Avivamentos no transcorrer da história bíblica.
Em mensagens anteriores, comentamos que, na história de Israel, os períodos de crise e de avivamento se sucederam. Em outras palavras, sempre houve altos e baixos. A descontinuidade dos avivamentos sempre esteve relacionada à falta de liderança espiritual e ao pecado coletivo ou individual. O avivamento que começou com a renovação da aliança em Siquém, sob a liderança de Josué, esfriou e acabou quando Josué e outros líderes, seus contemporâneos morreram (Js 24.31). Se, por um lado, isto confirma a importância da liderança espiritual, por outro lado, revela uma falha na liderança de Josué e dos seus auxiliares. Eles não preparam seus sucessores!
No período seguinte, o tempo dos Juízes, houve uma sucessão de altos e baixos, o chamado ciclo dos juízes: pecado, sofrimento, arrependimento, clamor, libertação, avivamento… E outra vez, e outra vez…
O nascimento de Samuel
Samuel foi o último dos juízes e também um grande profeta. O relato de seu nascimento (I Sm 1) revela que, embora a religião de Israel estivesse no seu nível mais baixo, havia indivíduos e lares tementes a Deus e santificados. Elcana, pai de Samuel, “todos os anos, subia de sua cidade até Siló para adorar o Senhor dos Exércitos e oferecer sacrifícios a ele” (Sm 1.3). Ana, a mãe de Samuel, fez uma das orações mais fervorosas mencionadas na Bíblia. Ela derramou sua alma e suas lágrimas perante o Senhor, pedindo um filho. E prometeu que, se o Senhor lho desse, ela o consagraria ao Senhor, e o entregaria para o serviço da casa do Senhor. Deus ouviu sua oração e lhe deu um filho. Ana o chamou de Samuel, nome que significa “Eu o pedi ao Senhor” (I Sm 1.20). Quando o menino desmamou, Ana o levou para a “casa do Senhor”, em Siló, e o deixou lá, aos cuidados do sacerdote Eli. Samuel cresceu na “casa do Senhor”, na companhia do profeta. Deus o usou para livrar Israel da mão dos filisteus e liderar o maior avivamento daqueles anos (I Sm 7).
Samuel e o avivamento de Mispa
Transcorria mais um daqueles períodos de crise em Israel. Os filisteus, nação vizinha, invadiam e pilhavam suas lavouras e seu gado. Depois de muito sofrimento, o povo buscou o Senhor com súplicas. Foi quando
“Samuel disse a todo o povo de Israel: Se, de fato, vocês desejam de todo o coração voltar ao Senhor, livrem-se de seus deuses estrangeiros e de suas imagens de Astarote. Voltem o coração para o Senhor e obedeçam somente a ele; então ele os livrará das mãos dos filisteus” (I Sm 7.3)
Israel fez exatamente isso. E Samuel lhes disse:
“Reúnam todo o Israel em Mispá, e eu orarei ao Senhor por vocês. Eles se reuniram em Mispá e tiraram água do poço e a derramaram diante do Senhor. Também jejuaram o dia todo e confessaram que haviam pecado contra o Senhor” (I Sm7.5-6).
Derramaram água para demonstrar, simbolicamente, que seus corações estavam derramados, humilhados e arrependidos (ver Sl 22.14; 62.8). Depois disso, Samuel “suplicou ao Senhor em favor de Israel, e o Senhor o atendeu” (I Sm 7.9). Com a bênção de Deus, Israel derrotou os filisteus. Celebrando aquela vitória, “Samuel pegou uma pedra grande e a colocou entre as cidades de Mispá e Jesana. Deu à pedra o nome de Ebenézer, pois disse: “Até aqui o Senhor nos ajudou!” (I Sm 7.12).
A descontinuidade do avivamento
A expressão “Até aqui” limita o tempo. Refere o avivamento mais recente, e deixa dúvidas sobre o que viria a seguir. “O Senhor nos ajudou nessa, mas e na próxima?” Sem dúvida continuará ajudando, se os líderes forem tementes a Deus e conduzirem seu povo nos caminhos da santidade e da obediência.
Porém, não foi o que aconteceu. À semelhança de Josué e seus auxiliares, e dos chefes de família, seus contemporâneos, Samuel também falhou em preparar seus sucessores; pior, os próprios filhos. O avivamento que começou em Mispá, sob sua liderança, não continuou depois de sua morte. E por que? Porque “Quando Samuel ficou idoso, nomeou seus filhos para serem juízes sobre Israel […]. Mas [eles] não eram como seu pai. Eram gananciosos, aceitavam subornos e pervertiam a justiça” (I Sm 8.1-3).
Parece que Samuel foi um bom juiz e um grande avivalista, mas um péssimo pai. Que coisa triste quando os filhos de um líder e instrumento de Deus num avivamento acabam com um avivamento! (Ver I Sm 2.12, 22-24; 3.13).
Toda essa história lembra-nos que nós, pais e líderes desta geração, precisamos zelar por nossa vida espiritual, dar exemplo de vida santa e ensinar o temor do Senhor à próxima geração; precisamos contar aos nossos filhos e discípulos as obras do Senhor em nossa vida e na história da igreja. O sábio deu este conselho: “Ensine seus filhos no caminho certo, e, mesmo quando envelheceram, não se desviarão dele”, pelo menos não por culpa dos pais! (Pv 22.6).
Agradeço sempre a Deus por ter nascido num lar cristão, onde meus pais realizavam regularmente o chamado “culto doméstico”. Alem das histórias bíblicas, eles liam ou nos contavam histórias de missionários. Essa formação cristã tem orientado a minha vida e guardado meus passos mesmo agora, quando já envelheci (83 anos)! Louvado seja Deus!
Éber Lenz César
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