Série: Fundamentos para um casamento feliz e duradouro
Introdução.
O amor é um tema muito popular hoje em dia. Nas conversas, no cinema, nas igrejas, as pessoas falam de amor… Dizem: “Eu te amo!”, “Eu amo a minha família!”, “Eu amo o meu carro!”, “Eu amo esta pizza!”, “Amei este filme!” Os jornais às vezes falam de “crimes passionais ou por amor”. Pode?
É óbvio que a palavra amor significa coisas diferentes. Porém, o amor verdadeiro é um conceito bíblico fundamental e é também o ingrediente mais importante para um casamento bem sucedido. Nesta mensagem, vamos procurar entender o que o termo significa na Bíblia. Na mensagem anterior, falamos de maturidade no casamento. O amor verdadeiro é a mais bela expressão dessa maturidade. E como esta, precisa crescer. É um processo, não um estado.
Dissemos que o indivíduo imaturo, como os bebês, só pensa em si mesmo, é egoísta e só quer receber. Na medida em que amadurece, começa a pensar no outro, aprende a dar sem esperar nada em troca.
Três níveis de amor.
Os gregos antigos tinham três palavras para descrever os níveis diferentes de amor. Em português, usamos a palavra amor sem estas distinções. Mas elas são importantes.
Eros. Essa palavra aparece com frequência na literatura grega secular, mas não na Bíblia. Eros é o amor totalmente humano, carnal, voltado para o sexo. Daí a nossa palavra erótico. Esse tipo de amor pode até incluir algum sentimento verdadeiro, mas é, basicamente, atração física, desejo sexual e expectativa de satisfação pessoal. Sua melhor declaração é “Eu amo você porque você me faz feliz!” Ou “Eu me sinto fortemente atraído por sua amabilidade (você me amará), por seu temperamento alegre (você me diverte), por sua beleza e sensualidade (você me dará prazer), por seu talento (eu me orgulho de você)!” Porém, quando uma ou mais dessas características desaparecem, o amor esfria… Esse tipo de amor só quer receber. O pouco que ele dá, é com o intuito de receber algo em troca.
Infelizmente, muitos jovens escolhem o namorado ou a namorada, que poderá ser o companheiro ou companheira para toda a vida, com base apenas no eros. As relações físicas são antecipadas; a intensidade do eros prejudica o amor genuíno. Os namorados, mesmo não sabendo quase nada um do outro, pensam que esse tipo de amor os manterá juntos. Mas isto geralmente não acontece.
Antes do pleno envolvimento físico, os pretendentes precisam se conhecer nas áreas mais importantes da alma e do espírito. Para tanto, têm que namorar e noivar, por algum tempo, antes de se entregarem um ao outro, definitivamente, no casamento. O relacionamento sexual após o casamento será a coroação de um relacionamento consolidado, comprometido e crescente.
Se você cometeu o erro de se casar (formal ou informalmente) na base do eros, apenas, aqui está uma boa notícia para você: o amor pode crescer. Não crescerá automaticamente, mas na medida em que você o cultivar. Portanto, a única esperança para o seu casamento é ascensão aos níveis mais altos do amor.
Philia. Tem a ver com a alma, mais do que com o corpo. Lida com a personalidade humana – o intelecto, as emoções e a vontade. Envolve compartilhamento mútuo. Em português, a palavra mais próxima é amizade. A forma nominal é usada apenas uma vez no Novo Testamento (Tg 4.4), mas o verbo “amar”, no sentido de “gostar”, e o adjetivo “amável” são usados muitas vezes. Neste nível, o amor é menos egoísta, mas ainda contempla o prazer, a realização e os interesses pessoais. Não deveria, mas…
Muitos casamentos comparativamente felizes são construídos nesse nível. É muito bom quando marido e mulher são amigos. Alguns maridos e esposas dizem que se amam, mas, no dia a dia, nem amigos eles são.
