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Estudos no Sermão do Monte.

A justiça do Cristão

7. Raiva e adultério 

Mateus 5:21-30

Na seção anterior, Jesus disse que não veio para “revogar a Lei e os profetas”, mas “para cumpri-los”. E de fato ele o fez, dando-lhes a profundidade e o sentido originalmente pretendidos por Deus, o Pai, e obedecendo-os. Nesta lição, vamos ver os exemplos que ele citou.

 

    1. “Não matarás…” Não parta para a violência! (vs.21-26)

No contexto bíblico mais amplo, entende-se que o que Deus proíbe com esse mandamento não é a supressão da vida humana em qualquer circunstância (defesa própria, guerras, etc.), mas, sim, o homicídio.

Mas, esta questão é polêmica e foge ao propósito desta lição, que é tão somente comparar o ensino dos escribas com o de Jesus. Os escribas, que eram os mestres judaicos, restringiam o mandamento ao ato de matar em si. Jesus ensinava que o que a Lei proíbe aqui não é só o assassinato, mas também a raiva e toda e qualquer violência verbal ou física. A versão da BLH diz: “Qualquer um que ficar com raiva do seu irmão […]. Quem disser ao seu irmão: Você não vale nada […]. Quem chamar o seu irmão de idiota […]”. Raiva e os insultos são sintomas do desejo de acabar com a outra pessoa. Alguns chegam a dizer: “Gostaria que ele morresse!”  Ou “Se eu pudesse, lhe torceria o pescosso!” No coração, já matou.

Em seguida, Jesus acrescenta duas aplicações práticas deste princípio:

 

    1. Faça as pazes antes do culto (vs. 23-24)

    1. Pague a dívida antes da prisão (vs.25-26)

Essas figuras são diferentes. O cenário da primeira é uma igreja; o da segunda é um tribunal; a primeira supõe uma situação de ressentimento entre dois irmãos em Cristo; a segunda descreve uma situação de endividamento entre duas pessoas inimizadas. Mas, em ambos os casos, a situação básica é a mesma (um tem ressentimento contra o outro) e a lição é também a mesma (há necessidade de ação conciliatória imediata).

Portanto: Não fique com raiva, não insulte, não deseje a morte do outro. Peça-lhe perdão! Faça as pazes! Pague a sua dívida! Busque a conciliação! Faça isso o mais depressa que puder. É muito melhor.

2. “Não adulterarás!” Se está difícil, nem olhe! (Vs. 27-30).

Jesus passa do sexto para o sétimo mandamento. Novamente, os mestres judeus estavam tentando limitar o alcance do mandamento original. Ensinavam que o adultério mesmo só ocorre mediante a prática do ato sexual. Jesus, porém, explicou que o mandamento é muito mais amplo, ou seja, inclui o olhar cobiçoso ou concupiscente,  e a imaginação impura ou fantasia.

  • Não há aqui a mais leve sugestão de que as relações sexuais dentro do casamento não sejam algo lindo que Deus criou e abençoa. Leia Gn 4.1; 25.21; I Sm 1.10,11,19,20. Veja também I Co 7.3-5.
  • Os ensinamentos de Jesus nesta passagem referem-se ao sexo ilícito, fora do casamento, praticado por pessoas casadas ou solteiras; homens e mulheres.
  • Jesus não proíbe os homens de olharem para as mulheres, nem as mulheres de olharem para os homens, mas, sim, de fazerem isso com intenção impura. Sabemos da diferença que há entre olhar e cobiçar; entre olhar, achar bonita, simpática, agradável, e olhar, achar sensual, atraente, cobiçar… e ficar a imaginar…
  • Jesus relacionou os olhos com o coração. O adultério começa nos olhos e vai parar no coração. Se as circunstâncias o favorecerem, vai parar na cama…

Isso é tão grave e de consequências tão danosas, que Jesus acrescentou: vs.29-30. Parece drástico, radical demais. Mas é só uma figura de linguagem.

O significado é simples. “Se o seu olho o faz pecar, não olhe!” (Corte o mal pela raiz, onde ele começa!). “Se a sua mão o faz pecar, não faça!” (Corte esse mal pela raiz também!). Poderíamos acrescentar: “Se o seu pé… não vá!”

Os cristãos, às vezes, expõem-se demasiadamente e deliberadamente às tentações e ao pecado olhando e tornando a olhar as pessoas do sexo oposto que se exibem nas ruas, nas praias, nas revistas, no cinema, na televisão, na Internet. Veja Jó 31.1,2,9-12.

3. A ajuda de que precisamos nas tentações.

Vamos concluir esta parte do nosso estudo acrescentando apenas que a tentação não é pecado. Todavia, a diferença é sutil e, às vezes, enganosa. A tentação é uma expressão da nossa tendência nata para o pecado, que é explorada por Satanás, o Tentador, e aguçada por toda essa maldade,  violência e imoralidade que nos cerca. Apesar disso, permanecem os mandamentos, com a profundidade que lhes atribuiu o Senhor Jesus: “Não matarás… Não adulterarás… nem em pensamento!”

É difícil, mas não é impossível. Deus prometeu que não permitiria que fôssemos tentados além do que podemos suportar. Se formos tentados além das nossas forças (1 Coríntios 10:13). O autor da epístola aos Hebreus escreveu: “[…] temos Jesus, o Filho de Deus… que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. Por isso, tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hb 4:14-16). Chegamos perto do “trono da graça” voltando os olhos para as páginas das Escrituras e, depois, fechando-os para orar…

 

(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos  Grupos de Estudo e pregações. Não pode ser publicado e vendido).

 

CONTATO 

eberlenzcesar@gm,ail.com

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