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Avivamentos no transcorrer da história bíblica

VIII. O maior de todos os avivamentos: Jesus

O avivamento que começou com João Batista continuou com Jesus, ainda mais poderoso, perfeito e exemplar, como nunca antes. Continuou? Não exatamente! Os avivamentos ou despertamentos religiosos ocorridos no Velho Testamento e o de João, no início do Novo Testamento, foram amostras e prenúncio do avivamento de Jesus. Além disso, ao contrário de Moisés, Josué, Samuel. alguns dos reis de Israel, e o próprio João Batista, Jesus não foi propriamente um instrumento de avivamento; ele foi o autor do maior de todos os avivamentos. E tem mais: mesmo depois de sua ascensão aos céus, ele continua avivando sua igreja, agora através do Espírito Santo. Os avivamentos do Velho Testamento, e mesmo o de João, foram apenas “sombras da realidade futura, e o próprio Cristo é essa realidade” (Cl 2.17). Os avivamentos históricos posteriores têm sido sempre re-avivamentos, necessários somente porque a igreja de Jesus Cristo não tem permanecido no espirito do Avivamento de Jesus.

A vida avivada de Jesus

Estudando os avivamentos bíblicos, destacamos o papel dos líderes espirituais naqueles avivamentos. Vimos como Deus os usou e como eles inspiraram seus liderados com pregações fortes, desafiadoras e, sobretudo, com exemplo de vida. Mas eles não foram perfeitos… Jesus, porém, foi perfeito, absolutamente santo; levou multidões a um verdadeiro avivamento pessoal inspirando-as com seu exemplo e ensino. Ninguém melhor do que ele, então, para nos mostrar como podemos experimentar um avivamento bíblico e duradouro; não só experimentar, mas difundir. 

  1. Jesus cresceu “em sabedoria, em estatura e no favor de Deus e das pessoas”. Enquanto criança, adolescente e jovem, em casa com os pais, “lhes era obediente” (Lc 2.51-52). Mesmo na cruz, proveu proteção e cuidado para a mãe viúva (Jo 19.26-27). 
  2. Jesus conhecia, vivia e pregava a Palavra de Deus. Aos 12 anos, ele impressionou os doutores da Lei com suas perguntas e também com suas respostas (Lc 2:42-49). Ele resistia às tentações citando as Escrituras (Mt 4); suas pregações eram recheadas de citações das Escrituras. Pregava com a autoridade de quem vive o que prega (Mt 7.28-29). 
  3. Jesus era um homem de oração. “[…] se retirava para lugares solitários, a fim de orar” (Lc 5:16). R.A Torrey, com propriedade, diz: 

“As palavras ‘orar’ e ‘oração’ são usadas pelo menos vinte e cinco vezes em relação a nosso Senhor no breve registro da sua vida nos quatro evangelhos, e sua oração é mencionada em lugares onde essas palavras não são usadas. Evidentemente a oração tomou muito do tempo e da energia de Jesus, e o homem ou mulher que não passa muito tempo em oração, não pode ser adequadamente chamado de seguidor de Jesus Cristo”.

