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Educar filhos: Missão que vale a pena

Educar filhos é mais que uma tarefa. É missão. Das mais desafiadoras, difíceis e, ao mesmo tempo, prazerosas. Falo por experiência própria. Eu e minha esposa, Márcia, criamos três filhos. Hoje eles estão casados e criando seus próprios filhos. Somos avós de cinco netas e um neto recém-nascido. Netos, aliás, são uma alegria que se renova… mas sem a responsabilidade de pais! A única tristeza é a distância: quase todos vivem no Canadá. A saudade aperta.

Muito já se escreveu sobre a educação de filhos. Aqui, compartilho um pouco da nossa experiência, somada a princípios bíblicos e a conselhos valiosos de outros autores.

Tanto eu como Márcia fomos criados em lares cristãos. Em casa, quase diariamente, nossos pais nos reuniam para leitura bíblica e oração, o chamado “culto doméstico”. Aos domingos, eles nos levavam à igreja para a Escola Bíblica Dominical e para o culto. Lembro-me de dormir no colo de minha mãe, enquanto meu pai, pastor, pregava. As conversas e correções em casa, sempre tinham algo de Bíblia.

Falando de correções, naquele tempo, ainda se corrigiam os filhos com umas palmadinhas. Lembro-me de levar umas, chorar… e depois ouvir de minha mãe um sermãozinho bíblico explicando o porquê da disciplina. Algo como: “Quem não corrige os filhos mostra que não os ama; quem ama os filhos se preocupa em discipliná-los” (Pv 13.24). O fato é que o amor, o ensino e as correções dos meus pais – incluindo eventuais palmadas – só me fizeram bem. E aos meus irmãos também. Missão cumprida, acredito que meus pais, se não disseram, pensaram: “Foi difícil, mas valeu a pena!”  O resultado só não foi melhor porque… Bem, filhos às vezes são teimosos. E essa nossa pecaminosidade nata… 

A educação de Timóteo

Imagino que algo semelhante aconteceu com Timóteo, o companheiro de viagens missionárias do apóstolo Paulo e, mais tarde, pastor da Igreja em Éfeso. Paulo escreveu a ele: “Lembro-me de sua fé sincera, como era a de sua avó, Loide, e de sua mãe, Eunice. E sei que em você  essa mesma fé continua firme […].” E mais: “Desde a infância lhe foram ensinadas as Sagradas Escrituras […]” (II Tm 1.5; 3.14-15). 

Tudo indica que o pai de Timóteo, um grego, não compartilhava da mesma fé ou morreu cedo (At 16.1). Ainda assim, Loide e Eunice assumiram a responsabilidade da educação do menino. Juntas, sem se desentenderem a respeito, elas não apenas lhe ensinaram as Escrituras, mas também a exemplificaram no seu viver diário. Paulo observou que a fé de Timóteo era sincera  “como era a de sua avó, Loide, e de sua mãe, Eunice”.  Atém disso, podemos supor que, no tempo certo, as duas mandaram o menino  para a escola, que funcionava na Sinagoga. 

Pode ter sido trabalhoso e sacrificial, mas valeu a pena. Paulo conheceu o jovem Timóteo em Listra e ali ele soube que os irmãos nesta e noutra cidade próxima admiravam este rapaz e falavam muito bem dele (At 16.2). 

Pais religiosos criam filhos religiosos

O site The Gospel Coalition  (TGC) publicou um artigo de Trevin Wax, intitulado: Pais, aqui está a melhor maneira de transmitir sua fé”. A ideia central é simples e profunda: 

Pais religiosos criam filhos religiosos. Por ‘pais religiosos’, não quero dizer adultos que se dizem religiosos […]. Estou me referindo a pais que são religiosos na crença e na prática – pais e mães cujas vidas refletem a importância da religião em suas vidas.

“A coisa mais importante que pais podem fazer é falar sobre a fé em casa. A frequência aos cultos religiosos é importante, mas em termos de influência, conversar sobre a fé regularmente em casa, durante a semana, é de importância fundamental.”

Wax lembra o texto clássico de Dt 6.4-9, o Shemá Israel, recitado pelos judeus ainda hoje. Nele, Deus orienta os pais a falarem de sua Palavra em todo tempo: ao sentar, ao andar, ao deitar e ao levantar. A fé bíblica é transmitida no caminho, em casa, à mesa, de todas as maneiras possíveis. 

Amor, limites e disciplina

A educação cristã dos filhos não se resume à espiritualidade. Amor, afeto e carinho são tão necessários quanto limites claros e disciplina firme. O psicólogo e educador cristão James Dobson escreveu um livro intitulado Ouse Disciplinar. Corrigir, disciplinar, impor limites não é fácil. Requer amor, coragem, firmeza, ousadia.

Hoje, um dos maiores desafios dos pais é lidar com o uso excessivo de celulares e mídias sociais. A tecnologia pode ser uma grande aliada na educação, mas, sem limites, tem causado solidão, ansiedade e outros problemas emocionais — não apenas em crianças, mas também em adultos.

Ao pesquisar sobre o tema, encontrei no site Rosa Azul um artigo muito pertinente sobre Como educar crianças nos dias atuais. Destaco alguns conselhos:

    • Cultivar uma relação de confiança, carinho e presença real.

    • Amar não é ser permissivo: regras claras e consistentes são fundamentais.

    • Envolver os filhos em responsabilidades domésticas adequadas à idade.

    • Ser exemplo de equilíbrio emocional.

    • Orientar o uso consciente e educativo da tecnologia.

Conclusão

Educar filhos exige tempo, dedicação, renúncia e fé. Não há fórmula mágica, mas há princípios sólidos. E a Palavra de Deus continua atual e confiável. Como disse o sábio Salomão: “Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelhecerem, não se desviarão dele” (Pv 22.6). 

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