pastor. Pastoreou igrejas presbiterianas no Nordeste e no Rio de Janeiro. Os filhos do casal Lenz César foram todos criados no evangelho. Quatro dos cinco homens tornaram-se pastores.

O caçula de Belmiro, Benjamim, foi ordenado pastor em 1919, e foi pastor em Campos dos Goytacazes, RJ, por 52 anos. Ele plantou muitas igrejas em toda uma vasta região. O casal Benjamim e Elvira Lenz César teve 6 filhos: as duas filhas sempre exerceram funções na igreja, na área do ensino; os quatro filhos homens foram graciosamente vocacionados por Deus para o ministério pastoral.

O caçula de Benjamim

Meus irmãos Elben e Kléos já estavam pastoreando igrejas em Minas Gerais; o outro irmão, Clebem, já estava no Seminário, em Alto Jequitibá, MG. No meu coração eu desejava ser pastor, mas era muito tímido. Além disso, temia que este desejo fosse influência da família de pastores. Fiquei orando a respeito. Somente aos 18 anos, em 1960, eu disse aos meus pais e ao Conselho da Igreja que eu queria ser pastor. O Presbitério de Campos me aceitou como candidato ao ministério e, em fevereiro de 1961, me encaminhou para o Seminário Presbiteriano  do Centenário, em Alto Jequitibá, MG.

Minha intensão inicial era só estudar… Mudei de ideia assim que conheci Márcia… Ela parecia ter uns 16 ou 17 anos. Não demorou, e eu descobri que ela era uma criança de 12 anos! Não achei ruim não, mas o pai dela… Observação importante: Naquele tempo, os namorados, os mais vigiados, mal mal davam as mãos. E o pai da Márcia, pastor também, nem isso nos permitia… 

Trajetória ministerial

Eu me formei em dezembro de 1965. Em 23 de janeiro de 1966 (há exatos 60 anos!), o Presbitério de Campos me ordenou pastor. Comecei meu pastorado ainda solteiro, na Igreja Presbiteriana de Viçosa, MG, que meu irmão Elben havia plantado e pastoreado por 6 anos. Era a única igreja evangélica na cidade. 

Eu e Márcia nos casamos no ano seguinte, em 4 de fevereiro de 1967. Dado o envolvimento de Márcia no meu ministério, digo no plural: pastoreamos a igreja de Viçosa mais 3 anos e então as seguintes outras igrejas: Igreja Presbiteriana de Carangola, MG (5 anos), Igreja Reformada Portuguesa, em Nelspruit, Africa do Sul (que plantei e pastoreei por 2 anos), Igreja Presbiteriana das Graças, em Recife, PE (6 anos), Igreja Presbiteriana de Alto Jequitibá, MG (1 ano), Igreja Presbiteriana Central de Uberlândia, MG (2 anos e meio), Igreja Presbiteriana das Graças (outra vez, por mais 7 anos e meio), Igreja Presbiteriana Luz do Mundo, Rio de Janeiro (que plantei e pastoreei por 13 anos), Igreja Presbiteriana do Bairro Imperial de São Cristóvão, Rio de Janeiro (4 anos), Igreja Presbiteriana Libertas, Rio de Janeiro, que meu filho Clinton havia plantado (2 anos) e, por fim, Igreja Sal da Terra Brasília, DF, do Ministério Sal da Terra (desde 12/2018). 

Na África do Sul, um dos trabalhos mais importantes e difíceis que fizemos foi dar assistência e evangelizar os refugiados portugueses das guerras de independência de Moçambique e Angola. 

Pastoreando as igrejas de Viçosa e Carangola, em MG, e a Igreja das Graças, em Recife, PE, demos assistência pastoral às congregações de localidades próximas e formamos algumas novas congregações ou filiais. Em Recife, ensinei História e Geografia Bíblica no Seminário Presbiteriano local (12 anos) e exerci a Capelania no Colégio Presbiteriano Agnes Erskine (2 anos). Márcia me substituiu nesta capelania nos anos seguintes. No Rio de Janeiro e em Brasilia, além do pastorado, e com muita oração e esforço, escrevei 7 livros.

Temos três filhos, 5 netas e um neto. A filha primogênita, dentista, seu marido e filha moram em Brasília; os filhos Clinton e Benjamim e suas respectivas esposas e filhos moram no Canadá. Clinton pastoreia uma igreja de canadenses e brasileiros; Benjamim também é pastor ordenado, colabora na mesma igreja, e trabalha como design numa empresa. 

Costuma-se dizer: “Deus é fiel!” E também “Deus é bom o tempo todo!” E como é! Ele perdoou nossos pecados, capacitou-nos para a missão que nos confiou, supriu nossas necessidades, dirigiu nossos passos e, em cada lugar, nos usou para a conversão e edificação espiritual de muitos. Tivemos nossos dias difíceis, incluindo enfermidades graves, mas, como o apóstolo Paulo, podemos dizer, de coração:  “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37).

Louvado seja Deus!

 Pr. Éber

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