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Avivamentos no transcorrer da história bíblica.

VII. João Batista prepara o caminho para o maior de todos os avivamentos

Findo o período do Velho Testamento, Israel passou cerca de quatrocentos anos sem profetas e sem ouvir a voz de Deus. Esse prolongado silencio de Deus foi quebrado somente quando, no início da era cristã, um anjo desceu do céu e anunciou o nascimento de João Batista e, seis meses mais tarde, o nascimento de Jesus, o Salvador, tudo de acordo com as profecias. Foi algo como o sol que aparece e dissipa as trevas de uma noite longa e tenebrosa! Em outras palavras, prenúncio de grande AVIVAMENTO, o maior de todos.

O nascimento de João

Zacarias, o pai de João Batista, era sacerdote e estava no Santo dos Santos, a parte mais interior e mais sagrada do Templo de Jerusalém, quando um anjo do Senhor, chamado Gabriel, lhe apareceu e lhe disse que sua mulher, idosa e estéril, lhe daria um filho, a quem ele deveria dar o nome de João. O anjo disse também que João seria “grande aos olhos do Senhor […]  um homem com o espírito e poder de Elias” (Lc 1.5-17).

De fato, Isabel a mulher de Zacarias, engravidou e deu à luz um menino. Zacarias lhe deu o nome de João e louvou o Senhor com um belo cântico. Entre outras coisas, ele disse:

“Seja bendito o Senhor, o Deus de Israel, pois visitou e resgatou seu povo. Ele nos enviou poderosa salvação da linhagem real de seu servo Davi, como havia prometido […]. Ele foi misericordioso com nossos antepassados ao lembrar-se de sua santa aliança, o juramento solene que fez com nosso antepassado Abraão. Prometeu livrar-nos de nossos inimigos para o servirmos sem medo, em santidade e justiça, enquanto vivermos.

“E você, meu filhinho, será chamado profeta do Altíssimo, pois preparará o caminho para o Senhor. Dirá a seu povo como encontrar salvação por meio do perdão de seus pecados. Graças à terna misericórdia de nosso Deus, a luz da manhã, vinda do céu, está prestes a raiar sobre nós, para iluminar aqueles que estão na escuridão e na sombra da morte e nos guiar ao caminho da paz” (Lc 1.68-79).

  

A missão de João

O anjo antecipou que a missão de João seria preparar o caminho para o Senhor. Como João fez isso? O evangelista Lucas escreveu que “ele percorreu os arredores do rio Jordão, pregando o batismo como sinal de arrependimento para o perdão de pecados” (Lc 3.3). Portanto, o ministério preparatório de João consistiu em chamar as pessoas ao arrependimento, ou seja, a uma mudança de mente e prática em relação ao pecado. O batismo seria um símbolo e testemunho externo desse arrependimento. Desse modo ele estaria cumprindo uma antiga profecia, citada por Lucas nesse contexto:

“Ele é uma voz que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para a vida do Senhor! Abram uma estrada para ele! Os vales serão aterrados e os montes e as colinas nivelados. As curvas serão endireitadas, e os lugares acidentados, aplanados. Então, todos verão a salvação enviada por Deus” (Lucas 3.4-6; Isaías 40.3-5).

Tanto em Isaías como em Lucas, essas palavras são uma alusão à prática seguida pelos monarcas orientais antigos. Com frequência eram enviados arautos adiante dos soberanos os quais ordenavam ao povo que melhorassem as estradas antigas ou fizessem estradas novas para os soberanos passarem. João, como arauto enviado à frente de Jesus, o Soberano Senhor e Rei dos reis, estava fazendo justamente isso: dizendo ao povo para preparar o caminho para Jesus. Só que no sentido moral e espiritual. Como? Do mesmo modo como hoje nós devemos fazer:

  • Aterrando os vales das omissões: falta de oração, falta de leitura bíblica, falta de adoração, falta de amor, falta de perdão, falta de humildade, falta de valores morais…
  • Nivelando as montanhas e colinas dos excessos: ambição desmedida, trabalho excessivo, ansiedade demais, religiosidade fanática, doutrinas espúrias, eletrônicos demais…
  • Endireitando as estradas tortuosas da imoralidade, do sexo promíscuo, da infidelidade, dos vícios, da corrupção, da desonestidade, da mentira, do consumismo egoísta…
  • Aplanando os caminhos acidentados dos relacionamentos prejudicados ou mesmo destruídos pelo mau gênio, agressividade, desrespeito, palavras duras…

 

Feitas estas correções, possíveis apenas com arrependimento sincero e retorno a Deus, “todos verão a salvação enviada por Deus”, ou seja, mais e mais pessoas hão de ver o que Deus pode fazer em nossa vida, em nosso lar, em nossas igrejas, em nossa sociedade. E muitos se converterão. Isso é AVIVAMENTO!

