Foi assim que Deus se revelou a Moisés, no Sinai (Êx 34.6-7). Isso é graça, misericórdia imerecida! O apóstolo Pedro escreveu que Deus é “Deus de toda graça” (I Pe 5.10). Ele tem um suprimento inesgotável de graças ou boas dadivas para as mais variadas necessidades humanas.
Jesus, o Filho de Deus “habitou entre nós cheio de graça” (Jo 1:14). Seu ministério terreno foi marcado pelo favor livremente concedido a indivíduos que nada mereciam (At 10.38).
As obras da graça de Deus
Em Rm 11.5-6, o apóstolo Paulo se refere a um remanescente de Israel, uns poucos (proporcionalmente) que permaneceram fiéis ao Senhor. “Assim, também agora, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça.” No contexto, a expressão “Assim, também” significa assim como nos dias do profeta Elias. Você se lembra? Em seguida ao seu confronto com os falsos profetas de Baal (um ídolo cananita), o profeta, ameaçado de morte, com medo e deprimido, choramingou, em oração: “Senhor, mataram os teus profetas. Só eu fiquei”. Deus o corrigiu e confortou, dizendo: “Reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal” (Vs. 3-5; I Re 19.10,14,18). “Assim, também, agora”, diz o apóstolo Paulo, o Senhor tem um remanescente fiel, dentre todo o Israel. Tanto os do tempo de Elias como os do tempo de Paulo, e hoje, entre os ditos cristãos, há um remanescente fiel. E porque permaneceram e permanecem fiéis? Não por serem melhores que os demais, mas porque Deus os elegeu e predestinou para tanto. Daí a expressão: “Eleição da graça.” O apóstolo ainda enfatiza: “E, se é pela graça, já não não é pelas obras, do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11.5-6. Veja também Rm 8.28-33; Ef 1.3-5).
Muitos cristãos têm dificuldade para entender e aceitar essa doutrina. Ajuda lembrar pelo menos duas coisas: (a) Deus é soberano e não nos cabe questionar sua vontade e suas escolhas! (b) A humanidade inteira se rebelou contra Deus; “todos pecaram” (Rm 3.23); ninguém merece coisa alguma, muito menos a salvação e suas implicações. Deus não foi injusto com os que não escolheu; deixou-os onde eles escolheram estar, e sob condenação. Se escolheu alguns e os predestinou para a salvação e suas implicações, não foi por serem estes melhores do que aqueles, não foi “por obras”, algo bom que tenham feito; foi “eleição da graça”.
(Se desejar, ouça o sermão do Pr. Augustos Nicodemus sobre Eleição e Predestinação).
2. Nossa salvação.
“A graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens […]” (Tt 2.11). Essa graça, como sabemos, é recebida pela fé: “Pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). A salvação e suas implicações é a mais importante e necessária expressão da graça de Deus.
3. Nossa justificação.
“Todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus […]” (Rm 3.23-24). Não cabe aqui uma explicação mais detalhada sobre a doutrina, mas, se você quiser ler mais a respeito, clique neste link: Justificação pela Fé. Aqui, basta dizer que, quando nos arrependemos de nossos pecados e cremos em Jesus Cristo, Deus, o Pai, nos justifica, apaga nossos pecados e nos atribui a justiça de Cristo; passa a ver-nos não mais como pecadores, mas como pessoas justas. Acaso merecemos isto? É pura graça!
4. Nossa santificação.
Despedindo-se dos presbíteros da igreja de Éfeso, o apóstolo Paulo lhes disse: “[…] encomendo-vos ao Senhor e à Palavra da sua graça, que tem poder para vos edificar e dar herança entre todos os que são santificados” (At 20.32. Ver I Pe 5.10). Para um estudo mais detalhado sobre Santificação, veja esta aula que ministrei na nossa Escola de Fundamentos).
5. Graça para pregar o evangelho.
O apóstolo Paulo foi um dos mais notáveis pregadores do evangelho, mas humildemente atribuía esse privilégio à graça de Deus. Ele escreveu: “Fui constituído ministro conforme o dom da graça a mim concedida […]. A mim, o menor de todos os santos, me foi concedida esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.7-8).
6. Graça para ofertar.
Referindo-se às ofertas generosas dos cristãos da Macedônia, o apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios “Irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação […] eles, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos […]” (II Co 8.1-4). A palavra graça aparece várias vezes nesse capítulo sobre contribuição financeira.
Veja: A Contribuição exemplar das igrejas da Macedônia (II Co 8-9).
7. Graça para suportar sofrimentos.
Paulo estava sofrendo com um “espinho na carne”. Orou pedindo a Deus que o removesse. A resposta de Deus foi: “A minha graça te basta […]” (II Co 12.7ss).
8. Graça para vencer tentações.
O autor da carta aos Hebreus, referindo-se a Jesus como nosso Sumo Sacerdote, escreveu: ”Não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente junto ao trono da graça, afim de recebemos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4:15-16).
A graça de Deus é multiforme
Além dessas graças referidas, temos os muitos e variados talentos, dons e bens que o Senhor nos concede, para o serviço a Deus e ao próximo.
“Tende amor intenso uns para com os outros […]. Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus […]” (I Pe 4.8,10). A palavra despenseiros sugere que nós temos uma despensa cheia de dons, os mais variados; são expressões da “multiforme graça de Deus”! A frase “da um conforme o dom que recebeu”sugere que que os talentos, os dons e os bens arrumados na “despensa” são por assim dizer, etiquetados. Este é de fulano, aquele é de ciclano, ou seja, cada um tem os talentos e dons necessários para seu próprio ministério. É isso mesmo que o apóstolo Paulo explicou em I Co 12.4-11.
Graças circunstanciais e materiais.
As graças referidas são de natureza espiritual e permanentes. Porém, no dia a dia, e por toda a vida, se somos crentes humildes e agradecidos, reconhecemos a graça, a bondade e a generosidade de Deus nas circunstâncias e nas dádivas materiais e temporais que nos concede. Nós as chamamos de bênçãos. Como escreveu o apóstolo Tiago: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito é lá do alto, descendo do Pai das luzes […]” (Tg 1.17). Sim, “Todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça” (Jo 1.16). #AmorDeDeus
Conclusão.
Você consegue pensar em algumas das evidências da graça de Deus na sua vida, as coisas que Deus tem feito por você e que você sabe que não merece? Há algumas áreas de sua vida onde você, presentemente, necessita muito da graça de Deus? Gaste um tempo refletindo sobre isso e agradecendo a aos “Deus de toda graça”. #DeusÉFiel
Éber Lenz César. Brasília, 2/11/2025.
PowerPoint deste sermão:
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