Avivamentos no transcorrer da história bíblica.
Nesta mensagem e nas próximas, vamos repassar a história bíblica, muito resumidamente, e destacar os períodos mais marcantes de crise e avivamento, observando as circunstâncias que tornaram os avivamentos necessários, os passos que os possibilitaram, a maneira como Deus os realizou e as bênçãos que os acompanharam. Veremos que a Bíblia tem um padrão de avivamento. Precisamos conhecê-lo e conduzir-nos por ele. O salmista orou: “Vivifica-me, Senhor, segundo a tua Palavra” (Sl 119.107).
Avivamento do Setitas
Nossos primeiros pais, Adão e Eva, como se sabe, foram criados sem pecado, portanto, sem necessidade alguma de avivamento. Desfrutavam perfeita comunhão com Deus. A certa altura, porém, eles desobedeceram a Deus e introduziram o pecado na história humana. Na genealogia que aparece em Gn 5, lemos que Adão “teve filhos e filhas”. Os dois primeiros foram Caim e Abel. Caim matou Abel, casou-se (obviamente com uma irmã) e gerou filhos e filhas. Seus descendentes, os Caimitas, foram igualmente violentos e ímpios (Gn 4.17-24). Parecia não haver mais esperança de vida melhor, segundo os planos de Deus. Mas, então, surge uma luz no meio das trevas:
“Adão teve relações com sua mulher novamente, e ela deu à luz outro filho. Chamou-o de Sete, pois disse: Deus me concedeu outro filho no lugar de Abel, a quem Caim matou. Quando Sete chegou à idade adulta, teve um filho e o chamou de Enos. Nessa época, as pessoas começaram a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.25-26).
A humanidade, ainda iniciante, estava enferma. Era um tempo de crise. Por essa razão, provavelmente, Sete, o terceiro filho de Adão e Eva mencionado por nome, deu ao seu filho o nome de Enos, que quer dizer “doentio”. Não foi porque a criança nasceu fraca e doente, pois, segundo o relato bíblico, Enos viveu 905 anos! (Gn 5.11). Os Setitas (descendentes de Sete), diferentemente dos Caimitas, buscavam o Senhor. Alguns deles viveram num estado de avivamento contínuo. Enoque, por ex., “andou com Deus” (Gn 5.24). Noé, que também andou com Deus, “era justo e íntegro entre os seus contemporâneos” (Gn 5.29; 6.9).
Para prejuízo da linhagem de Sete, alguns dos seus descendentes casaram-se com descendentes de Caim. Em consequência, veio um período de corrupção generalizada (Gn 6.1-5). Razão porque Deus anunciou o dilúvio (Gn 8.22ss). Noé, “que proclamava a justiça” (II Pe 2.5), advertiu seus contemporâneos do iminente castigo de Deus, caso não se arrependessem. Mas eles não lhe deram ouvidos e “veio o dilúvio e os levou a todos” (Mt 24.39; Gn 7). Juízo igualmente severo caiu sobre os “extremamente perversos” habitantes de Sodoma e Gomorra, e isto apesar da intrépida intercessão de Abraão a seu favor. Não foram encontrados nem sequer dez justos naquelas cidades (Gn 13.13; 18.20-19.29).
Estes fatos ilustram dramaticamente o que acontece aos pecadores que se recusam a invocar o nome do Senhor (seguindo o exemplo dos primeiros setitas), e viver em comunhão com o Senhor, fazendo sua vontade. Deus é longânimo e misericordioso, mas é severo com os que não se arrependem de seus pecados (Rm 11.22). Em última análise, é avivamento ou catástrofe.
2. Israel no Egito: fogo quase apagando
Passaram-se muitos séculos. Noé, o Setita já mencionado, foi salvo do dilúvio juntamente com sua esposa, seus filhos Sem, Cam e Jafé e as esposas destes, oito pessoas ao todo. Recomeça a história… Mais à frente, a nova humanidade corrompe-se e rejeita o plano de Deus, o de possuir a terra e espalhar-se pelo globo. Liderados por um certo Ninrode, urbanizam-se e constróem ou tentam construir a torre de Babel. Deus lhes confunde a língua e os força à dispersão. Mas de um modo que os descendentes de Jafé (Jafetitas) vão para o norte, os descendentes de Sem (Semitas) ficam no centro, e os descentes de Cam (Camitas) vão para o sul (Gn 10-11). Deus tinha seus planos…
Algum tempo mais tarde, Deus chama Abrão, um semita, promete abençoá-lo de modo que viesse a ser, ele e a sua descendência, uma bênção para todas as nações. Em outros termos, ele deveria ser um instrumento de avivamento.
Seguem-se as histórias de Isaque, Jacó e José, respectivamente filho, neto e bisneto de Abraão. José, ao contrário de seus irmãos, foi um homem de Deus e instrumento de salvação. Tornou-se governador do Egito. Ocorrendo um período de seca em toda a região, ele levou para o Egito seu pai Jacó, seus irmãos e respectivas famílias, setenta pessoas ao todo. Então, Jacó era Israel; no Egito, seus descendentes foram chamados de hebreus; depois, Israelitas (Gn 17-50).
