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Fundamentos para um casamento feliz e duradouro   

 VII. Comunicação no casamento.

Introdução.

Um dos problemas mais comuns no casamento é a falta de comunicação. Esta situação é um produto da sociedade moderna. As famílias, quando se reúnem, o fazem para ver televisão, até mesmo durante as refeições. Muitas famílias têm uma televisão em cada quarto… Cada um pode ver o que quiser sem ninguém para atrapalhar. Pior ficou com o advento do celular. É comum vermos famílias “reunidas”, cada um com o seu celular… e seu mundinho particular. A comunicação inexiste!

Poucos sabem se comunicar.

As crianças que crescem nesse contexto, não aprendem a se comunicar, a expressar sentimentos, opiniões, desejos infantis. Crescem, tornam-se adultas, e entram para o mundo competitivo do trabalho. Poucas pessoas se importam com o que elas pensam, com o que sentem. O que conta é o desempenho, a produtividade. O funcionário percebe que, se disser o que sente, poderá perder o emprego! Melhor é não dizer nada… E ninguém conhece ninguém!

Então, acontece o inevitável: esse indivíduo se sente atraído por uma pessoa do sexo oposto. Começa a falar, a se abrir, a compartilhar seus sentimentos. O namorado ou namorada faz o mesmo. É uma experiência maravilhosa, para ambos. Por fim eles têm os ouvidos um do outro. Descobrem que têm muito em comum e que foram “feitos um para o outro”. Casam-se… A comunicação flui maravilhosa… no começo!

Com o passar do tempo, eles têm cada vez menos o que dizer um ao outro. A comunicação vai ficando difícil. Logo os dois estão se desentendendo. Começam as críticas, as acusações, as queixas. Nem um nem outro pode dizer o que realmente pensa ou sente. Às vezes, um deles tenta. Mas o outro entende tudo errado, ou não responde. Não há diálogo! Apenas superficialidades.  Recomeça o ciclo: televisão… celular… Pior quando um terceiro(a) se apresenta… todo ouvidos!

A mulher reclama para o pastor, para o terapeuta, para as amigas: “Ele nunca me diz nada…”, “Ele nem sei porque ele está chegando tão tarde do trabalho…”. E o marido: “Minha mulher não quer conversar…”, “Eu não sei o que ela realmente pensa…”

Você sabia que a Bíblia tem muito a nos dizer sobre comunicação? Vamos ver porque a comunicação é tão difícil.

A comunicação é difícil por causa da nossa natureza pecaminosa.

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17.9).

Desde a queda (primeiro pecado na história da humanidade), o coração do homem é desesperadamente enganoso e corrupto. Jesus disse: “[…] como podeis falar coisas boas, sendo maus? Porque a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.34). Há aqueles que não falam porque temem expor sua natureza pecaminosa. Outros não ligam… e falam coisas más. De qualquer modo, a comunicação fica muito prejudicada.

O cônjuge que teme expor sua natureza pecaminosa precisa saber que o outro também tem seus problemas, suas fraquezas. Ambos precisam admitir sinceramente que são pecadores, que cometem erros. Não têm porque esconder suas fraquezas, hipocritamente. E não têm nenhum direito de julgar e condenar um ao outro.

A comunicação é difícil porque os cônjuges temem a reação um do outro.

As pessoas geralmente reagem mal quando alguém aponta seus defeitos ou falhas. Algumas reagem com uma explosão; outras dão o troco, e criticam também; outras reagem com cinismo e indiferença; outras se desmancham em lágrimas; e ainda outras ficam de cara fechada, sem nada dizer… Alguns,  mais frios e indiferentes não reagem de modo algum ao que o outro diz e não estão nem aí para o que o outro pensa a seu respeito. Mas isto é um tremendo egoísmo. O cônjuge que reage assim (ou não reage de modo algum) deve se colocar no lugar do outro e honestamente imaginar como se sentiria se o outro agisse do mesmo modo.

A próxima vez que você quiser saber por que seu cônjuge não fala mais com você (se for o caso), pergunte-se primeiro como você reagiu quando ele(ela) lhe confessou alguma coisa pessoal ou lhe disse que não gostou de alguma coisa que você fez. 

Um santo remédio.

