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A glória da igreja

O contexto

Primeiro, um pouco sobre o contexto em que viviam aqueles cristãos. Na época de Paulo, Corinto era a capital da Acaia, um centro comercial famoso por seu luxo, por sua diversidade cultural, por seus templos monumentais (como os de Apolo e Afrodite). A cidade tinha motivos humanos para se orgulhar, se envaidecer, se vangloriar.  

Nesse contexto, e para prevenir os cristãos coríntios desse tipo de orgulho, o apóstolo lhes escreveu:

“Lembrem-se, irmãos, de que poucos de vocês eram sábios aos olhos do mundo ou poderosos ou ricos quando foram chamados […]. Portanto, ninguém jamais se orgulhe na presença de Deus” (I Co 1.26-29). 

Entretanto, na sequência, Paulo fala de um outro tipo de “orgulho” ou, como lemos noutras versões, “gloria”, “regozijo”. Ele apresenta duas boas razões para nos orgulharmos (neste sentido) e algo no que não devemos nos orgulhar. 

Nós nos orgulhamos “no Senhor” 

”Foi por iniciativa de Deus que vocês estão em Cristo Jesus […] que nos declarou justos diante de Deus, nos santificou e nos libertou do pecado. Portanto, como dizem as Escrituras: Quem quiser orgulhar-se, orgulhe-se somente no Senhor” (I Co 1.30-31). 

“Como dizem as Escrituras”, ou seja, como Deus disse a Israel, em Jr 9.24: 

“Aquele que deseja se orgulhar, que se orgulhe somente disto: de me conhecer e entender que eu sou o Senhor […].”

Esse “orgulho santo” não tem nada a ver com vaidade, presunção, até porque o apóstolo começa lembrando aos Coríntios: “Foi por iniciativa de Deus que vocês estão em Cristo Jesus […]”. 

Iniciativa de Deus, não nossa! Jesus disse:  “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer a mim” (Jo 6.44). E Paulo lembrou aos Efésios: “Vocês são salvos pela graça, por meio da fé. Isso não vem de vocês; é uma dádiva de Deus. Não é uma recompensa pela prática de boas obras, para que ninguém venha a se orgulhar [se envaidecer, gabar-se]” (Ef.2.8-9).   

Essa é a maior gloria da igreja e dos cristãos individualmente: Fomos salvos pela graça de Deus. Ele nos fez ouvir a mensagem do evangelho, e por meio de Jesus Cristo, nos salvou e transformou. “Portanto, quem quiser orgulhar-se, orgulhe-se somente no Senhor.” 

Nós nos orgulhamos no Espírito Santo.  

Nos capítulos 2 e 3 desta sua carta aos Coríntios, Paulo contrasta a sabedoria humana – tão valorizada pelos gregos – com a sabedoria de Deus, que nos é ensinada pelo seu Espírito. Com humildade, ele escreve aos Coríntios que, quando esteve entre eles, pregando, ele decidiu não se gloriar, não confiar em sua própria sabedoria, mas, sim, na sabedoria de Deus, na mensagem central do Evangelho e na iluminação do Espírito:   

“[…] Decidi que, enquanto estivesse com vocês, me esqueceria de tudo exceto de Jesus Cristo, aquele que foi crucificado […]. Minha mensagem e minha pregação foram muito simples. Em vez de usar argumentos persuasivos e astutos, me firmei no poder do Espírito […].  (I Co 2).    

E acrescenta estas duas declarações importantes: 

Nós recebemos o Espírito de Deus […] para que conheçamos as coisas maravilhosas que Deus nos tem dado gratuitamente” (1 Co 2.12). “Vocês são o templo de Deus e o Espírito de Deus habita em vocês” (I Co 3.16).

Eles não tinham templos físicos… Eles eram, cada um deles, templos do Espírito Santo. Essa presença, o ensino e o consolo do Espírito era seu outro motivo de “orgulho”, de regozijo, de glória! 

Não devemos nos orgulhar de nossos líderes humanos.

O assunto principal do cap. 3, é a polarização da igreja em torno de seus líderes. Este era um dos problemas da igreja de Corinto.

“Irmãos, quando um de vocês diz: ‘Eu sigo Paulo’, e o outro diz: ‘Eu sigo Apolo’, não estão agindo exatamente como pessoas do mundo? Afinal, quem é Paulo? Quem é Apolo? Somos apenas servos de Deus por meio dos quais vocês vieram a crer. Cada um de nós faz o trabalho do qual o Senhor nos encarregou. Eu plantei e Apolo regou, mas quem fez crescer foi Deus. Não importa quem planta ou quem rega, mas Deus que faz crescer […]. Portanto, não se orgulhem de seguir líderes humanos […].”  (I Co 3.1-7, 21; ver I.12). 

Paulo diz mais uma coisa importante:

“Pela graça que me foi dada, lancei o alicerce como um construtor competente, e agora outros estão construindo sobre ele. Mas quem constrói sobre o alicerce precisa ter muito cuidado, pois ninguém pode lançar outro alicerce além daquele que já foi posto, isto é, Jesus Cristo” (Vs. 10-11).

Mestres, pregadores e testemunhas precisam apegar-se à Palavra de Deus, pregar a Palavra, e o centro da Palavra, as Escrituras do Velho e do Novo Testamentos, é Jesus Cristo, sua vida, sua obra, principalmente sua morte expiatória e sua ressurreição! Igreja, mestres, pregadores, cristãos de modo geral, devem ser cristocêntricos! 

Conclusão

Se nossa alegria está em Cristo, se somos orientados pelo Espírito, se entendemos que nossos líderes e pregadores são apenas servos de Deus, então não há espaço para vaidades, idolatria de pregadores, polarização ou partidarismo. Não somos “crianças em Cristo” — somos templo do Espírito.

A glória da igreja não está em: templos suntuosos, status social, preparo intelectual de seus membros, recursos financeiros, líderes carismáticos e famosos, influência na cidade e nas mídias.

Estas coisas podem até existir e serem usadas por Deus, mas nunca podem ser motivo de orgulho, vaidade, gabolice. A verdadeira glória da igreja e de cada cristão individual está nessas duas realidades espirituais: Nossa fé em Cristo, com tudo o que isto implica e presença do Espírito Santo que capacita e dirige a igreja.

Slides desta mensagem

Éber Lenz César  (Brasília 26/11/2025)

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