O Dia do Trabalho (1 de Maio) é boa ocasião para repensarmos alguns princípios bíblicos relacionados com trabalho e descanso. O assunto tem a ver com a chamada Doutrina da Mordomia. O princípio básico da mordomia cristã é que Deus é Dono ou Senhor de tudo e nós somos apenas seus mordomos ou servos (Dt 10.14). Assim, vamos falar da mordomia do trabalho e do descanso.
A Bíblia nos diz que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo (Gn 2.2; Êx 20.11). Não preciso contrapor Bíblia e ciência. Aqueles “dias” podem ter sido longos períodos de tempo. O importante na história da #Criação, no Gênesis, é que Deus criou o universo e que houve um período maior de trabalho e um período menor de descanso. Deus nem precisava descansar (Is 40.28), mas assim o fez para estabelecer uma pauta para as atividades humanas. Trabalho e descanso se intercalam e ambos são extremamente importantes em nossa vida.
Podemos imaginar o quanto Jesus trabalhou, primeiro na carpintaria de seu pai adotivo, em #Nazaré; depois, viajando, pregando, ensinando e curando. Por vezes, tinha que dar um jeito de sair do meio das multidões com seus discípulos e encontrar um canto para descansar (Mc 6.31).
A importância do trabalho
O salmista escreveu: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos” (Sl 19.1). O trabalho perfeito e lindo de Deus revela seu caráter, seu poder, sua glória.
Deus pôs o homem no Éden “para cultivá-lo e tomar conta dele” (Gn 2.15). Deu-lhe poder para “governar” e “dominar” sobre as demais criaturas (Gn 1.28; Sl 8.6). O homem faria isso como seu servo, seu mordomo. Deveria governar e dominar a natureza com responsabilidade e sabedoria, e, então, prestar contas ao Criador. Desse modo, serviria a Deus, proveria o próprio sustento e seria feliz (Sl 128.2).
O pecado complicou tudo
Egoísta e irresponsável quanto a isto, o homem tem devastado e poluído a natureza a níveis extremos, quase irreparáveis. De um modo geral, as pessoas não têm mais consciência de sua mordomia. Por um lado, não reconhecem o privilégio de estar a serviço do #Criador, cooperando com ele, sob sua orientação e com sua bênção (Sl 127.2; I Co 3.9); por outro lado, não têm responsabilidade, não estão nem aí para a prestação de contas (Mt 25.19-30).
Alguns trabalham demais; outros trabalham de menos; não equilibram trabalho e descanso. Em nossa sociedade, predominam o egoísmo, o estresse, a exploração, a corrupção, a má distribuição da renda… Para alguns, o trabalho é quase uma maldição; para outros, a maldição é a falta de trabalho. Essa é justamente a situação atual no Brasil e em muitos outros países. Tempos difíceis!
Trabalho para a glória de Deus
Nos tempos bíblicos, eram poucas as ocupações. Hoje, há milhares. Os jovens têm dificuldade para escolher um curso, um trabalho, uma profissão. É preciso levar em conta, antes de tudo, a vocação, a direção de Deus. As habilidades natas, os gostos pessoais, os testes vocacionais, as circunstâncias e as oportunidades são alguns dos instrumentos que Deus usa para revelar sua vontade ou plano para a vida de cada um. Sim, ele tem um plano e um propósito para a vida de cada pessoa. O rei Davi escreveu esta oração:
“Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis […]. Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” (Sl 139.14-16).
Mais uma coisa para lembrar: biblicamente falando, não há “trabalho secular” e “trabalho sagrado”, sendo este “de Deus” e aquele não. Todo trabalho é ou deve ser sagrado, ou seja, delegado por Deus, feito com sua bênção e para sua honra e glória. Como escreveu o apostolo Paulo:
“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.” (Cl 3.17). “Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, […]” (Cl 3.23).
E mais: “[…]quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Co 10.31).
Claro, nesse mundo corrompido em que vivemos, há certas atividades humanas que não se enquadram nestes conceitos bíblicos e cristãos…
O importante não é o #trabalho propriamente, mas a #motivação e o propósito do trabalho, e também a maneira como é feito. O cristão glorifica a Deus com seu trabalho quando o faz bem-feito, honestamente, orando e pedindo a Deus que o ajude não somente a ser bem-sucedido, mas também a ser “sal da terra” e “luz do mundo”. Obviamente ele trabalha para suprir suas necessidades e as de sua família, mas também para servir ao próximo.
Bem disse um médico cristão quando alguém lhe perguntou sobre sua profissão:
“Eu sou servo de Deus; nas horas vagas exerço a medicina”.
Deus nos dirija e abençoe em todo o nosso trabalho!
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