  1. Em sua encarnação, como homem, Jesus foi ungido pelo Espírito Santo e cheio do Espírito (Mt 4.1; Lc 4.16-21). Ele vivia o chamado “fruto do Espírito” – amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5:22). Compadecia-se das pessoas e das multidões. Em Mt 9.35, por.ex., está escrito: “Jesus andava por toda as cidades e todos os povoados da região,  ensinando nas sinagogas, anunciando as boas novas do reino e curando todo tipo de enfermidade e doença” (Mt 9.35-36). 
  2. Jesus pregava, ensinava e fazia discípulos (Mt 4:17,18-21; Mc 1.14-19). A despeito da importância da pregação e das multidões que se reuniam para ouvi-lo, ele “escolheu doze e os chamou seus apóstolos, para que o seguissem e fossem enviados para anunciar sua mensagem”. A versão Revista e Atualizada diz: “[…] para estarem com ele e para os enviar a pregar” (Mc 3.13-15).  O termo “apóstolos”, como se sabe, significa enviados. Comumente, depois das grandes reuniões, Jesus se reunia com esses Doze e lhes explicava mais  detalhadamente o que havia pregado às multidões (Mc 4.34). A certa altura do seu ministério, retirou-se com eles para lugares mais afastados e fim de ensinar-lhes e treiná-los para darem continuidade ao seu ministério (Mc 7.24).
  3. Por fim, lembro que Jesus viveu para servir. Quando, entre seus discípulos, cresceu a ambição da grandeza ou importância pessoal, ele lhes disse: “Quem quiser ser o líder entre vocês, que seja servo, e quem quiser ser o primeiro entre vocês, que se torne escravo. Pois nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt 20. 26-28). Na última Páscoa com  os seus discípulos, faltando um servo para o serviço costumeiro de lavar os pés dos hóspedes, Jesus tirou a túnica, cingiu-se com uma toalha, e lavou ele mesmo os pés dos Doze. Quando terminou, disse-lhes: “Vocês entendem o fiz? Vocês me chamam Mestre e Senhor, e têm razão, porque eu sou. E uma vez que eu, seu Senhor e Mestre, lavei seus pés, vocês devem lavar os pés uns dos ouros. Eu lhes dei um exemplo a ser seguido, faça como eu fiz a vocês” (Jo 13.12-15). 

Na próxima mensagem desta série, veremos que os discípulos de Jesus, não só os Doze, mas muitos outros, de fato, aprenderam muito com seu Mestre e Senhor. No começo, a igreja, cheia do Espírito e avivada no Pentecostes, pregava o evangelho com poder, vivia o que pregava, amava e servia.

A pregação evangélica de Jesus

Obviamente, a pregação e o ensino de Jesus foram muito mais poderosos e abrangentes do que a pregação de João, e radicalmente diferente do ensino dos mestres fariseus, contemporâneos de Jesus. Até onde sabemos, João pregava arrependimento e acerto de vida: “Arrependam-se […]. Preparem o caminho para a vida do Senhor! Abram a estrada para ele!” (Mt 3.2-3). Os mestres fariseus eram orgulhosos, hipócritas e legalistas; somente repetiam o que diziam os intérpretes da Lei, mesmo com graves distorções, e não praticavam o que ensinavam. Jesus, ao contrário, pregava a Palavra com absoluta fidelidade e, com autoridade dizia: “Vocês ouviram o que foi dito a seus antepassados […]. Eu, porém, lhes digo […]”  (Mt 5.21-22, 27-28 etc.). Não estava substituindo os ensinos antigos da Lei, mas dando-lhes profundidade e aplicação. 

O tema principal de todo o ensino de Jesus foi o Reino de Deus, ou seja, a autoridade de Deus, a vontade de Deus. Vida no Reino de Deus é vida que leva a sério a vontade soberana de Deus e a obedece. Em seu sermão mais famoso, o Sermão do Monte, Jesus ensinou detalhes práticos desta vida. Uma vida verdadeiramente avivada!

Mensagem de boas-novas.

Todavia, há algo ainda mais importante na pregação e no ensino de Jesus, uma característica essencial do seu avivamento. João, como vimos, dizia: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo […]” (Mt. 3.2). Jesus também, mas com uma diferença muito significativa. Depois de seu batismo no Jordão e das tentações sofridas e vencidas no deserto, ele começou a pregar: “O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas!”. Ou, como lemos na versão Revista e Atualizada: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14-15). A palavra “evangelho” significa “boas novas”. Em que boas novas os ouvintes de Jesus deveriam crer? Todas as boas notícias relativas à vida, morte e ressurreição do próprio Jesus.  Ele não somente estava provendo exemplo de vida e ensino precioso; ele daria sua vida em resgate por muitos, morreria por seus pecados, e salvaria os que cressem. Os crentes do Velho Testamento, quando avivados, criam nas promessas relativas ao Messias e Salvador que haveria de vir; acreditavam que o Salvador assumiria a culpa de seus pecados e faria expiação por eles, de modo que pudessem ser perdoados e reconciliados com Deus. Os sacrifícios animais feitos nos seus atos de adoração eram tipos ou símbolos do sacrifício de Jesus. Por isso João disse: “Vejam!’ É o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Os contemporâneos de Jesus que se arrependiam de seus pecados, criam que Jesus era o Messias e Salvador e, de algum modo, faria expiação por seus pecados.