Após a morte de José, nenhuma liderança de peso surgiu para orientar o povo de Deus. Israel contaminou-se com os ídolos do Egito e cometeu abominações aos olhos de Deus (Js 24.14; Ez 20.6-8). O Senhor os advertiu ordenando-lhes que se desfizessem dos ídolos e dos maus costumes que haviam aprendido com seus vizinhos, mas eles não quiseram ouvi-lo. Então veio o castigo, a disciplina de Deus: “[…] subiu ao poder no Egito um novo rei, que não sabia coisa alguma sobre José” (Êx 1.8). Este Faraó fez amargar a vida de Israel no Egito com dura escravidão (Êx 1.13,14; At 7.18-19). Outra vez observamos que onde não se mantém acesa a chama do avivamento (do amor e da obediência a Deus), a disciplina do Senhor é inevitável, e as coisas ficam muito difíceis…
Moisés, líder de avivamento
O sofrimento de Israel no Egito durou 400 anos. Seus gemidos e lágrimas, por fim, transformaram-se em orações. “Depois de muitos anos, o rei do Egito morreu. Os israelitas, porém, continuavam a gemer sob o peso da escravidão. Clamaram por socorro, e seu clamor subiu até Deus. Ele ouviu os gemidos e se lembrou da aliança que havia feito com Abraão, Isaque e Jacó. Olhou para os israelitas e percebeu sua necessidade” (Êx 2.22-23).
Como geralmente acontece em tais circunstâncias, Deus levantou um novo líder para seu povo (Êx 3). Moisés foi o instrumento que Deus usou para tirar Israel do Egito e conduzi-lo através do deserto até quase chegarem à Terra Prometida. “Israel viu o grande poder do Senhor contra os egípcios, encheu-se de temor diante dele e passou a confiar no Senhor e em seu servo Moisés” (Êx 14.31. Ver 18.11).
Porém, no deserto, o trabalho tornou-se exaustivo para Moisés, pelo que, seguindo o conselho do sogro, ele “escolheu homens capazes […] e os nomeou líderes de grupos de mil, cem, cinquenta e dez pessoas” (Êx 18.24-25). Algo como os nossos pastores auxiliares, presbíteros, diáconos e líderes de pequenos grupos. O cântico de Moisés em Ex 15 foi, por assim dizer, o hino oficial deste avivamento: “Cantarei ao Senhor, pois triunfou gloriosamente […]. O Senhor é minha força e minha canção; ele é meu Salvador! É o meu Deus e eu o louvarei […]” (Êx 15.1-2).
Avivamento no Sinai
Porém, Israel não confiou no Senhor em todo o tempo. Houve períodos de fraqueza de fé, murmuração e até mesmo de idolatria. Moisés, em cada situação de pecado, orava e intercedia pelo povo. O Senhor foi misericordioso e perdoador com os arrependidos, e severo com os impenitentes.
No Monte Sinai, a meio caminho de Canaã, a Terra Prometida, Deus recordou ao povo o que lhes fizera no Êxodo, e lhes disse:
“’Vocês viram o que fiz aos egípcios. Sabem como carreguei vocês sobre asas de águias e os trouxe para mim. Agora, se me obedecerem […] serão meu tesouro especial dentre todos os povos da terra […]. Serão meu reino de sacerdotes, minha nação santa […]’. Moisés voltou do monte, convocou os líderes do povo e lhes comunicou tudo que o Senhor havia ordenado. Todo o povo respondeu a uma só voz: ‘Faremos tudo que o Senhor ordenou!’” (Êx 19.4-8).
Na ocasião, Deus manifestou sua presença poderosa e santa com fumaça e chamas de fogo sobre o Monte Sinai (Êx 19.18). Então, o povo se purificou e se consagrou ao Senhor (vs.10 e14). Foi neste contexto de avivamento que Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos e muitas outras leis (Êx 20).
Nesse avivamento, o do Sinai, veem-se os mesmos ingredientes que observamos noutros avivamentos bíblicos, ou sejam:
Deus promete abençoar-nos de modo especial sob essas condições. Repetindo:
“Eu os trouxe para mim. Agora, se me obedecerem […] serão meu tesouro especial dentre todos os povos da terra […]. Serão meu reino de sacerdotes, minha nação santa”.
O apóstolo Pedro, inspirado pelo Espírito Santo, aplicou estas palavras à Igreja, e escreveu:
“Vocês são povo escolhido, reino de sacerdotes, nação santa, propriedade exclusiva de Deus. Assim, vocês podem mostrar às pessoas como é admirável aquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (I Pe 2.9-10)
Nesta passagem, fica ainda mais claro que Deus nos faz seu povo, nos abençoa e aviva para que sejamos uma bênção para a sociedade no meio da qual vivemos, dizendo-lhes: “Como é admirável aquele que nos chamou” ou, como lemos noutra versão, proclamando a “virtudes” do Senhor. O avivamento da igreja estende-se à cidade e ao país!
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