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Estudos no Sermão do Monte.

O caráter do cristão.

3. Os que têm fome, os misericordiosos e os limpos de coração

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos” (Mt 5.6).

A pobreza e a fome, sejam físicas ou espirituais, andam juntas. Os pobres de espírito têm fome e sede de justiça, ou seja, de fazer a vontade de Deus. Essa fome espiritual é característica dos verdadeiros cristãos. Os não cristãos geralmente vivem para os bens materiais e os prazeres da vida; os cristãos geralmente buscam primeiro as coisas espirituais. Pelo menos assim deveria ser! Mt 6.31-33.

A “justiça” que os cristãos tanto desejam tem três aspectos:

(a) Religioso: comunhão com Deus, através de Cristo. Jo 14.6; I Tm 2.5-6

(b) Moral: santificação por meio do Espírito Santo. Jo 14.15-17; Gl 5.22-23

(c) Social: influenciar; promover a justiça social. Is 1.17

A bênção referida nesta bem-aventurança.

“[…] porque serão fartos”. Se temos, de fato, fome e sede de Deus, de santidade e de justiça, Deus e Cristo nos satisfarão (Jo 6.35). Todavia, como a fome e a sede físicas, a necessidade espiritual precisa ser atendida vez após vez. Temos que comer e beber repetidas vezes no dia e por toda a vida! Só no céu não teremos mais fome e sede de justiça. (II Pe 3.13; Ap 7.16-17).

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (5.7) (5.7)

Misericórdia envolve atenção, sensibilidade, compaixão, doação e ajuda, não importando se o outro merece ou não, ou se, algum dia, desejará mas não poderá retribuir. É uma das mais belas expressões de amor. Na parábola do Bom Samaritano, este “teve compaixão” e “usou de misericórdia” para com o estranho assaltado e ferido. Lc 10.25-37.

Com frequência, falta-nos compaixão e misericórdia para com os feridos que estão por aí, nas estradas da vida. E quando os feridos somos nós, nossa tendência natural e pecaminosa é para o ressentimento e até para a vingança. Mas isto, de modo algum, faz-nos bem-aventurados ou felizes. Ler I Pe 3.8-9 e Ef 4.32.

Devemos ser misericordiosos porque:

(a) Deus, nosso Pai, é misericordioso (Lc 6.36. Depois, leia Sl 136).

(b) Jesus, nosso Salvador, foi compassivo e misericordioso (Lc 4.40).

(c) Somos o povo eleito de Deus (Cl 3.12-13).

(d) Práticas religiosas sem misericórdia não agradam a Deus (Mt 23.23)

O mundo, quando à parte da influência cristã, costuma ser extremamente individualista e egoísta; as pessoas não dão a mínima para a dor e a calamidade dos outros; não sabem o que é misericórdia.

A bênção referida nesta bem-aventurança.

“[…] alcançarão misericórdia”. Não nos tornamos merecedores da misericórdia de Deus quando exercemos misericórdia, ou do seu perdão quando perdoamos. A misericórdia e o perdão de Deus são expressões de sua graça, e graça é favor imerecido. Todavia, ninguém pode receber a misericórdia e o perdão de Deus sem se arrepender dos seus pecados e crer em Cristo, e ninguém pode dizer sinceramente que se arrependeu dos seus pecados e não ser misericordioso, perdoando os pecados dos outros.

Nada nos encoraja mais a ser misericordiosos com outros, para ajudar ou perdoar, do que saber que Deus, misericordiosamente e graciosamente nos abençoa e perdoa cada dia. Lm 3.22-23. A prova maior de que fomos perdoados é a nossa disposição para perdoar.

Esta quinta bem-aventurança pode ser relacionada com a terceira: “Bem-aventurados os mansos […]” (RA)  “Felizes as pessoas humildes […]” (BLH). 

O “manso” ou “humilde” também é “misericordioso”, pois, admitindo os próprios pecados, tem misericórdia dos outros, quando pecam.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (5.8)

Obviamente Jesus estava falando de pureza interior, e esta afeta:

      • O comportamento moral. Veja a oração de Davi depois de cometer adultério (Sl 51.4,6,7).

      • A prática religiosa. Veja o que Jesus disse aos lideres religiosos de sua época, porque não eram puros de coração. Mt 23.25-28. Isto é hipocrisia!

      • Os relacionamentos. O coração puro garante um relacionamento confiável.

    A relação entre uma coisa e outra está clara no Sl 24.3-5. Vivemos numa época em que ser limpo de coração ou puro é um desafio! 

    A bênção referida nesta bem-aventurança.

    “…eles verão a Deus”. Deus é espírito e não pode ser visto (I Tm 1.17). Não obstante, esta passagem garante que os crentes verdadeiros, os limpos de coração, “verão a Deus”. Como? Estas palavras têm duas explicações:

        • Vemos a Deus desde já, subjetivamente, com os olhos da fé. Ef 1.17-18.

        • Veremos a Deus no futuro mediante uma compreensão mais aperfeiçoada que teremos de Deus, em sua presença, nos céus. I Co 13.12.

       

      (Resumo e adaptação do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos e pregações)

       

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