A orientação do apóstolo Paulo nesta passagem é bem próxima daquela que diz “exortai-vos uns aos outros”. Ambas vêm da mesma raiz grega usada para “exortação” e também para o título “Consolador”, dado ao Espírito Santo em João 16.7. A diferença é sutil, mas importante: exortação é o encorajamento que alguém precisa quando está abatido pela falta de fé ou negligência espiritual; já a consolação é o encorajamento e o alívio necessários quando alguém está triste, sofrendo ou passando por alguma provação. Consolar significa trazer conforto, aliviar a dor, suavizar o sofrimento.
Paulo, que conheceu de perto as dores e perseguições da vida cristã, escreveu aos Romanos:
“Muito desejo ver-vos […] para que, em vossa companhia, reciprocamente nos confortemos por intermédio da fé mútua, vossa e minha” (Rm 1.11-12).
O Consolo e a Palavra de Deus
A consolação, assim como a exortação, firma-se nos relatos bíblicos do que Deus tem feito por seus filhos, e também em suas “preciosas e mui grandes promessas” (II Pe 1.4). O cristão sofrido e entristecido é consolado quando um outro irmão lhe ministra a Palavra.
Paulo explica isso em 1 Co 14.3,31: “Aquele que fala inspirado por Deus, fala aos homens para edificação, exortação e consolação […]. Todos podem falar, para que todos aprendam e sejam consolados.” Em Rm 15.4, ele reforça: “Tudo o que foi escrito no passado, foi escrito para nosso ensino, a fim de que, pela perseverança e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.”
Paulo consolou aos cristãos de Tessalônica que estavam entristecidos com a morte de alguns irmãos. Como foi que ele o fez? Instruindo-os acerca do que vai acontecer com os que “dormem”: Eles vão ressuscitar quando o Senhor voltar e, reunidos aos cristãos que estiverem vivos na ocasião, serão arrebatados para o encontro com o Senhor nos ares (I Ts 4.13-17). Concluiu com esta recomendação: “Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (v.18). Com estas e com tantas outras igualmente confortadoras que encontramos na Bíblia. Estas são de fato palavras de vida e esperança!
O perigo do “consolo” meramente humano.
Infelizmente, muitas vezes os cristãos tentam consolar os que estão abatidos e sofrendo usando apenas experiências pessoais ou palavras de sabedoria humana. Em vez de aliviar, acabam aumentando ainda mais a dor. Experiências podem ser úteis, sim, mas somente quando confirmam e apontam para a Palavra de Deus.
Quem consola, afinal, é o Espírito Santo, o “Consolador” (Jo 14.16; 16.7) e o “Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdia e Deus de toda a consolação! ‘E Ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (II Co 1.3-4). “Deus conforta os abatidos” (II Co 7.6).
“Ora, nosso Senhor Jesus Cristo mesmo, e Deus nosso Pai que nos amou e nos deu eterna consolação e boa esperança… console os vossos corações […]” ( II Ts 2.16-17).
a) A perda de um ente querido
b) A perda de emprego
c) Dificuldades financeiras
d) Doença ou acidentes
e) Injustiças ou maus-tratos
f) Problemas familiares
g) Culpa por um pecado cometido
4. Se não buscarmos na Palavra de Deus a base do consolo, que tipo de “conforto” restará? (Veja Zc 10.2; Jó 16.1-3; 21.34).
5. O salmista lamentou: “Esperei por consoladores, e não os achei” (Sl 69.20). Você já viveu algo parecido? Ou alguém pode ter esperado pelo seu consolo… e não o recebeu?
Éber Lenz César
Se este estudo lhe foi útil e edificante, agradeço se comentar no formulário a seguir e o recomendar.
[wpforms id=”17591″]
Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
0
Sua avaliação é muito importante!