Mateus 5:21-30
Na seção anterior, Jesus disse que não veio para “revogar a Lei e os profetas”, mas “para cumpri-los”. E de fato ele o fez, dando-lhes a profundidade e o sentido originalmente pretendidos por Deus, o Pai, e obedecendo-os. Nesta lição, vamos ver os exemplos que ele citou.
No contexto bíblico mais amplo, entende-se que o que Deus proíbe com esse mandamento não é a supressão da vida humana em qualquer circunstância (defesa própria, guerras, etc.), mas, sim, o homicídio.
Mas, esta questão é polêmica e foge ao propósito desta lição, que é tão somente comparar o ensino dos escribas com o de Jesus. Os escribas, que eram os mestres judaicos, restringiam o mandamento ao ato de matar em si. Jesus ensinava que o que a Lei proíbe aqui não é só o assassinato, mas também a raiva e toda e qualquer violência verbal ou física. A versão da BLH diz: “Qualquer um que ficar com raiva do seu irmão […]. Quem disser ao seu irmão: Você não vale nada […]. Quem chamar o seu irmão de idiota […]”. Raiva e os insultos são sintomas do desejo de acabar com a outra pessoa. Alguns chegam a dizer: “Gostaria que ele morresse!” Ou “Se eu pudesse, lhe torceria o pescosso!” No coração, já matou.
Em seguida, Jesus acrescenta duas aplicações práticas deste princípio:
Essas figuras são diferentes. O cenário da primeira é uma igreja; o da segunda é um tribunal; a primeira supõe uma situação de ressentimento entre dois irmãos em Cristo; a segunda descreve uma situação de endividamento entre duas pessoas inimizadas. Mas, em ambos os casos, a situação básica é a mesma (um tem ressentimento contra o outro) e a lição é também a mesma (há necessidade de ação conciliatória imediata).
Portanto: Não fique com raiva, não insulte, não deseje a morte do outro. Peça-lhe perdão! Faça as pazes! Pague a sua dívida! Busque a conciliação! Faça isso o mais depressa que puder. É muito melhor.
2. “Não adulterarás!” Se está difícil, nem olhe! (Vs. 27-30).
Jesus passa do sexto para o sétimo mandamento. Novamente, os mestres judeus estavam tentando limitar o alcance do mandamento original. Ensinavam que o adultério mesmo só ocorre mediante a prática do ato sexual. Jesus, porém, explicou que o mandamento é muito mais amplo, ou seja, inclui o olhar cobiçoso ou concupiscente, e a imaginação impura ou fantasia.
Isso é tão grave e de consequências tão danosas, que Jesus acrescentou: vs.29-30. Parece drástico, radical demais. Mas é só uma figura de linguagem.
O significado é simples. “Se o seu olho o faz pecar, não olhe!” (Corte o mal pela raiz, onde ele começa!). “Se a sua mão o faz pecar, não faça!” (Corte esse mal pela raiz também!). Poderíamos acrescentar: “Se o seu pé… não vá!”
Os cristãos, às vezes, expõem-se demasiadamente e deliberadamente às tentações e ao pecado olhando e tornando a olhar as pessoas do sexo oposto que se exibem nas ruas, nas praias, nas revistas, no cinema, na televisão, na Internet. Veja Jó 31.1,2,9-12.
3. A ajuda de que precisamos nas tentações.
Vamos concluir esta parte do nosso estudo acrescentando apenas que a tentação não é pecado. Todavia, a diferença é sutil e, às vezes, enganosa. A tentação é uma expressão da nossa tendência nata para o pecado, que é explorada por Satanás, o Tentador, e aguçada por toda essa maldade, violência e imoralidade que nos cerca. Apesar disso, permanecem os mandamentos, com a profundidade que lhes atribuiu o Senhor Jesus: “Não matarás… Não adulterarás… nem em pensamento!”
É difícil, mas não é impossível. Deus prometeu que não permitiria que fôssemos tentados além do que podemos suportar. Se formos tentados além das nossas forças (1 Coríntios 10:13). O autor da epístola aos Hebreus escreveu: “[…] temos Jesus, o Filho de Deus… que foi tentado do mesmo modo que nós, mas não pecou. Por isso, tenhamos confiança e cheguemos perto do trono divino, onde está a graça de Deus. Ali receberemos misericórdia e encontraremos graça sempre que precisarmos de ajuda” (Hb 4:14-16). Chegamos perto do “trono da graça” voltando os olhos para as páginas das Escrituras e, depois, fechando-os para orar…
(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos de Estudo e pregações. Não pode ser publicado e vendido).
eberlenzcesar@gm,ail.com
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