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Estudos no Sermão do Monte

O caráter do Cristão.

1. Os humildes de espírito

“Bem-aventurados os humildes de espírito, pois deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). Na versão de Lucas, lemos: “Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus” (Lc 6.20). Outras versões, como a NVT, dizem “felizes” em vez de “bem-aventurados”. 

Os “pobres” no VT eram pessoas desprovidas de recursos materiais. Porque não  tinham refúgio senão em Deus, o termo passou a significar também pobre de espírito. Este qualificativo é usado, às vezes, para descrever pessoas menos inteligentes, obtusas. Mas, evidentemente, este não é o sentido destas palavras de Jesus. Os  “pobres de espírito” são as pessoas que reconhecem seus pecados e seu demérito e contam com a graça ou misericórdia de Deus. Como o rei Davi que, mesmo sendo rico e poderoso, confessou: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim […]” (Sl 40.17). Obviamente, tanto os ricos como os pobres deste mundo podem ser pobres ou humildes de espírito… e bem-aventurados. Ver Is 57.15; Lc 18.

Esta bem-aventurança nos ensina que a pobreza material pode não ser uma infelicidade! Muitos dos discípulos de Jesus foram pobres. Alguns ficaram pobres justamente porque, “deixando tudo, o seguiram” (Lc 5.11,28). Jesus lhes disse: “Bem-aventurados sois!” Em outras palavras: “Não fiquem tristes porque vocês não têm muito dinheiro nem muitos bens, ou porque a casa de vocês é assim tão simples. Sabem, vocês são bem-aventurados, são felizes, Há uma compensação: espiritualmente vocês são ricos, muito ricos…”

A bênção prometida aos humildes de espírito .

“Bem-aventurados os humildes de espírito, pois deles é o reino dos céus” (Mt 5.3). O Reino dos céus ou Reino de Deus é o domínio de Deus sobre as pessoas e o mundo. Os que são verdadeiramente humildes ou pobres de espírito se voltam para Deus através de Jesus Cristo e se submetem à vontade de Deus e do  Senhor Jesus, tornam-se, assim, cidadãos do Reino. Essa é sua bênção, sua bem=aventurança ou felicidade. Até porque a vontade de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Nada melhor do que estar no centro da vontade de Deus e seguir nos passo de Jesus!

“Mas, ai de vós, os ricos!”

De acordo com Lucas, Jesus acrescentou uma advertência aos que não são pobres ou humildes de espírito, mas  orgulhosos,  auto suficientes, supostamente ricos: “Ai de vós, os ricos! Porque tendes a vossa consolação” (Lc 6.24). 

Isso também se aplica tanto aos ricos como aos pobres de bens materiais. Entretanto, é verdade que os ricos deste mundo tendem a confiar mais nas suas riquezas e status do em Deus. Por isso Jesus disse aos seus discípulos:  “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas”. Os discípulos estranharam essas palavras, e Jesus insistiu: “Quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus” (Mr 10.23-25. Ver I Tm 6.9-10, 17-19; Ap 3.17).

Os que pensam ser “ricos”, os que não reconhecem os próprios pecados, os que confiam mais nas suas riquezas do que em Deus, não são bem-aventurados no sentido em que Jesus usou o termo; não vivem no Reino de Deus. Sua consolação e recompensa é o que as riquezas lhes podem oferecer:   uma felicidade superficial, efêmera. Às vezes preocupação a mais e um vazio de alma! ”Ai de vós, os ricos, porque tendes a vossa consolação” (v.24). 

Neste contexto, vale lembrar o que o apóstolo Paulo escreveu ao jovem pastor Timóteo: “Exorta aos ricos do presente século que não seja orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir […]” (I Tm 4. 17-19). Se o fizerem, serão bem-aventurados!

Que o Senhor nos ajude a ser humildes de espírito, a reconhecer nossa pecaminosidade e carência da graça e da bênção de Deus.


Pr. Éber Lenz César

 

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