Passou tão depressa… Ou a terra está girando mais rápido e os relógios acompanhando (certamente não é isto!) ou nossa vida anda agitada demais (Isto, sim!). Por assim dizer, saltamos de um Natal para outro, de um réveillon para outro, de um ano para outro…
O fato é que, na virada do ano, temos mais nítida consciência do tempo. Pensamos no Ano Velho, que passou, bem ou mal, e no Ano Novo, que começa com tantas incógnitas e, dada a situação do país, com bastante pessimismo… Em termos mais pessoais, refletimos sobre o que fizemos ou não fizemos e firmamos novos propósitos, os chamados votos de ano novo. Outra vez! Sim, porque geralmente são os mesmos da virada anterior… E é sobre isto esta reflexão.
Ano Velho
Aqueles votos de Ano Novo que fizemos na virada de 2024 para 2025, o que aconteceu com eles? Ler mais, buscar melhor capacitação profissional, poupar dinheiro e saldar as dívidas, melhorar o relacionamento conjugal, dar mais tempo à família, reatar amizades, disciplinar o uso da televisão, da Internet, das mídias sociais, deixar um vício…
Se somos cristãos e damos valor às conquistas espirituais, acrescentamos: Ler e estudar a Bíblia com mais regularidade e profundidade, orar mais, frequentar uma boa igreja, crescer na fé, no amor e na capacidade de ajudar pessoas e evangelizar…
Se no ano findo frequentamos uma igreja, vale perguntar: O que fizemos com tantos estudos bíblicos e sermões ministrados pelos pregadores? As coisas melhoraram? O que mudou? Alcançamos vitórias? Acaso podemos dizer que, pela graça de Deus, somos melhores hoje do que éramos no começo de 2025? Somos mais compreensivos? Mais gentis? Mais perdoadores? Mais pacientes? Mais amigos? Mais presentes e participativos em nossa igreja? Mais santos?
O apóstolo Paulo escreveu aos Efésios: “E ele mesmo [Cristo] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4:11-15).
E aos Filipenses: “Que o amor de vocês aumente cada vez mais […]” (Fp 1.9).
Ao jovem pastor Timóteo, o mesmo apóstolo escreveu: “Seja diligente nessas coisas […] para que todos vejam o seu progresso” (I Tm 4.15).
As provações do ano findo
É verdade. No ano findo, enfrentamos muitas dificuldades, uns mais, outros menos. Faz parte da vida: circunstâncias adversas, perdas materiais, carência de recursos financeiros, enfermidade, morte de entes queridos… Tais circunstâncias causam muito sofrimento e tristeza, mas, convenhamos, não “estragam” um ano, não o tornam um ano ruim, necessariamente. Nossa avaliação deve ser interior, não circunstancial
O apóstolo Tiago até escreveu: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova de sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros” (Tg 1.2-4).
Concluo listando algumas prioridades para 2026.
• Cristo – “O amor de Cristo nos constrange […]. Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (II Co 5.14-15).
• Bíblia – “Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.1-2).
• Oração – “Vigiai e orai para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). “Orai sem cessar” (I Ts 5.17).
• Igreja, Adoração, Pregação, Relacionamentos –“Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações […]” (Hb 10.25).
• Missão – Deus está em missão neste mundo (Missio Dei) (I Co 3.9). Precisamos nos engajar nessa missão, como “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5.13-16; At 1.8)
Não podemos mudar o passado. O que fizemos, fizemos; o que não fizemos, não fizemos. Mas podemos orar e trabalhar por um Ano Novo melhor, tanto para nós mesmos quanto para nossos queridos, nossa igreja, nossa cidade, nosso país. 2026 poderá ser muito melhor se levarmos o Senhor a sério e o amarmos de todo o coração, e ao próximo como a nós mesmos (Lc 10.27), e priorizarmos o que acima foi listado, e mais…
Somos parte importante nos planos de Deus. A Palavra nos diz que “somos cooperadores de Deus” (I Co 3.9). Somos instrumentos de redenção no contexto em que vivemos, seja na família, na igreja, na escola e no trabalho… Um dos temas da Reforma foi o “sacerdócio de todos os crentes”, isto com base no que o apóstolo Pedro escreveu às igrejas: “Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe 2.9).
O que acontece em nossas casas, em nossa igreja, em nosso ambiente de trabalho e mesmo na cidade depende, em grande parte, do que somos e fazemos, com a bênção de Deus. Não adianta simplesmente criticar, lamentar ou sonhar. Precisamos de oração e ação. Como disse o filósofo Mário Sérgio Cortella: “Nada será melhor se você não for melhor!” Eu prefiro a variante: “Nada será melhor se cada um de nós não for melhor!”
Então, vamos em frente, com a bênção de Deus! Feliz Ano Novo!
Pr. Éber César ([email protected])
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