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AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ. I. “Pai, perdoa-lhe, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34).

Ao que parece, essa primeira palavra de Cristo na Cruz, foi dita justamente quando os pregos lhe atravessavam os pés e as mãos. Não foi uma expressão ou grito de angústia; não foi uma oração por si mesmo; não foi uma oração por seus amigos. Não! Ele orou por seus inimigos!

1. “PaiI […]”

A primeira e a última das sete frases pronunciadas por Cristo na cruz começam com essa palavra “Pai”. O sofrimento de Jesus no Getsêmani, no Sinédrio, perante Pilatos, a caminho do Calvário e, sobretudo, agora, ao ser pregado na cruz, foi algo indescritível. Ele tinha orado no Getsêmani: “Meu Pai: Se possível, passe de mim este cálice […]” (Mt 26.39). O Pai não removeu o “cálice” amargo da cruz. Jesus o bebeu até a última gota, sem se revoltar, sem ficar amargurado, sem perder a confiança. Mesmo no mais profundo sofrimento, confiou em Deus, e o teve na conta de Pai.

Uma viúva chorava à cabeceira do filho único, gravemente enfermo. Quando pareceu que o jovem ia partir, a mãe, desesperada, desabafou: “Se ele morrer, nunca mais confiarei em Deus.” Que Deus nos dê a todos a graça de crer, de confiar no Pai Celestial mesmo quando bebendo o cálice amargo do sofrimento.

Davi confiava no Senhor, mesmo no “vale da sombra da morte”. Foi ele quem escreveu o salmo da confiança, o mais conhecido: “O Senhor é o meu Pastor: nada me faltará […]. Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.” (Sl 23.1,4).

2.  “ […] perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.”

Jesus viera ao mundo “para salvar os pecadores” e reconciliá-los com Deus, o Pai (I Tm 3.15; II Co 5.18). Sua morte na cruz teria esse propósito (Is 53.4-6,10-12; Rm 5.6-11). Assim, ao ser crucificado, intercedeu pelos pecadores, dizendo: “Pai, perdoa- lhes!“ E acrescentou: “{…] porque não sabem o que fazem”. O Salvador compassivamente entendeu que os que o perseguiram, os que o rejeitaram, os que o prenderam, julgaram e condenaram, e os que agora o crucificavam não sabiam o que estavam fazendo, não alcançavam o significado daquelas coisas. Parece que essa “alegação” de Cristo ficou fortemente gravada na consciência dos discípulos. Estêvão, pouco antes de expirar, orou por aqueles que o apedrejavam: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” Como quem diz: “Senhor, não leves em conta, eles também não sabem o que fazem, não entendem. Tenha misericórdia …”

Pedro, pregando no templo de Jerusalém, disse aos Israelitas: “Vós negastes o Santo e o Justo […]. Matastes o Autor da vida […]. [Mas] eu sei que o fizestes por ignorância, como também as vossas autoridades […]” (At 3.15-17). Paulo referiu-se ao tempo em que ele foi “blasfemo e perseguidor”, e acrescentou: “Mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade.” (I Tm 1.13).

3. A quem aplica-se esta primeira palavra de Cristo na cruz?

Essa primeira palavra de Cristo na cruz, uma intercessão, foi, primeiramente, a favor daqueles que o rejeitaram, condenaram e crucificaram. Aplica-se, porém, aos pecadores de todos os tempos. Os braços de Cristo abriram-se, na cruz, para todos estes, porque, como aqueles, “não sabem o que fazem”. Os pecadores nunca ou quase nunca sabem realmente o que fazem, não têm percepção espiritual. O coração de Jesus e a graça do Pai levam em conta esta ignorância. 

E se qualquer pecador consciente e contumaz disto quiser se aproveitar para o mal, devemos sugerir-lhe, em nome do amoroso Salvador e misericordioso Pai, que atente para estas palavras proferidas pelo apóstolo Paulo no areópago de Atenas: “Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos em toda parte se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos.” (At 17.30-3l).

Éber M. Lenz César

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