Todos nós enfrentamos dificuldades e desafios na vida. Por mais fortes e otimistas que sejamos, existem momentos em que tudo parece pesado demais, até impossível de suportar. Nessas horas, precisamos reagir contra a incredulidade, o pessimismo e o desânimo. E isso se torna muito mais fácil quando um amigo, um irmão ou irmã em Cristo se aproxima para nos lembrar do cuidado de Deus no passado e nos animar com palavras de fé e coragem. Amanhã, pode ser a nossa vez de fazer o mesmo por ele. Por isso a Bíblia nos recomenda: “Exortai-vos mutuamente […]” (Hb 3.13).
É comum confundirmos exortação com admoestação. Mas exortação é encorajamento; admoestação e correção. Por na Nova Versão Transformadora o texto citado já vem assim: “Encorajem-se uns aos outros, todos os dias…”
Quando o esquecimento desanima
O autor da carta aos Hebreus lembra o Salmo 95, que menciona a caminhada de Israel no deserto, sob a liderança de Moisés. Depois de atravessar o Mar Vermelho, a pé enxuto, o povo caminhou três dias e chegou a Mara. Então, faltou água potável e algum outro tipo de comida, além do maná. Deus proveu água, pão e carne em pleno deserto (Êx 15–16). Mais tarde, em Refidim, a água acabou de novo e, esquecendo-se do que Deus já havia feito, o povo reclamou e brigou com Moisés. Mesmo assim, o Senhor, em sua misericórdia, fez sair água da rocha (Êx 17).
O problema é que Israel esquecia rapidamente os milagres de Deus. Esqueceu o milagre do Mar Vermelho, as águas de Mara, o maná, as codornizes… e, por não se lembrar das provisões anteriores, sempre reagia com incredulidade e murmuração diante de novas dificuldades.
Quando a lembrança encoraja
Isso também ficou claro em Cades, quando os doze espias que Moisés enviou para espiar a Terra Prometida regressaram relatarando o que tinham visto (Nm 13–14). Dez deles só enxergaram os obstáculos e desanimaram o povo. Mas Josué e Calebe, otimistas e confiantes, falaram bem da terra e encorajaram o povo: ”Eia! Subamos e possuamos a terra, porque, certamente, prevaleceremos contra ela” (Nm 13.30). Disseram mais:
“A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muitíssimo boa […]. Não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra […]. O Senhor é conosco; não os temais” (Nm 14.7-9).
Noutras palavras: “Vamos, gente! Não tenham medo. Vamos conquistar essa terra, porque o Senhor está conosco e certamente nos dará a vitória!”
Infelizmente, o povo não ouviu e, por causa da incredulidade, aquela geração não entrou em Canaã, a Terra Prometida. Apenas Josué e Calebe puderam entrar porque mostraram “um espírito diferente” e confiaram em Deus (Nm 14.24).
O descanso de Deus
O autor da epístola aos Hebreus recorda essas facetas da história de Israel, e pergunta:
“Contra quem (Deus) se indignou por quarenta anos? […]. E contra quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão contra os que foram desobedientes? Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade” (Hb 3.17-18).
O objetivo do apóstolo é fazer-nos entender que, se formos incrédulos e desobedientes, também não entraremos no “descanso de Deus”.
Há quem compare a libertação de Israel da escravidão do Egito com a nossa libertação da escravidão do pecado; suas jornadas no deserto com as nossas peregrinações neste mundo; e a Terra Prometida com o céu. Entrar no “descanso de Deus” para nós é entrar no céu. Todavia, há outros “descansos”, aqueles que Deus nos dá depois das conquistas que empreendemos. Nestes também só entram os que confiam e obedecem. Daí essa exortação ou advertência:
“Cuidem-se, irmãos, para que nenhum de vocês tenha um coração incrédulo que se afaste do Deus vivo. Pelo contrário, encorajem-se uns aos outros todos os dias […]” (Hb 3.12–13)
O remédio contra a incredulidade, o pessimismo e o desânimo é o encorajamento baseado no que Deus já fez e ainda pode fazer. Josué e Calebe lembraram alguns dos grandes feitos do Senhor no passado, e encorajaram o povo a confiar em Deus, no presente. Assim devemos fazer.
O cântico “De da vida as vagas procelosas são […]” é um bom exemplo. Vou citar uma estrofe apenas, e numa linguagem mais atual:
“Se as ondas da vida forem fortes,
e o desalento tentar dominar,
conte as bênçãos, uma por uma,
e veja o quanto Deus já fez.”
Perguntas para reflexão e discussão em Pequenos Grupos
Durante a caminhada no deserto, o povo de Israel murmurou e desanimou várias vezes. Você concorda que isso aconteceu porque eles esqueceram rapidamente os milagres que Deus já tinha feito por eles? Quais milagres você lembra? (Leia Êx 14.10ss; 15.22ss; 16.4ss).
Éber Lenz César
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