É o que o apóstolo Paulo escreveu aos cristãos de Éfeso:

“Longe de vós toda amargura, e cólera, e ira, e gritarias, e blasfêmias e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, os perdoou”  (Ef 4.31-32).

Adote como norma nunca levantar a voz para o seu cônjuge. Lembre-se desse conselho do apóstolo e de outros tantos como este do sábio Salomão: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” (Pv 15.1). Os termos “branda” ou “delicada” não se referem apenas ao volume da voz, mas também à empatia. Palavras “brandas” ou “delicadas” são como um balde de água fria no fogo da raiva. Palavras “duras” são gasolina. 

A comunicação é difícil porque os cônjuges, às vezes, usam indevidamente as informações ou confissões um do outro. 

Algumas pessoas adoram desenterrar defuntos, trazer à tona questões antigas. Lamentavelmente, isto é comum entre marido e mulher. Basta um desentendimento, e lá vem a lembrança… Isto é uma tremenda barreira para a comunicação. Leia Pv 17.9

No texto já citado de Ef 4.32 temos esta recomendação: “[…] perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, os perdoou” Há quem diga: “Mas eu já perdoei. Eu só não posso esquecer!” Será que perdoou? É possível perdoar e realmente não esquecer o ocorrido; mas quem perdoa não lembra com mágoa, ainda ressentido e cobrando. O assunto está resolvido. É assim que Deus perdoa. Veja Jr 31. 34 e Sl 103.12

Uma boa comunicação é possível, mediante certos cuidados…

Para um casamento dar certo e ser feliz, os cônjuges precisam se conhecer, saber o que o outro pensa e como se sente em cada situação. E isto só é possível se as linhas de comunicação permanecerem abertas.

Maridos e esposas pensam, às vezes, erradamente, que a melhor alternativa para uma palavra ou argumento aborrecido do cônjuge é o silêncio. Só que, em muitos casos, silêncio nada resolve e até ofende. Melhor é “falar a verdade em amor” (Ef 4.15).

  1. “Falar a verdade”. Falar com honestidade acerca dos temores, desejos, motivações, sexo, dinheiro, fraquezas, enganos, ressentimentos e incompreensões.
  2. “Falar a verdade com amor”. A verdade às vezes é cruel. Por isso mesmo precisa ser dita com amor. Isto envolve consideração para com a outra pessoa. Coisas brutais têm sido ditas por um cônjuge ao outro, em nome da honestidade, quando o motivo oculto era uma tremenda consciência de culpa.
  3. Falar a verdade na hora certa. Isto não está neste versículo de Efésios, mas está noutras passagens bíblicas (Pv 25.11 e Pv 15.23). Geralmente, é bom esperar passar a hora da refeição para discutir questões controvertidas ou desagradáveis. Algumas vezes é melhor esperar até a manhã seguinte, especialmente se o cônjuge teve um dia difícil. E é muito importante orar antes…
  4. Outros cuidados.
  • Evite generalizações. “Você nunca me ouve!”, “Você sempre me interrompe!”  Tais generalizações raramente são verdadeiras. 
  • Evite discutir com seu cônjuge na presença de terceiros, principalmente dos filhos.
  • Já falamos do silêncio que aborrece, que irrita e até ofende. Por outro lado, é preciso saber parar de falar. O sábio Salomão escreveu: “Tudo neste mundo tem o seu tempo […]. Há tempo de ficar calado e tempo de falar” (Ec 7.1,7). Seu cônjuge talvez não queira abrir o coração nesse tempo que você improvisou ou separou para conversar. Talvez ele tenha algo importante a lhe dizer, mas num outro tempo, um tempo maior, mais tranqüilo, quando você puder ouvi-lo sem olhar para o relógio… ou para a televisão.  

Conclusão.

Leia esta mensagem, preferentemente com seu cônjuge. Reflitam os dois sobre a importância e as dificuldades da comunicação no casamento; discutam sobre as soluções bíblicas e os cuidados necessários para uma comunicação sadia, amorosa, construtiva. E não se esqueçam: O segredo é falar a verdade com espírito de amor, na hora certa, no lugar certo, da maneira certa. E que Deus nos ajude. 

Éber Lenz César

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