Ele tem. Não uma destas milhares de religiões que existem no mundo, mas a religião pura e verdadeira, a que tem respaldo bíblico, a que nada mais é do que fé genuína e prática dos ensinos gerais da Palavra de Deus, principalmente os ensinos do próprio Jesus nos evangelhos.
Eu já havia concluído esta mensagem quando me deparei com um texto de Trevin Wax, no site Coalizão pelo Evangelho (TGC Brasil), intitulado: A religiosidade está de volta (Nota 1). O título já nos diz alguma coisa. Quanto ao mais, citarei partes deste importante artigo quando abordar o tema igreja e instituição.
O que o apóstolo Tiago ensinou sobre a verdadeira religião.
Na sua carta, Tiago – irmão de Jesus – enfatiza que a fé sem prática é morta. Para ele, religião verdadeira envolve: pureza moral, controle da língua, mansidão, caridade, não fazer acepção de pessoas, vida de oração, reconhecimento e confissão de pecados, submissão à vontade de Deus, e muito mais…
Ele resume assim:
“Removam toda impureza e maldade e aceitem humildemente a palavra [Palavra de Deus] que lhes foi implantada no coração […]. Não se limitem, porém, a ouvir a palavra; ponham-na em prática […]. A religião pura e verdadeira aos olhos de Deus, o Pai, é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo […]. De que adianta, meus irmãos, se disserem que têm fé e não o demonstram por meio de suas ações?” (Tg 1.21,22,27).
Nas cartas de Paulo, fé e obras caminham juntas
O apóstolo Paulo enfatiza que somos salvos pela graça, mediante a fé – não pelas obras. Mas, logo em seguida, afirma que fomos recriados em Cristo para praticar boas obras (Ef 2.8-10). Recriados espiritualmente; o que Jesus chamou de “novo nascimento”, um recomeço.
Ao contrario do que muitos pensam, boas obras nestas passagens não são apenas ajuda aos necessitados, atos de caridade. Paulo inclui santidade, verdade, trabalho honesto, bons tratos, relacionamentos familiares, amor, perdão, educação de filhos, etc. (Ef 4 e 5; Cl 3).
Então, vale repetir:
A religião pura e verdadeira é a que tem respaldo bíblico, a que nada mais é do que a prática dos ensinos gerais da Palavra de Deus e, principalmente, os ensinos do próprio Jesus.
Trata-se de uma resposta agradecida à salvação que Deus proveu para nós por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz, e às inúmeras manifestações de sua graça em nosso dia a dia.
Aliás, esta é uma das principais diferenças entre a religião cristã e as demais religiões. A religião cristã e bíblica é uma consequência e resposta do crente ao que Deus já fez por ele. As demais religiões incentivam o pecador a fazer por onde receber salvação e graça, seja de Deus ou dos deuses.
Outras definições e riscos
Há muitas outras definições de religião. Veja esta que encontrei no site Significados (Veja nota 2):
“Religião é um conjunto de crenças e práticas, rituais e valores que ligam os seres humanos a algo considerado sagrado e divino […]. Por meio da religião as pessoas compartilham rituais, tradições e códigos de conduta. Para muitos a religião é uma fonte de conforto diante do sofrimento e de esperança para o futuro.”
Essa definição serve para quase todas as religiões. Mas o cristão precisa ser mais específico: a fé cristã é bíblica, centrada em Cristo e vivida no poder do Espírito Santo.
O perigo é reduzir a religião a uma religiosidade formal, vazia, ritualista, sem essência. Foi exatamente isso que os profetas denunciaram no Antigo Testamento e que Jesus confrontou em seu tempo.
Crises religiosas em Israel
Durante o Exílio dos judeus na Babilônia, o profeta Ezequiel lhes pregou a Palavra de Deus. Para sua tristeza, Deus lhe disse:
“Seu povo fala de você em suas costas. Dizem uns aos outros: Venham, vamos ouvir o que o profeta tem a nos dizer da parte do Senhor. Eles vêm, fingindo ser sinceros […]. Ouvem suas palavras, mas não têm intenção alguma de pô-la em prática. Têm a boca cheia de palavras sensuais e seu coração só quer dinheiro […]” (Ez 33.30-31).
Num outro tempo, Deus chegou mesmo a dizer aos pretensos adoradores em Israel:
“Quem dera um de vocês fechasse as portas do templo […]. Não me agrado de vocês […] e não aceitarei suas ofertas […]. Vocês, com suas ações, desonram meu nome […]” (Ml 1.10,12).
No Novo Testamento, Jesus confrontou os líderes religiosos, seus contemporâneos. Eles eram hipócritas, não praticavam o que ensinavam, impunham regras não ordenadas por Deus, usavam a religião para se exibir e auto promover, atentavam para o que era externo, em detrimento do interno (Mt 23).
O apóstolo Paulo profetizou tempos difíceis, de muita maldade, uma vez que as pessoas “serão religiosas apenas na aparência, mas rejeitarão o poder capaz de lhes dar a verdadeira devoção” (II Tm 3.1-5).
Devoção, uma característica importante da religião verdadeira.
Lamentavelmente, muitos “religiosos” o são apenas externamente, por tradição ou qualquer outro motivo, mas não por genuína conversão a Cristo. Não são devotos ou piedosos como o Centurião Cornélio, descrito em Atos 10 como “um homem devoto e temente a Deus, junto com toda a sua família”.
O apóstolo Paulo recomendou ao jovem Timóteo: “Exercite-se na devoção“ (NVT), ou “Exercita-te na piedade” (RA, I Tm 4.7). Isso mostra que a fé cristã envolve treinamento espiritual, vida de oração, estudo e prática da Palavra.
Conclusão: cristãos de verdade
Ao longo dos séculos, as palavras “cristão”, “cristianismo” e “religião” foram desgastadas. Mas ainda têm valor, desde que bem explicadas:
Tome algum tempo para refletir sobre este tema e se perguntar:
Que o Senhor nos ajude! Que a nossa religiosidade seja sincera e uma inspiração para muitos. Tudo para a glória de Deus.
Nota
Um texto interessante sobre “Os sem religião”
#FéEmDeus
Pr. Éber Lenz César
Veja as outras mensagens desta série:
II. Evangélico é termo desgastado, mas
III. Igreja é, sim, uma instituição, mas…
IV. Adoração pode ser espontânea e informal, mas
Aguarde as outras mensagens (uma ou duas por semana). Agradeço se comentar e compartilhar sua opinião.
#MensagensCristãs
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