Poderíamos dizer muito mais sobre isto, e este seria um sermão bem evangelístico. Mas minha ênfase nesta mensagem é no avivamento espiritual que ocorre quando as pessoas se arrependem sinceramente de seus pecados e crêem em Jesus como seu Salvador e Senhor! Salvador, porque fez expiação por seus pecados e as reconcilia com Deus; Senhor porque quer dirigir e abençoar suas vidas. Vale lembrar aqui o que Paulo disse ao carcereiro de Filipos quando este perguntou, em meio a uma crise: “Que devo fazer para que seja salvo?” Paulo respondeu, sem rodeios: “Creia no Senhor Jesus, e você e sua família serão salvos” (At 16.30-31). Acha que é forçar uma interpretação afirmar que naquela mesma noite eclodiu um avivamento naquela casa? É assim mesmo que o avivamento começa em nossa vida e em nossa igreja…

Um advertência sobre o avivamento de Jesus

Não posso concluir esta mensagem sem lembrar uma advertência feita previamente por João Batista sobre o ministério e avivamento de Jesus. Como vimos na mensagem anterior, João preparou o caminho para Jesus chamando as multidões ao arrependimento e exortando-as a acertarem as coisas em suas vidas para receberem Jesus (Mt 3.3).

Um dia, no meio da multidão que vinha ouvi-lo, João viu “muitos fariseus e saduceus” (Mt 3.7). Ora, sabemos por várias outras passagens nos quatro evangelhos que esees representantes do Judaísmo tradicional, com raras excessões, eram orgulhosos e hipócritas. João logo percebeu que não estavam arrependidos de nada; tinham vindo só para atrapalhar ou para fazer vista diante do público, submetendo-se ao seu batismo. Então, com a franqueza que lhe era característica, disse-lhes: 

“Raça de víboras! Quem os convenceu a fugir da ira que está por vir? Provem por suas ações que vocês se arrependeram. Não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Estamos a salvo, pois somos filhos de Abraão […]. Agora mesmo o machado do julgamento está pronto para cortar as raízes das árvores. Toda árvore que não produz frutos será cortada e lançada no fogo” (Mt 3.7-10). 

O que João quis dizer com palavras tão fortes? Vamos examinar frase por frase:

  • “Raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima?” Raça de víboras, obviamente não era um palavrão ou ofensa; era uma metáfora. Numa região árida como aquela nas proximidades do Jordão e do Mar Morto, era comum o mato seco pegar fogo pelo excesso de calor; quando isto acontecia, as serpentes do deserto corriam de um lado para outro tentando escapar do fogo. João estava dizendo àqueles fariseus hipócritas:  “Quem lhes deu essa ideia de fugir do fogo da ira ou do juízo de Deus? Não tem como fugir. O único jeito de vocês escaparem é mediante arrependimento sincero. Portanto, Dêem fruto que mostre arrependimento”. 
  • “Não pensem que podem dizer uns aos outros: ‘Estamos a salvo, pois somos filhos de Abraão…’” Ou seja, vocês não escaparão do juízo de Deus alegando sua linhagem abraâmica. Ninguém se salva por ser filho, neto ou descendente de um crente.
  • “O machado do julgamento está pronto para cortar as raízes das árvores. Toda árvore que não produz frutos será cortada e lançada no fogo”. Uma tremenda advertência aos que não querem se arrepender e converter. O “maior do que João”, que viria em seguida, traria salvação, alegria e paz para os que se arrependessem; mas os impenitentes, os que não dão bons frutos, seriam condenados e lançados no fogo do inferno!

