O que fé tem a ver com finanças e vice-versa? Pode-se dizer que fé é espiritual e sagrada, e o dinheiro é material e secular? Os cristãos não vivem essa dualidade. Por razão de sua fé, eles “colocam Deus em tudo”, entendem que Jesus Cristo é Senhor e se submetem à sua vontade e direção em todas as áreas de sua vida. (Ver Cl 3.17). Nesta breve reflexão, vamos considerar as implicações disto na área financeira.
Pre-ocupação, sim; ansiedade, não!
No seu Sermão do Monte, Jesus nos adverte: “Não se preocupem com a vida diária, se terão o suficiente para comer, beber ou vestir […]. Seu pai celestial já sabe o de que vocês precisam […]. Não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará sua própria inquietação. Basta para hoje os problemas deste dia” (Mt 6.25,32,33).
Nesta e noutras passagens, Jesus não condena a pre-ocupação, ou seja, não está dizendo que não devemos nos pensar ou nos ocuparmos previamente com as necessidades básicas ou até mesmo com outras coisas não tão necessárias, mas desejadas e uteis. É aí que entra a administração financeira responsável. Precisamos planejar, elaborar um orçamento simples, poupar para alguma emergência e para eventuais doações. Jesus ensinou também que havemos de prestar contas da nossa mordomia (Lc 16.2). Por falta de planejamento e economia, muitos passam necessidade ou ficam endividados e… excessivamente preocupados, ansiosos. Acontece também com gente rica que, tendo o suficiente ou mais que o suficiente, sempre querem mais e mais… (I Tm 6.8-10; I Tm 6.17-19).
O que significa viver pela fé?
O oposto também acontece. Já ouvi crentes bem intencionados dizerem, até com certo orgulho: “Eu não me preocupo com sustento. Eu vivo pela fé!” Outros, a caminho disso, compartilharam: “Eu trabalho e tenho salário, mas estou achando que Deus quer que eu deixe o trabalho e comece a viver pela fé!” Precisamos ter cuidado com esses “passos de fé”! Viver pela fé na área de finanças não significa parar de trabalhar, dispensar salário e esperar que o “maná” caia do céu (Ver II Ts 3.10-12). No que diz respeito ao sustento e às finanças, viver pela fé significa confiar que o Senhor nos capacitará com saúde e sabedoria e nos proverá um trabalho. Se alguém adoece ou por um acidente não pode trabalhar por um tempo ou permanentemente, o Senhor sensibiliza outros que em situação melhor e por amor, poderão socorrê-lo (II Co 8.1-4: II Co 8. 13-14).
Pastores, missionários e outros que, claramente dirigidos por Deus, se dedicam inteiramente ao ministério pastoral, evangelístico ou humanitário, muitas vezes, não têm um emprego com salário fixo ou um negócio rendoso. Estes “vivem pela fé”, a mesma fé que move o coração de outros cristãos e de igrejas que contribuem generosamente para sustento desses obreiros. Sim, obreiros empenhados também numa obra, num trabalho!
Antes dos trinta anos, Jesus trabalhou na carpintaria de José, seu pai adotivo; seus discípulos (os Doze) tinham profissão e emprego, até Jesus os chamar. Então, viajando pelas cidades e pregando as boas-novas, eles foram sustentados inteiramente ou parcialmente pelas mulheres que tinham sido curadas e salvas por Jesus. Muitas delas “contribuíam com seus próprios recursos para o sustento de Jesus e seus discípulos” (Lc 8.1-3). Por algum tempo, o apostolo Paulo, anteriormente um fabricante de tendas, foi sustentado por igrejas generosas e missionárias (Fp 4.10-19).
Os que querem de fato “viver pela fé” devem exercitar esta fé e a generosidade incluindo dízimos e ofertas em seu orçamento, como ensinado na Palavra de Deus (Oportunamente, leia Ml 3.10; Mc 12.41-44; Mt 23.23 e principalmente II Co 8; II Co 9).
Viva pela fé, mas trabalhe com alegria e gratidão a Deus! Administre bem suas finanças! Seja modesto, econômico, generoso! E não se pre-ocupe além do necessário, ou seja, não fique ansioso antecipando problemas e carências que talvez não acontecerão! Tipo: demissão do emprego, enfermidade, acidentes, inflação, etc. “Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus pedindo aquilo de que precisam e agradecendo-lhe por tudo que ele já fez. Então vocês experimentarão a paz de Deus […]” (Fp 4.6,7). Deus o abençoe!
Pr. Éber Lenz César
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