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Estudos no Sermão do Monte.

A justiça do cristão

8. Gente de palavra, que não se vinga, mas ama até os inimigos. 

 

Mt 5.33-48

Vimos que Jesus não veio para “revogar a Lei e os profetas”, mas “para cumpri-los”, e o fez dando-lhes a profundidade pretendida por Deus, o Pai, e obedecendo-os. Vimos o que disse especificamente sobre os mandamentos “Não matarás” e “Não adulterarás” Condenando o adultério, ele falou também da problemática do divórcio (5.31-32).

No Sermão do Monte, Mateus registrou apenas uma parte do que Jesus disse; a versão mais completa está em Mt 19. Mas continuar neste assunto aqui. Vamos ver os outros exemplos da Lei citados por Jesus, nesta seção do Sermão da Montanha que tem a ver com a justiça do cristão.

1. Não precisamos jurar. Nossa palavra deve bastar.

Os fariseus eram permissivos não somente nas questões relativas ao adultério e ao divórcio, mas também em seus ensinamentos sobre juramentos. Eles diziam: “Não quebre a sua promessa, mas cumpra o que você jurou ao Senhor que ia fazer […]” Jesus dizia: “Não jurem de jeito nenhum. Não jurem pelo ceú […] nem pela terra […]” (vs.33-34, BLH)

Os fariseus conheciam os ensinos do VT sobre juramentos, principalmente aqueles que tomavam a Deus por testemunha. Tais juramentos ou votos devem ser cumpridos. Ver Lv 19.12; Nm 30.2. Porém, os mestres judaicos limitavam-se a exigir cumprimento dos juramentos, votos ou promessas  feitas a Deus ou usando alguma fórmula do tipo “juro por Deus”. Não eram rigorosos quanto à palavra empenhada no dia a dia, nas questões corriqueiras. Se não foi prometido ao Senhor ou em nome do Senhor…

Jesus, ao contrário, ensinou que não precisamos jurar; nossa palavra deve bastar! Os que convivem conosco devem saber que quando dizemos “Sim”, é sim mesmo; quando dizemos “Não”, é não mesmo. Jesus ainda acrescentou: “ […] o que disto passar vem do maligno” (v.37. Ver Jo 8.44). Falta de palavra, juramentos desnecessários ou quebrados, desonestidade e mentira, são obras do maligno!

Pense no seu dia a dia, nas coisas consideradas mínimas tais como “Estarei lá, às tantas horas…”; “Amanhã eu farei isto para você…”; “No dia tal eu lhe pago…”; “Vou orar por você…”. Há também votos de maior gravidade ou alcance que fazemos na profissão de fé e batismo, no casamento… Cumprimos estas e tantas outras promessas? Temos palavra?

2. Não resista! Não se vingue! Ame! (5.38-48).

Falando ainda da Justiça do Cristão, Jesus corrigiu a atitude predominante entre os judeus de resistir ao perverso ou, como lemos na BLH, de se vingarem dos que lhes faziam mal. Eles se baseavam numa frase conhecida da Lei Mosaica: “Olho por olho, dente por dente”. Mas é preciso lembrar que a Lei de Moisés era um código civil, além de moral. Por exemplo: Êx 20 contém os Dez Mandamentos, que são Lei Moral; Êx 21 a 23 contêm uma série de ordenanças que aplicam os dos Dez Mandamentos à vida do povo judeu (leis civis). Há ali uma variedade de “casos legais” sobre os prejuízos causados a pessoas e propriedades. É neste contexto que aparecem as palavras “[…] vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, machucadura por machucadura” (Êx 21.24-25. Ver Lv 24.19-20; Dt 19.21).

O contexto indica que esta era uma instrução para juízes; era a lei da retribuição exata, cujo propósito era estabelecer o fundamento da justiça especificando o castigo que o culpado merecia e limitando a compensação da vítima a um equivalente exato e não maior. Tinha o duplo efeito de caracterizar a justiça e refrear a vingança. Posteriormente, a retaliação literal pelos prejuízos foi substituída por penalidades em dinheiro ou custos. Se, por exemplo, o dono de um escravo o ferisse cegando-o de um olho, ou quebrando-lhe um dente, a retribuição seria perder o escravo. Entretanto, os fariseus estendiam este princípio da justa retribuição dos tribunais legais para os relacionamentos pessoais e assim tentavam justificar a vingança pessoal, embora, noutras passagens, a Lei o proibisse (Lv 19.18).

Jesus não contradisse o princípio da retribuição legal e justa, mas ensinou que este princípio não se aplica aos nossos relacionamentos pessoais. “Não resistais ao perverso […]” (RA) ou “Não se vinguem dos que fazem mal a vocês […]” (BLH, Mt 5.39a). Os relacionamentos pessoas têm que se basear no amor, não na justiça! Usando as versões RA e BLH, veja, nos vs. 39b a 42, os quatro exemplos de não retaliação que Jesus deu: (a) Uma agressão física (v.39b); (b) Uma ação gananciosa (v.40); (c) Um abuso de poder (v.41); (d) Um constrangimento (v. 42). As reações sugeridas são expressões de amor, de domínio próprio, de disposição para viver em paz com as pessoas. E não têm nada a ver com fraqueza ou covardia. Pelo contrário… Ver I Pe 2.21-23; Rm 12.17-21.

Em circunstâncias especiais, nossas reações até podem ser outras, mas o princípio ensinado por Jesus e por seus apóstolos deve ser considerado seriamente como primeira opção. Jesus encerra esta seção frisando a importância do amor, até pelos inimigos. Ele usa o exemplo do próprio Deus Pai. Se somos “filhos de Deus”, devemos imitá-lo! Mt. 5.43-48).

(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos e pregações. Não pode ser impresso e vendido).

 

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