O Salmo Pastoril
O Salmo 23 é um dos textos bíblicos mais conhecidos, mais bonitos e confortadores. Não deixe de ler.
Várias figuras são usadas no Velho Testamento para expressar a relação de Deus com Israel. Uma das mais belas e significativas é a do pastor e suas ovelhas.
A propriedade desta figura torna-se mais clara quando nos lembramos de que Israel era um povo seminômade e pastoril. Moisés, por exemplo, apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, quando Deus o chamou e o fez pastor de Israel (Ex 3). Davi, o jovem pastor de ovelhas, tornou-se pastor e rei de Israel (Sl 78.70-72). Os outros reis de Israel também foram considerados pastores (Ez 34).
O Salmo 23 foi escrito por Davi quando ele ainda era um pastor de ovelhas ( ) e reflete suas experiências com o rebanho de seu pai. Ele sabia que as ovelhas são animais muito dependentes, que necessitam de um pastor e de cuidados especiais. Sabia também que os bons pastores são cuidadosos e carinhosos com sua ovelhas.
No campo, recostado a uma árvore, olhando o rebanho, provavelmente dedilhando sua harpa, o jovem pastor e poeta refletiu sobre as próprias necessidades e a maneira graciosa como Deus cuidava dele. Cada palavra ou frase é importante e carrega profundo significado, razão porque Judeus e cristãos de todos os tempos recitam este Salmo com frequência, sobretudo em tempos de necessidade, aflição e perigo. Muitas crianças o sabem de cor; quando não totalmente, pelo menos o início: “O Senhor é o meu Pastor […]” Moribundos de todas as idades têm morrido com estas doces e confortantes palavras em seus lábios.
“O SENHOR […]”
#SENHOR, com todas as letras maiúsculas, é tradução do nome de Deus por excelência, Javé ou Jeová. Significa “Eu sou o que sou”, ou seja, Deus Auto-suficiente, Todo-Poderoso, o Criador (Êx 3.14). Jesus, o Filho de Deus, nosso Salvador, declarou repetidas vezes: “Eu sou […]” (Jo 6.35; Jo 8.12; 10.9; 11.25; 14.6; 15.5). Desse modo ele se identificou como Deus, o Todo-Poderoso.
“O SENHOR é o meu Pastor […]”
Uma coisa é admitir que Deus é “O SENHOR”, “o Alto, o Sublime, que habita a eternidade” (Is 57.15); outra é acreditar que ele é também Pastor, MEU PASTOR.
Davi estava dizendo algo assim: “Eu sei que Deus é SENHOR, mas sei também que ele é Pastor, o meu Pastor! Ele se importa comigo. Ele cuida de mim!”
Anos mais tarde, os adoradores de Israel adotaram o costume de entrar no templo, em Jerusalém, cantando: “Celebrai com júbilo ao SENHOR […]. Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio […]” (Sl 100)
Ainda pensando em suas próprias experiências com as ovelhas, Davi passou a descrever os cuidados de Deus, o Divino Pastor, com suas ovelhas, e com ele, Davi.
“Nada me faltará!”.
“O SENHOR é o meu Pastor, nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma […]”. Geralmente as ovelhas são criadas em regiões desérticas, inóspitas, onde os pastos e fontes de água têm que ser procurados (Êx 2.16; 3.1). As ovelhas não têm boa orientação; deixadas por sua conta, elas não encontram nem pasto nem água. E se não estiverem alimentadas e dessedentadas, não conseguem descansar. Os bons pastores, os que cuidam bem de suas ovelhas, levam-nas para onde há pastos verdejantes e águas tranquilas; ali elas conseguem descansar.
A figura é perfeita. Como as ovelhas, nós não sabemos onde encontrar “pastos verdejantes”, alimento espiritual, sentido e propósito para a vida. Se tentamos por nós mesmos, comemos grama ruim, ervas daninhas; bebemos água contaminada; ou ficamos com fome e sede… A alternativa é confiar em Deus, nosso Pastor! Deixar que ele nos guie e supra nossas necessidades. De um modo ou de outro, ele nos levará aos pastos verdejantes, às águas de descanso.
Jesus disse: “Eu sou o Bom Pastor […]” (Jo 10.14). Sua presença, seus ensinos, seus cuidados, seu Espírito são nossa direção, nosso alimento, nossa água, nosso descanso. De fato, ele disse: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35). Disse também: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).
Se confiamos em Deus e em Jesus, “nada nos faltará”. Isso não significa que teremos tudo o que quisermos nesta vida, com ou sem trabalho. Significa que:
- Deus abençoará nosso trabalho honesto e, desse modo, suprirá nossas necessidades básicas, as essenciais, tais como comida, roupa, abrigo e, claro, as bênçãos espirituais (Mt 6. 25-34; Ef 1.3). Se não conseguimos trabalho ou se não podemos trabalhar, ele tem seus meios… Pode até fazer cair pão do céu (Êx 16.4; Êx 16.15
- Deus muitas vezes nos dá até mais do que realmente necessitamos para viver: lazer, viagens, equipamentos tecnológicos, etc. O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo que “Deus tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (I Tm 6.17b). Essa mesma passagem nos diz que Deus enriquece a alguns a fim de que sejam generosos e repartam com os necessitados (Ver também II Co 9.11).
- Se Deus não nos der alguma coisa que desejamos e lhe pedimos em oração, certamente tal coisa não é realmente necessária, pelo menos não no momento. Pode ser também que Deus esteja nos provando, exercitando nossa fé ou nos ensinando a viver com mais simplicidade e contentamento (Fp 4.11-13).
“Guia-me pelas veredas da justiça!”
As ovelhas, como já foi dito, quando entregues a si mesmas, seguem sempre pelos mesmos caminhos, pastam nos mesmos pastos, ainda que ruins. Os pastores têm de guiá-las por caminhos melhores e para os pastos verdejantes, alternando sempre, a bem dos pastos, das ovelhas e do próprio nome, ou seja, sua reputação de bom pastor. Davi tinha isso em mente quando acrescentou: Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome […].
As veredas da justiça são os caminhos de Deus, de Cristo, do bem. Esses caminhos levam a pastos diferentes, mas sempre novos, verdejantes. O Bom Pastor prometeu: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir […]” (Sl 32.8). Ele o faz por nós e por seu próprio nome! Quer manter sua reputação de Bom Pastor.
“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu está comigo. A tua vara e o teu cajado me consolam!”
A Palestina é acidentada, montanhosa. Os pastores conduziam seus rebanhos por vales e montanhas. Ao entardecer, voltando com as ovelhas, passavam por vales sombrios. Entre as rochas escondiam-se ladrões e animais ferozes. Eram, de fato, “vales de sombra e de morte”. Entretanto, os bons pastores defendiam suas ovelhas com sua vara e com seu cajado. Davi, certa vez, arriscou a vida para salvar suas ovelhas das fauces de um leão e de um urso (I Sm 17.34-36).
Jesus disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge […]” (Jo 10.11,12).
Então, como ovelhas de Jesus, o Bom Pastor, também podemos dizer-lhe, em oração: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (v.4). #ConfieEmDeus
Conclusão.
Muitos “rezam” o Salmo 23, mas não confiam de fato no SENHOR, seu e nosso BOM PASTOR, seja o Deus Pai, ou o Deus Filo, Jesus. Podemos e devemos fazer essa oração, ou alguma outra semelhante, confiar e descansar!
#DeusCuidaDeMim
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