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Estudos no Sermão do Monte.

A ambição do Cristão

10. Segurança material ou provisão divina. 

  • Mt 6.1-18 – Vida particular do cristão. Práticas religiosas: doações, orações e jejum.
  • Mt 6.19-34 – Vida pública do cristão. Questões seculares: valores, prioridades, serviço, preocupações

A distinção “religioso” e “secular” é didática. Na prática, não podemos separar estas duas esferas da vida. Se somos cristãos, tudo o que fazemos, por mais “secular” que pareça, é “religioso” ou “espiritual”, feito para a glória de Deus (Cl 3.23-24). Nesta parte do Sermão do Monte, Jesus mostra isto: Deus está igualmente preocupado com as duas áreas da nossa vida: a particular e a pública; a religiosa e a secular. Em ambas, precisamos ser diferentes da hipocrisia religiosa dos fariseus (Mt 6. 1-18) e do materialismo secular dos gentios (Mt 6. 19-34)

E outra vez, Jesus coloca diante de nós alternativas contrastantes:

  • Dois tesouros: na terra ou no céu (Mt 6.19-210)
  • Duas condições físicas: luz ou trevas (Mt 6.22-23)
  • Dois senhores: Deus ou riquezas (Mt 6. 24)
  • Duas preocupações: nosso corpo ou o Reino de Deus (Mt 6.33-34)

“Não podemos por os pés em duas canoas”. Mas como fazer a escolha? A ambição do mundo nos fascina. O encanto do materialismo é difícil de se quebrar. Nesta seção, Jesus nos ajuda a escolher o melhor. Ele destaca a insensatez do caminho errado e a sabedoria do caminho certo.

1. Dois tesouros (vs. 19-21).

Note que Jesus não proibiu:

  • a propriedade particular (ver Gn 13.2);
  • a poupança para o futuro (ver Pv 6.6-7);
  • o desfrutar das coisas que Deus nos dá (ver I Tm 6.17).

O que Jesus proibiu?

  • o acúmulo exagerado de dinheiro e bens
  • o consumismo exagerado, materialista
  • a vida extravagante e luxuosa (ver Lc 12.15)

Note também o que Jesus disse sobre a durabilidade das riquezas: as da terra são temporais, as do céu são eternas. Ver Jó 1.21; II Co 4.18; Cl 3.2.

Como ajuntar tesouros no céu? Fazendo coisas cujos efeitos se perpetuam além da morte, por toda a eternidade. Isto não significa que Jesus estava ensinando uma doutrina de méritos, como se pudéssemos acumular no céu, através de boas obras praticadas na terra, uma espécie de crédito bancário. Tal noção contradiz o evangelho da graça que Jesus e seus apóstolos ensinaram. E, de qualquer modo, Jesus estava falando a discípulos que já estavam salvos.

Então, o que, especificamente podemos fazer para ajuntar tesouros no céu?

    • Desenvolver um caráter semelhante ao de Cristo.

    • Crescer na fé, na esperança e no amor, posto que essas virtudes, como escreveu o apóstolo Paulo, “permanecem” (I Co 13.13).

    • Crescer no conhecimento de Cristo, com quem estaremos no céu, eternamente.

    • Falar de Cristo com outras pessoas de modo que também possam estar conosco no céu.

    • Investir dinheiro nas causas cristãs (#dízimos e ofertas). Este é o único investimento financeiro cujos dividendos são eternos.

2. Duas condições físicas (vs. 22-23).

Jesus passa da durabilidade dos dois tesouros para o benefício relativo de duas condições. O contraste agora é entre uma pessoa cega e uma pessoa que tem visão e, consequentemente, entre as trevas e a luz em que elas respectivamente vivem.

“Os olhos são a lâmpada do corpo […].” O corpo depende da visão para andar, correr, ler, cozinhar…

O olho “ilumina” o que o corpo faz com as mãos e os pés. “Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso”. Com frequência, na Bíblia, olho é equivalente a coração. “Fixar os olhos” em alguma coisa é equivalente a “colocar o coração” (Sl 66.18). Então, Jesus está falando da importância de se fixar os olhos ou pôr o coração na coisa certa (v.21). Se os colocamos nas coisas erradas, ficamos intolerantes, egoístas, desumanos, e perdemos o verdadeiro propósito da vida.

3. Dois senhores (v. 24).

Depois da escolha entre dois tesouros (onde ajuntá-los) e duas visões (onde fixar os olhos), temos ainda que escolher entre dois senhores (a quem servir). Trata-se de uma escolha entre Deus e as riquezas. Muitos recusam-se a fazer esta escolha; acham possível servir a ambos. Acabam servindo a Deus com os lábios, às riquezas com o coração; ou a Deus na aparência, às riquezas na realidade. Outros servem a Deus com a metade do seu tempo, às riquezas com a outra metade. Mas é justamente esta solução popular de comprometimento dividido que Jesus condena. Js 24.15.

Devoção e serviço exclusivos a Deus e a Cristo não significam passar todo o tempo lendo a Bíblia, orando, adorando ou pregando. Porém, quando a intenção é ajuntar tesouros no céu, quando os olhos (e o coração) estão fixos nas coisas de Deus, tudo o que fazemos é para Deus, para a sua glória. I Co 10.31

Perguntaram a um cristão: “O que o Senhor faz da vida? Qual é a sua profissão? Ele respondeu: “Eu sirvo a Deus. Querem saber como eu faço isto? Como médico.”

4. Duas preocupações (vs. 25-34, principalmente 25,32,33).

A frase inicial “Por isso […]” relaciona o que segue com as escolhas referidas nos parágrafos anteriores. Se escolhemos o céu, a luz e Deus, então, não precisamos ficar ansiosos, preocupados com a subsistência: água, comida, roupa. Deus sabe que precisamos disso e mais. “Busquem-no em primeiro lugar e eles lhes dará tudo de que precisam […].” Não tudo o que queremos, mas o necessário. Tg 1.17; Fp 4.11.

 

(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott , A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos e pregações.   Não pode ser impresso e vendido).

 

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