No dia 2 de novembro, Dia de Finados, milhares de pessoas vão aos cemitérios para prestar homenagem aos seus mortos. Recordam os bons momentos em que desfrutavam de sua companhia, choram a saudade e fazem suas orações.
A ausência de pessoas queridas que se foram já é bastante dolorosa. Mas a desesperança, quando não o desespero, torna tudo ainda mais triste.
No primeiro século, quando o Novo Testamento ainda estava sendo escrito e as doutrinas cristãs eram ensinadas e firmadas, o apóstolo Paulo soube que os cristãos de Tessalônica estavam confusos e tristes com a morte de parentes e irmãos em Cristo. Por isso, escreveu-lhes uma preciosa mensagem de orientação e conforto.
Certa vez, compareci ao funeral de um amigo. Quanta tristeza! A noiva do falecido, chorando ao lado do caixão, perguntava repetidamente: “Será que ele está bem?”
Eu estava ali como pastor, com a responsabilidade de dizer algumas palavras de orientação e conforto. Lembrei-me, então, das instruções do apóstolo Paulo aos tessalonicenses. Na época, aqueles cristãos também tinham pouco conhecimento sobre a situação dos que já haviam morrido. Essa falta de conhecimento aumentava sua tristeza.
Vamos ver o que Paulo lhes escreveu.
É natural ficarmos tristes quando perdemos alguém que amamos. Dói demais! Quanto maior a proximidade e o amor, maior a tristeza e o vazio que ficam.
Entretanto, algumas pessoas, por falta de conhecimento e esperança, sofrem ainda mais.
Nesse sentido, as palavras do apóstolo Paulo aos tessalonicenses são muito oportunas.
“Não queremos, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem [morreram], para não vos entristecerdes como os demais que não têm esperança” (I Ts 4.13).
O termo “ignorantes”, nesse contexto, não tem sentido ofensivo ou pejorativo, ofensivo. Refere-se à falta de conhecimento sobre a situação presente e a perspectiva futura dos que já morreram.
Esta falta de conhecimento gera dúvidas, angústia e insegurança. A tristeza, então, vai muito além da saudade.
Paulo não queria que os cristãos de Tessalônica, seus filhos espirituais, sofressem como aqueles que não têm esperança.
Por isso, acrescentou:
“Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem…” (I Ts 4.14).
Como cristãos, cremos que Jesus morreu por nossos pecados e, três dias depois, ressuscitou. Sua morte expiatória na cruz é uma das colunas que sustentam a fé cristã. Sua ressurreição é a outra.
O mesmo apóstolo escreveu aos Coríntios:
“Cristo morreu pelos nossos pecados […] foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia […]. Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé […]. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (I Co 15.3-4, 17,19-20).
A expressão “primícias dos que dormem” significa que Jesus é o primeiro a ressuscitar com um corpo glorificado e imortal.. Sua ressurreição foi diferente de outras narradas na Bíblia, como a de Lázaro (Jo 11).
As outras pessoas que ressuscitaram voltaram à vida e, posteriormente, morreram novamente. Jesus, porém, ressuscitou definitivamente. Ele venceu a morte! (I Co 15.26, 54-55).
Será assim também a ressurreição de todos os que pertencem a Cristo, no final dos tempos, quando ele voltar.
Isso nos leva de volta às explicações de Paulo aos tessalonicenses:
“O Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor” (I Ts 4.16-17).
Nessas palavras estão subentendidas algumas verdades ensinadas também em outras passagens bíblicas.
A afirmação de que “Deus, mediante Jesus, trará juntamente em sua companhia os que dormem” lembra-nos que os cristãos que já morreram estão com Jesus, embora ainda aguardem a ressurreição do corpo.
Assim também cria e ensina o próprio apóstolo Paulo. Já idoso e consciente da proximidade da morte, declarou:
“Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro […]. Tenho o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” (Fp 1. 21, 23; veja também II Co 5.8; Lc 23.43).
Quando Jesus voltar, os espíritos dos salvos que já morreram estarão com ele, e seus corpos serão ressuscitados e transformados. Enquanto isso, os cristãos que estiverem vivos naquela ocasião também serão transformados. Todos terão corpos glorificados, sem pecado, sem defeitos e imortais!
Parece incrível? Não é apenas incrível. É maravilho! Veja I Co 15.51-53.
E tem mais. Como Paulo escreveu aos tessalonicenses: os cristãos ressuscitados e os que estiverem vivos e foram transformados estarão juntos:
“Seremos arrebatados […] para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre o Senhor.”
Essa é a esperança dos que conhecem e creem nas promessas da Bíblia: sabem da morte expiatória de Cristo, de sua ressurreição e da promessa de sua volta. Sabem também que a morte não terá a palavra final.
Por isso, Paulo conclui sua mensagem aos tessalonicenses dizendo:
“Consolai-vos uns aos outros com estas palavras” (I Ts 4.18).
Você já perdeu alguém de sua família ou um amigo muito querido? É muito triste, não é?
Até Jesus chorou diante da morte de seu amigo Lázaro. Mesmo sabendo que o ressuscitaria, comoveu-se profundamente ao ver Maria e Marta, irmãs de Lázaro, chorando (Jo 11.33-35).
Portanto, não precisamos esconder nossa tristeza nem fingir que a morte não nos causa dor. Podemos chorar, sentir saudade e lamentar a ausência de quem amamos.
Mas não nos entristeçamos como quem não tem esperança. Não nos revoltemos contra Deus nem permitamos que a dor nos faça esquecer de suas promessas..
Que o conforto do Senhor e a esperança da ressurreição estejam com você no Dia de Finados e sempre!
Pr. Éber Lenz César