Avivamento prático

É interessante observar também que o avivamento conduzido por João não se restringiu a uma experiência mística, sensacionalista, mas aplicou-se à vida prática, até porque João não somente batizada os que se diziam arrependidos; ele também os exortava: “Provem por suas ações que vocês se arrependeram”. Ou como lemos na versão Revista e atualizada: “Produzi frutos dignos de arrependimento […]” (Lc 3.8). As multidões, grupos sociais diferentes, entre seus ouvintes, perguntaram: “O que devemos fazer?” (v.10). Expressa verbalmente ou não, esta é uma pergunta que todos devemos fazer, quando ouvimos uma pregação, principalmente num clima de avivamento: “À luz do que ouvimos, o que devemos fazer? Como podemos aplicar este ensino à nossa vida diária?”

João, muito sabiamente, respondeu a cada grupo de acordo com suas tendências pecaminosas mais comuns e incluiu o que hoje chamamos de ação social ou missão integral:

  • Às multidões, de modo geral, ele disse: “Se tiverem duas vestimentas, deem uma a quem não tem. Se tiverem comida, dividam com que passa fome” (V.11).
  • Aos publicanos, cobradores de impostos, cujo pecado principal era a ganância e a desonestidade, o pregador disse: “Não cobrem impostos além daquilo que é exigido” (Vs. 12-13).
  • Aos soldados, muitas vezes violentos e corruptos, ele disse: “Não pratiquem extorsão, nem façam acusações falsas. Contentem-se com seu salário” (V.14).

Mais uma vez, observamos que os avivamentos bíblicos têm tudo a ver com pregação firme, chamado ao arrependimento, obediência à Palavra de Deus e transformação de vida. Forçosamente, e como consequência, reúnem multidões. Não foi diferente no ministério de João Batista. Aliás, sobre isto, preciso acrescentar algo…

Líder de avivamento não é estrela

Os judeus, como sabemos, nutriam uma forte expectativa da vinda de um Messias ou Cristo. Dado o sucesso de João, muitos começaram a pensar que ele bem poderia ser o tal. Mas João dizia enfaticamente: “Eu não sou o Cristo!” (Jo 1.19-20). Quando Jesus veio ao Jordão e submeteu-se ao seu batismo (por motivos diferentes, pois não tinha pecados dos quais se arrepender), João disse à multidão: “Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Era a ele que eu me referia quando disse: Um homem virá depois de mim, muito mais poderoso que eu […]” (Jo 1.29-30).

Posteriormente, quando Jesus começou seu próprio ministério, alguns dos ouvintes e seguidores de João foram dizer-lhe: “Rabi, o homem que o senhor encontrou no outro lado do rio Jordão, aquele de quem o senhor deu testemunho, também está batizando. Todos vão até ele” (Jo 3.26). Pensavam que João ficaria enciumado e aborrecido ao saber que estava “perdendo” discípulos para Jesus. Mas, ao contrário, o Batista lhes disse: “Vocês sabem que eu lhes disse claramente: Eu não sou o Cristo. Estou aqui apenas para preparar o caminho para ele. É o noivo que se casa com a noivado amigo do noivo simplesmente se alegra de estar ao lado dele e ouvir seus votos. Portanto, muito me alegro com o destaque dele. Ele deve se tornar cada vez maior, e eu, cada vez menor” (Jo 3.27-30).

Este foi um grande exemplo de humildade e correta perspectiva. Este deve ser o espirito e propósito de todo líder de avivamento e de todo servo de Deus: pastores, professores de Escola Bíblica Dominical, dirigentes de Pequenos Grupos, ministros de louvor, etc. Se as pessoas vêm ouvir-nos, individual ou coletivamente, não podemos jamais ceder a tentação da grandeza pessoal; não somos mais que “precursores” de Jesus na vida das pessoas, amigos do “Noivo” que fazem companhia e pastoreiam a “noiva” (igreja), preparando-a para o “casamento” com aquele que a escolheu.

Um avivamento verdadeiro não tem o objetivo de reunir multidões em torno de pastores e líderes carismáticos, e nem o propósito de encher nossas igrejas ou denominação. O centro de todo avivamento é Cristo! Seu propósito é a gloria de Deus. Os avivamentos somente acontecem quando os que se dizem “cristãos” amam sincera e profundamente a Deus, a Jesus e uns aos outros; obedecem e servem com humildade. Seu amor os impulsiona; sua obediência os capacita; sua missão é, acima de tudo, a evangelização. Então, acontece o que aconteceu com os primeiros discípulos, ainda no clima do Pentecostes: “A cada dia o Senhor lhes acrescentava aqueles que iam sendo salvos” (At 2.46-47).

Éber Lenz César

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