Avivamentos nos transcorrer da história bíblica.
O avivamento liderado por Josué e seus auxiliares, em Siquém, durou enquanto viveram Josué e seus auxiliares, ou mesmo aquela geração. “O povo de Israel serviu ao Senhor durante toda a vida de Josué e das autoridades que morreram depois dele e que sabiam pessoalmente tudo que o Senhor tinha feito por Israel” (Js 24.31).
O livro de Juízes, que segue o de Josué, na Bíblia, repete estas mesmas palavras, mas acrescenta uma nota triste, algo que caracterizou o chamado período dos juízes:.
“O povo serviu ao Senhor durante toda a vida de Josué, e também dos líderes que sobreviveram depois dele e que tinham visto as grandes coisas que o Senhor havia feito por Israel”
“Depois que aquela geração morreu e se reuniu a seus antepassados, surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor nem tinha visto as grandes coisas que ele havia feito por Israel. Os israelitas fizeram o que era mau aos olhos do Senhor e serviram às imagens de Baal. Abandonaram o Senhor, o Deus de seus antepassados, que os havia tirado do Egito. Seguiram e adoraram os deuses dos povos ao redor e, com isso, provocaram a ira do Senhor” (Jz 2.10-12). .
Lá se foi o avivamento de Josué! E por que? Porque Josué e seus auxiliares não preparam líderes que os sucedessem depois de sua morte. E os pais não ensinaram seus filhos… Esta falha tem acontecido repetidas vezes através da história e em nossos dias. Menciono duas excessões exemplares, mais recentes: Dwight Moody (1817-1899) e Billy Graham (1918). Moody deixou-nos um legado extraordinário em livros e sobretudo o Instituto Moody, em Chicago. Billy Graham, falecido em 2018, com mais de 90 anos, foi sucedido por seu filho Franklin Graham, que como o pai, tem pregado em várias partes do mundo. O pai fundou a Associação Evangelística Billy Graham; o filho, que preside a mesma, fundou a Samaritan’s Purse, uma ONG de socorro aos necessitados em verias partes do mundo.
O que dos nossos filhos e netos, quando não estivermos mais aqui? O que será da nossa igreja quando a presente liderança partir? Estamos preparando nossos descendentes e sucessores?
O ciclo dos juízes.
Depois da conquista de Canaã e do assentamento das tribos de Israel na Terra Prometida, depois da morte de Josué e sua geração, seguiu-se, na história bíblica, o tempo dos Juízes. Ao contrário do que Deus havia ordenado, Israel não exterminou todas as nações pagãs que viviam em Canaã antes de sua chegada. Os que permaneceram nos territórios ocupados por Israel ou à volta, tornaram-se instrumentos de Deus para disciplinar Israel sempre que, por falta de avivamento, eles faziam o que era mal perante o Senhor. Seu mais grave pecado sempre foi a idolatria.
Em todas as ocasiões em que eles abandonaram o Senhor e prestaram culto a outros deuses, “a ira do Senhor se acendeu contra Israel e ele os entregou […] aos inimigos ao seus redor, aos quais já não conseguiam resistir […]. Ao contrário dos seus antepassados, logo se desviaram do caminho pelo qual os seus antepassados tinham andado, o caminho da obediência aos mandamentos do Senhor […]” (Jz 2.14-17, Versão Revista e Atualizada). Por isso, faltou-lhes a proteção e a bênção do Senhor!
O povo, então, lembrava-se do Senhor e clamava por libertação. Deus graciosamente ouvia o seu clamor e lhes dava um líder, um libertador ou juiz (Jz 2.16,18). Seguia-se um período melhor, um avivamento do culto e da obediência. “Mas, quando o juiz morria, o povo voltava a caminhos ainda piores do que os caminhos dos seus antepassados, seguindo outros deuses. Recusavam-se a abandonar suas práticas e seu caminho obstinado” (Jz 2.19, Revista e Atualizada).
Este ciclo – pecado, falta da bênção de Deus, arrependimento, clamor, nova liderança, libertação, tempo melhor, até à morte do líder – repetiu-se várias vezes e caracterizou esse período da história de Israel, o tempo dos Juízes (ver 3.7-11; 4.1-4; 10.6ss, etc.). Durou cerca de trezentos anos (11.26). Lembra-nos, uma vez mais:
A vida de muitos cristãos e a história de muitas igrejas parecem repetir a experiência de Israel, na época de Josué e no tempo dos Juízes. Uma pregação poderosa, um apelo veemente seguido de decisão, novos propósitos, consagração, avivamento. Passado algum tempo, os mesmos avivados ou seus filhos, voltam ao que era antes… Pior quando repete-se aquele ciclo: pecado, provação, arrependimento, clamor, liderança piedosa e firme, avivamento, pecado… Que momento estaríamos vivendo em nossas igrejas presentemente, e por que? Clamemos por uma liderança cristã e firme que Deus possa usar para reconduzir nossas igrejas e nosso país. Que comece em nós, em cada um de nós.
O Salmo 139 termina com esta oração do salmista, oração que tem dado início a muitos avivamentos pessoais e comunitários: “Examina-me, ó Deus, e conhece meu coração; prova-me e vê meus pensamentos. Mostra-me se há em mim algo que te ofende e conduze-me pelo caminho eterno” (vs. 23-24). Seja esta a nossa oração.
Eber Lenz César
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