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SÉRIE: Uns aos outros. IV. “Suportai-vos uns aos outros” (Cl 3.13)  

Se não aprendermos a acolher e a considerar uns aos outros, como já vimos anteriormente, dificilmente conseguiremos nos suportar dentro do corpo de Cristo.

1. Quando o outro é um peso

A palavra “suportar” significa literalmente aguentar um peso. Por isso, quando a Bíblia nos manda “suportar uns aos outros”, ela está reconhecendo que, dentro da igreja (aplica-se também à família, ao ambiente do trabalho e comunidades), convivemos com pessoas de diferentes origens, culturas, opiniões e costumes — e tudo isso pode se tornar um fardo.

Mas esse peso não deve ser carregado com má vontade. Pelo contrário: o apóstolo Paulo ensina que só conseguimos suportar uns aos outros quando deixamos que o Espírito Santo produza em nós sentimentos de misericórdia, bondade, mansidão, paciência e amor (Cl 3.12-14; cf. Ef 4.1-3).

2. Um exemplo prático

Nos capítulos 14 e 15 de sua carta aos Romanos, o apóstolo Paulo trata de conflitos de opinião entre os cristãos do seu tempo:

  • Alguns achavam que não havia problema em comer carne sacrificada aos ídolos; outros consideravam isso errado e preferiam comer apenas verduras.
  • Alguns julgavam que certos dias religiosos ainda deveriam ser guardados; outros entendiam que todos os dias pertencem igualmente a Deus.

Perceba como Paulo aborda a questão:

  • Ele tira o foco do “eu penso”, “eu quero” e coloca a questão no patamar mais alto do amor (Rm 14.3,13,15,21). Em Efésios 4.2-3 ele resume: “suportem-se uns aos outros em amor”.
  • O apóstolo recomenda que os “fortes” — os que entendem melhor o que realmente tem valor espiritual — suportem, carregarem o peso dos “fracos”, e não vivam para agradar a si mesmos (Rm 15.1-3).

A Bíblia Viva traduz assim:

“Mesmo que saibamos que certas coisas não têm importância, não devemos simplesmente fazer o que queremos. Precisamos levar em conta as dúvidas e os medos dos irmãos, e não usar a nossa liberdade de forma que os faça tropeçar.”

3. Quem é o árbitro nestas questões?

Paulo acrescenta: “Que a paz de Cristo seja o árbitro no coração de vocês” (Cl 3.15). Isso significa que, quando surgem divergências dentro da igreja (e também na família e noutros grupos), é a paz de Cristo que deve reger nossas reações. Se essa paz permanece em nosso coração, sabemos que estamos lidando com as diferenças de forma amorosa, com bondade, mansidão, paciência e amor.

Mas existe um perigo: podemos nos enganar achando que estamos em paz, quando, na verdade, apenas impusemos nossas opiniões e gostos sobre os outros. Essa não é a paz de Cristo, mas uma falsa paz, fruto de orgulho ou de sensação de vitória sobre o outro (Jo 14.27).

Por isso, Paulo completa: “Habite ricamente em vocês a palavra de Cristo; instruam-se e aconselhem-se uns aos outros” (Cl 3.16). Ou seja: a paz de Cristo é o árbitro interno (subjetivo), mas a Palavra de Cristo (a Bíblia) é o árbitro externo (objetivo). No próximo estudo, falaremos mais sobre essa instrução mútua.

Perguntas para reflexão e discussão em grupo

  1. No contexto de sua família, estudo ou trabalho há pessoas que pensam muito diferente de você em questões mais ou menos importantes?  Na igreja, você convive com irmãos que pensam e agem de modo muito diferente de você? Pode citar exemplos?  
  2. Essas diferenças são realmente essenciais para a sua comunhão com Cristo e para o testemunho da igreja?
  3. Seu ponto de vista se apoia em princípios claros da Palavra de Deus ou apenas em tradições e preferências pessoais? Leia Mt 7.1-9.
  4. Como você tem reagido às pessoas que pensam diferente de você?
  5. O que a Bíblia recomenda nessas passagens?
    • Rm 14.1 ________________________________________________
    • Rm 15.1-3 ______________________________________________
    • Rm 14.2-4 ______________________________________________
    • Rm 14.13,20-21 _________________________________________
    • Rm 14.19 _______________________________________________
    • Cl 3.12-14 ______________________________________________
  6. “Suportar uns aos outros” exclui buscar consenso em pontos de divergência? Leia Fp 2.2; 4.2. Como podemos crescer nessa unidade de pensamento? Veja Cl 3.16 e o próximo estudo.

Éber Lenz César

 

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