Esta é a conclusão de uma série de 10 Estudos no Sermão do Monte, uma compilação, senão um único sermão proferido por Jesus, o Mestre dos mestres. Vimos que ele falou sobre diversos aspectos da vida do cristão: caráter, influência, justiça, piedade, relacionamentos.
Quase terminando, ele advertiu seus discípulos contra os #falsos-profetas. Eles viriam em seguida e sempre distorcendo os ensinos de Jesus e dos seus apóstolos, fazendo parecer largo e fácil o caminho apertado e difícil da salvação ou até mesmo dizendo que o caminho largo de modo algum conduz à perdição.
Agora, nos versículos finais deste famoso e maravilhoso sermão, Jesus não acrescenta nenhum ensino novo; deseja apenas assegurar uma reação adequada às instruções dadas. Ele se volta dos falsos profetas para os falsos professos, dos falsos mestres para os falsos ouvintes. Diz aos que pretendem segui-lo que eles têm que assumir o compromisso da obediência estrita aos seus ensinamentos; fala de duas alternativas inaceitáveis: a profissão de fé meramente verbal (Mt 7.21-23) e o conhecimento meramente intelectual (Mt 7.24-27). Nenhuma das duas substitui a obediência. A diferença entre um parágrafo e outro é que, no primeiro, a alternativa é obedecer ou simplesmente falar (profissão de fé da boca para fora), e, no segundo, a alternativa é obedecer ou simplesmente ouvir (e nada fazer a respeito).
1. O perigo de uma profissão fé apenas verbal (Mt 7.21-23).
Sempre houve e sempre haverá os que afirmam estarem salvos tão somente porque fizeram uma profissão de fé ou de certos dogmas. Pode até ser a notável e certíssima confissão: “Jesus Cristo é Senhor!” (Fp 2.11). Jesus os adverte: “Nem todo que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus […].” E também: “Muitos, naquele dia [o do juízo final], hão de dizer: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nos profetizado em teu nome,: em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”. Que coisa! Vemos aqui que o destino final dos professos não será determinado pelo que dizem hoje ou pelo que dirão no dia do juízo, mas, sim, por uma profissão de fé seguida de obediência a Deus e a Cristo, ou seja, de vida autenticamente cristã. E olha que a profissão de fé aqui referida é ortodoxa, pois afirma que Jesus é Senhor [e implicitamente Filho de Deus], fervorosa (”Senhor, Senhor!”) e espetacular, pois é acompanhada de profecia, exorcismo e milagres.
Então, veja só: orar dizendo “Senhor Jesus…” ou sair por aí afirmando que “Jesus Cristo é Senhor!”, ou “Você está curado em nome de Jesus!” ou ainda “Sai, demônio, em nome de Jesus!” não significa nada, nem mesmo quando o milagre acontece! A evidência da fé, da verdadeira conversão e da presença do Espírito Santo num indivíduo não é o que ele diz, mas o que ele faz, ou seja, vida, obediência, verdadeira santidade. “Nem todo o que me diz […] mas aquele que faz a vontade de meu Pai […]” (v.21.b). Noutra ocasião, Jesus disse: “Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos digo?” (Lc 6.46).
Nós que hoje nos declaramos cristãos, que fizemos profissão de fé e fomos batizados, nós que chamamos Jesus de Senhor em nossas orações e cânticos e somos ativos membros de igreja, participando deste ou daquele ministério (e há os que fazem milagres!) precisamos saber que o senhor não se impressiona com nada disso. Antes de tudo, ele quer nossa obediência em todas as áreas da vida. “O Senhor conhece os que lhe pertencem!” (II Tm 2.19).
2. O perigo de um conhecimento meramente intelectual (Mt 7.24-27).
No parágrafo anterior, o contraste foi entre falar e fazer; agora é entre ouvir e fazer. De um lado está “aquele que ouve estas palavras e as pratica” (v.24), e, do outro, “aquele que ouve estas palavras e não as pratica” (v.26). Jesus ilustra este contraste com a parábola dos dois construtores: o “prudente” construiu sua casa sobre a rocha e o insensato sobre a areia. Enquanto os dois construíam não havia como perceber a diferença (estava nos alicerces). Só depois que uma tempestade desabou sobre as duas casas é que se viu a diferença fatal. A casa sobre a rocha resistiu, a outra desabou!
E, assim com os cristãos professos (os verdadeiros e os falsos). Não podemos facilmente distinguir qual é qual. Ambos parecem estar edificando vidas cristãs: são membros da igreja, lêem a Bíblia, ouvem sermões. A pergunta não é se ouvem, mas se fazem o que ouvem. Apenas uma tempestade revelará a verdade…
Ideias principais extraídas e adaptadas do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte. Preparado por Éber Lenz César para uso interno na Escola Dominical, Pequenos Grupos ou pregações. Não pode ser impresso e vendido.
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