Foi então que João acrescentou:

“Eu batizo com água aqueles que se arrependem. Depois de mim, porém, virá alguém mais poderoso que eu […]. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo […]” (Mt 3.11). 

Alguns intérpretes entendem que esses dois batismos são para os que crêem, e acontecem posteriormente à conversão, como uma “segunda bênção”. O batismo com o Espírito Santo, dizem, eleva-os a um grau superior de espiritualidade e os capacita com os dons espirituais; o batismo com fogo os purifica. A evidência externa dessa experiência ou “segunda bênção” seria o falar e línguas.  

Entretanto, o contexto, como vimos, deixa claro que o batismo “com o Espírito Santo” seria para os que se arrependessem dos seus pecados e crescem em Jesus; o batismo “com fogo” seria o juízo ou castigo para os que não se arrependessem. Mais provavelmente, o primeiro batismo, o do Espírito, seria uma das bênçãos de Jesus em sua primeira vinda; o segundo batismo, com fogo, ocorrerá em sua segunda vinda, no final dos tempos. 

João tornou tudo isto ainda mais claro, quando, mudando um pouco a metáfora, disse ainda a respeito de Jesus: “Ele já tem na mão a pá , e com ela separará a palha do trigo […]. Juntará o trigo no celeiro, mas queimará a palha no fogo que nunca se apaga” (Mt 3.12).

Vemos, então, que o avivamento liderado por João incluiu uma advertência muito séria aos que ouvem as pregações, testemunham o avivamento, mas não os levam a sério, não se arrependem, não dão frutos que evidenciem verdadeiro arrependimento e verdadeira conversão. Jesus, todo manso e amoroso, quando rejeitado pelos mesmos religiosos hipócritas, disse-lhes a mesma coisa que João lhes tinha dito: “Que aflição os espera, mestres da lei e fariseus! [Ou “Ai de vocês…”]. Hipócritas! Raça de víboras! Como escaparão do julgamento do inferno?” (Mt 23.23,33). 

Dada a influência anti-avivamento desses líderes religiosos sobre a população de Jerusalém, e a rejeição maciça da cidade aos profetas e ao próprio Messias, Jesus lamentou: “Jerusalém, Jerusalém, cidade que mata os profetas e apedreja os mensageiros de Deus! Quantas vezes eu quis juntar seus filhos como a galinha protege os pintinhos sob as asas, mas você não deixou. E agora sua casa está abandonada e está deserta […]”  (Mt 23.37,38). 

Jesus foi o avivalista que mais ensinou 

Cristo estabeleceu o padrão de avivamento por excelência. O preparo específico de novos lideres ou, como se tem dito, o discipulado, caracterizou o Avivamento do Mestre dos mestres de todos os aviamentos. Esse deve ser o nosso método, evidentemente. Jesus ordenou àqueles primeiros discípulos e aos membros de sua Igreja em todos os tempos: “Vão e façam discípulos […]. batizando-os […]. Ensinem esses novos discípulos a obedecerem todas as ordens que eu lhes dei […]” (Mt 28.19-20).

Conclusão

Quantas pregações, quantos chamados ao arrependimento, à santificação, à mudança de vida temos ouvido? Quantas oportunidades de vivenciar um genuíno avivamento pessoal e comunitário? Se nos arrendemos e nos convertemos, se levamos Deus a sério, recebemos o batismo do Espírito Santo, no próprio momento da conversão. Tornamo-nos partícipes do Pentecostes; o Espírito Santo vem habitar dentro de nós para guiar-nos na verdade do evangelho, para santificar-nos, para consolar-nos e para capacitar-nos para o serviço cristão. Se não nos arrependemos, se não nos voltamos para Deus, se não cremos em Jesus como nosso Salvador e Senhor; se não somos cheios do Espírito (avivados e inteiramente submissos a ele), se não pregamos a Palavra, o Evangelho, se não fazemos discípulos, então somos palha… E já sabemos onde toda palha será lançada…

Éber Lenz César

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