Se não aprendermos a acolher e a considerar uns aos outros, como já vimos anteriormente, dificilmente conseguiremos nos suportar dentro do corpo de Cristo.
1. Quando o outro é um peso
A palavra “suportar” significa literalmente aguentar um peso. Por isso, quando a Bíblia nos manda “suportar uns aos outros”, ela está reconhecendo que, dentro da igreja (aplica-se também à família, ao ambiente do trabalho e comunidades), convivemos com pessoas de diferentes origens, culturas, opiniões e costumes — e tudo isso pode se tornar um fardo.
Mas esse peso não deve ser carregado com má vontade. Pelo contrário: o apóstolo Paulo ensina que só conseguimos suportar uns aos outros quando deixamos que o Espírito Santo produza em nós sentimentos de misericórdia, bondade, mansidão, paciência e amor (Cl 3.12-14; cf. Ef 4.1-3).
2. Um exemplo prático
Nos capítulos 14 e 15 de sua carta aos Romanos, o apóstolo Paulo trata de conflitos de opinião entre os cristãos do seu tempo:
Perceba como Paulo aborda a questão:
A Bíblia Viva traduz assim:
“Mesmo que saibamos que certas coisas não têm importância, não devemos simplesmente fazer o que queremos. Precisamos levar em conta as dúvidas e os medos dos irmãos, e não usar a nossa liberdade de forma que os faça tropeçar.”
3. Quem é o árbitro nestas questões?
Paulo acrescenta: “Que a paz de Cristo seja o árbitro no coração de vocês” (Cl 3.15). Isso significa que, quando surgem divergências dentro da igreja (e também na família e noutros grupos), é a paz de Cristo que deve reger nossas reações. Se essa paz permanece em nosso coração, sabemos que estamos lidando com as diferenças de forma amorosa, com bondade, mansidão, paciência e amor.
Mas existe um perigo: podemos nos enganar achando que estamos em paz, quando, na verdade, apenas impusemos nossas opiniões e gostos sobre os outros. Essa não é a paz de Cristo, mas uma falsa paz, fruto de orgulho ou de sensação de vitória sobre o outro (Jo 14.27).
Por isso, Paulo completa: “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; instruam-se e aconselhem-se uns aos outros” (Cl 3.16). Ou seja: a paz de Cristo é o árbitro interno (subjetivo), mas a Palavra de Cristo (a Bíblia) é o árbitro externo (objetivo). No próximo estudo, falaremos mais sobre essa instrução mútua.
Perguntas para reflexão e discussão em grupo
Éber Lenz César
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