A caminho de Jerusalém, Jesus e o grupo que o acompanhava (os Doze e algumas mulheres) chegaram a Jericó, a uns 24 km de Jerusalém. A velha cidade era a principal porta de entrada em Canaã. Em 2010, participando de uma caravana às Terras Bíblicas, tive o privilégio de ministrar a Palavra aos companheiros de jornada, nesta cidade, em frente à chamada Fonte de Eliseu, à sombra de frondosas tamarineiras. Foi emocionante (Foto).
Mesmo sabendo o que o esperava em Jerusalém, Jesus abençoou a muitos, ensinando e curando. Tão logo chegou velha cidade, uma multidão saiu às ruas para acompanhá-lo. Um cego que mendigava à beira do caminho percebeu o alvoroço e perguntou o que estava acontecendo. Quando lhe disseram que era Jesus de Nazaré, ele começou a gritar: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Não deu outra. Jesus, sempre compassivo, parou, deu-lhe atenção e o curou (Lc 18.36-39).
Mais à frente, mesmo cercado por tanta gente, Jesus reparou num homem encarapitado numa árvore, à beira do caminho. Era Zaqueu, “um homem rico, chefe dos cobradores de impostos”. Por ser de baixa estatura, ele precisou subir na árvore para ver Jesus. Não precisou gritar. Jesus percebeu logo que o baixinho era solitário e carente de salvação. Disse-lhe: “Zaqueu, desce logo daí. Eu vou me hospedar em sua casa. Precisamos conversar!” Não faltou quem o criticasse por hospedar-se com um “pecador”. Eugene Peterson, traduziu o comentário do povo assim: “Como ele pode se sentir tão à vontade com esse bandido?”
Como? Com amor, compaixão e senso de missão. Valeu! A certa altura daquela conversa (Só podemos imaginar!), o “bandido” evidenciou notável conversão. E Jesus respondeu: “Hoje chegou a salvação a esta casa. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar os perdidos” (Lc 19.1-10). Tanto os pobres e andrajosos como Bartimeu; como os ricos e bem vestidos, como Zaqueu!
Na sequência, Lucas acrescenta: “Como ele [Jesus] se aproximava de Jerusalém, contou-lhes uma Parábola, pois o povo achava que o Reino de Deus começaria de imediato […]” (Lc 19.11ss). Na medida em que Jesus era reconhecido como “Filho de Davi” e se aproximava de Jerusalém, crescia a expectativa de que entraria na capital com poderes e disposições para formar um exército, libertar Israel do jugo do império romano e restabelecer o Reino Davídico. Com esta parábola, Jesus lembrou-lhes que não seria assim. Ele já havia explicado que o Reino de Deus, o seu Reino, já estava presente nos corações dos que a ele se submetiam; era espiritual e invisível, ainda que com resultados visíveis e palpáveis. Mas teria uma consumação visível e totalmente abrangente, no final dos tempos…
Além disso, o “nobre” referido na parábola, o próprio Jesus, seria rejeitado, justamente por frustrar aquela expectativa de um reino visível, imediato e nacionalista. O “nobre” iria “para um país distante para ser coroado rei e depois voltar”. Porém, antes de partir (referência à ascensão de Jesus), ele daria “dez moedas de prata” (ou “dez minas”, algo muito precioso) a cada um dos seus servos, dizendo-lhes: “Façam esse dinheiro render até a minha volta”. Muitos não o fizeram…
Isso que Jesus deixou com os seus servos para que o administrassem representa o evangelho e suas bênçãos, dona e talentos. O que estamos fazendo com o que o Senhor nos confiou? Como dito na parábola, ele vai voltar e pedir contas! Então, haverá recompensas e punições…
Como eu gostaria de ter ouvido as conversas de Jesus com Zaqueu, com a Samaritana, com Nicodemos e tantos outros… Teria aprendido tanto sobre como administrar as minas que ele me confiou!
Que o Senhor encha o meu e o seu coração com o mesmo amor, a mesma compaixão, o mesmo senso de missão!
Éber Lenz Cesar ([email protected])
Veja os outros textos desta série:
#FéQueEdifica
#EvangelhoHoje
Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
0
Sua avaliação é muito importante!