Se você é jovem e está pensando em se casar, você deve tomar tempo para verificar se gosta realmente da pessoa com quem você pretende se unir para o resto da vida. Seguramente, essa pessoa tem defeitos, características e hábitos que poderão irritá-lo ou mesmo exaspera-lo no dia a dia da vida conjugal. Mas você vê mais virtudes do que defeitos e gosta dessa pessoa o bastante para perdoá-la, ajudá-la e fazê-la feliz? Philia honestamente encara os defeitos e decide se eles podem ser superados pelas virtudes.
Philia é meio caminho do amor verdadeiro. Um casal pode viver razoavelmente bem com esse tipo de amor, enquanto cada um fizer a sua parte e as circunstâncias forem favoráveis. Porém, se um deles deixa de fazer sua parte, ou se ocorrem circunstâncias adversas (crise financeira, enfermidade grave, tensões com parentes, problemas sexuais, problemas com os filhos etc.), a amizade sofre. Philia não agüenta muita pressão. A única esperança para um casamento estável, bem-sucedido e feliz é o crescimento para o nível mais alto do amor.
Agape. Esse tipo de amor não é alimentado pelo mérito ou valor da pessoa amada, mas por Deus. Agape ama até mesmo quando a pessoa amada não é amável, não corresponde. Esse amor não é egoísta, não busca a própria felicidade, mas a do outro. Há quem diga: “Mas isto não é possível, não é humano!” Tem razão. Ninguém pode amar desse jeito… a menos que Deus lhe dê esse tipo de amor.
Agape é #AmorDeDeus. Jesus e os apóstolos usaram esse substantivo (e o verbo correspondente) quando se referiram ao amor de Deus. Veja estas passagens: Jo 3.13; Rm 5.8; I Jo 4.8-10. O Novo Testamento nos ensina também que quando nós nos arrependemos dos nossos pecados e cremos em Cristo, recebendo-o como nosso Salvador e Senhor, Deus derrama seu amor em nosso coração (Rm 5.5). A partir daí, espera-se que o amor de Deus se manifeste através de nós, nos nossos relacionamentos, principalmente com o cônjuge. Veja Ef 5.25 e Tt 2.3-4.
Em I Jo 4, há várias referências ao amor de Deus por nós e recomendações para nos amarmos também uns aos outros. Nesse contexto, o apóstolo explica porque ou como isto é possível: “Nós amamos porque Deus nos amou primeiro” ( I Jo 4.19). O amor de Deus por nós ensina-nos a amar ou gera amor em nosso coração. Deus nos ama como somos, a despeito da nossa pecaminosidade. Refletindo sobre isto, observando e agradecendo as manifestações diárias do seu amor, aprenderemos a amar de verdade. Além disso, o Espírito Santo faz alguma coisa sobrenatural em nosso coração… “O fruto do Espírito é amor […]” (Gl 5.22).
O cônjuge que ama assim não tenta mudar o outro, não cobra dele o amor desejado. Simplesmente ama, sem cobrar nada em troca. Entretanto, assim como “nós amamos porque Deus nos amou primeiro”, o cônjuge amado, mais cedo ou mais tarde, responderá com amor. O princípio é simples: amor gera amor! Ver Lc 6.38; Gl 6.7.
Conclusão.
Como está seu relacionamento conjugal? Que tipo de amor levou você a se casar ou viver com esta pessoa com quem você está vivendo, eros, philia ou agape? Se começou com eros, você diria que a atração inicial tem crescido para os níveis superiores do philia e, por fim, do agape?
Não se esqueça: Quando damos amor, recebemos amor. Precisamos abrir nossos corações para o amor de Deus (agape) e permitir que ele expresse esse seu amor através de nós para o nosso cônjuge no casamento. Ele usará isto para transformar nosso casamento em um belo relacionamento, tal como ele planejou.
#ReflexõesCristãs
#AmorDeDeus
Éber Lenz César
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