Na igreja primitiva, quando ainda prevalecia o Espírito do Pentecostes, os cristãos costumavam reunir-se no templo e nas casas para fazer estudo bíblico, celebrar a Ceia do Senhor, reforçar a comunhão espiritual e orar. Tinham momentos de grande alegria almoçando ou jantando juntos, ocasiões em que também louvavam a Deus. Os não cristãos olhavam a igreja de Cristo com simpatia, e o Senhor “acrescentava-lhes, dia a dia, os que iam sendo salvos” (At 2.42-47). A reunião no templo e nas casas, feitas no clima de avivamento, por si só, atraíam e convertiam pecadores todos os dias. Entretanto, havia a ordem do Senhor: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho […]” (Mr 16.15). E eles iam mesmo (At 8.4). Este exemplo sugere um outro estudo: Avivamento e as reuniões da Igreja, a começar pela pregação.
Fogo no púlpito.
Em colaboração com o Espírito, há muita coisa que nós podemos e devemos fazer para que os nossos cultos sejam verdadeira adoração e resultem em avivamento, um sopro dominical sobre as brasas dos nossos corações. Se desejar, leia também: Adoração pode ser esponânea e informal, mas…
Seria muito próprio que o fogo começasse no púlpito e passando por toda a congregação, chegasse à rua. Os nossos visitantes logo haveriam de reconhecer que Deus está no nosso meio (Ver Gn 28.16 e I Co 14. 23-25).
Um conhecido pregador inglês, muito eloquente, foi convidado para pastorear uma igreja. Era uma congregação fria que precisava muito de um avivamento. A princípio, o novo pastor nutriu a esperança de que seus sermões e sua oratória logo haveriam de avivar a igreja. Contudo, o avivamento não veio. Numa noite de sábado, revendo seus sermões para o culto de domingo, o pastor percebeu que havia vaidade e egoísmo no seu coração. Ele ousara pensar que sua habilidade para pregar mudaria as coisas naquela igreja, e se esquecera de que “o Espírito é o que vivifica” (Jo 6.63). O conflito espiritual prolongou-se até à meia noite. Quando o jovem pastor buscou a face de Deu, tudo o que ele pôde ouvir foi: “Queime estes sermões! Queime estes sermões”. Finalmente, às 3:00 da madrugada, ele acendeu um fogo na cozinha e queimou seus sermões. Enquanto as chamas consumiam seus discursos empolados, parecia-lhe que um outro fogo acendia-se em seu coração. No dia seguinte, havia fogo no púlpito daquela igreja, e logo, nos bancos também.
Não há nada que seu pastor mais deseja do que isto, irmão amado! Por isso ele lhe pede, usando as palavras do apóstolo Paulo: “Orai em todo o tempo […] também por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra, para com intrepidez, fazer conhecido o mistério do Evangelho […] para que em Cristo eu seja ousado para falar, como me cumpre fazê-lo” (Ef 6. 18-20).
O que é válido para o pastor, também o é para os oficiais da igreja (que também pregam), os professores da Escola Dominical, os líderes dos Pequenos Grupos, os coordenadores de departamentais da igreja. Os avivamentos registrados na Bíblia destacam o papel da liderança nos despertamentos espirituais do povo de Deus (Veja série Avivamentos no transcorrer da história bíblica, linkada no final da primeira mensagem). Cristo, a quem servimos, veio “para lançar fogo sobre a terra” (Lc 12.49).
Ressurrecto, Jesus citou e explicou as Escrituras para dois discípulos no caminho de Emaús. Lucas registrou que enquanto ele falava, os corações daqueles discípulos se abrasaram (Lc 24.32). Que o Senhor Jesus, pelo seu Espírito, use os pregadores hodiernos como tições para incendiar os corações dos ouvintes e alastrar o fogo do avivamento.
Fogo nos bancos.
Um outro pastor entristecia-se domingo após domingo com a frieza e apatia espiritual de sua igreja. Então, num certo domingo, ele interrompeu abruptamente seu sermão, e gritou: “Fogo! Fogo! Fogo! Fogo!” A congregação assustada, olhando à volta, perguntou: “Onde?” o pastor respondeu: “Nos corações dos crentes!”
Irmão, como está o seu coração? Que efeito tem sobre sua vida as pregações da Palavra de Deus? Ao que parece, em muitos casos, a pregação, os louvores, as orações e os apelos não têm efeito, não motivam, não transformam, não incendeiam os corações, transformando-os num tição de avivamento nas mãos de Cristo. Seria este o seu caso? Pense nisso com humildade! Há somente cinzas em seu coração? Brasas tiradas do fogo e que estão se apagando? Por quê? Será porque não há fogo no púlpito? Ou será porque você não se prepara adequadamente para os cultos e para os estudos bíblicos? Não podemos ir ao templo como quem vai ao cinema ou ao estádio de futebol. O culto que realizamos ali requer preparação. E podemos estar certos de que os programas e comerciais da televisão, o apego excessivo ao celular e as discussões conjugais (às vezes a caminho da igreja) não são uma boa preparação.
Não será que precisamos nos reconciliar com algum irmão antes do culto? (Ver Mt. 5. 23-24). Limpar nossos corações de “amargura, cólera, ira, gritaria, blasfêmia, malícia”? (Ef 5.31). Tiago recomendou: “Despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei com mansidão a Palavra […]. Tornai-vos praticantes da Palavra, e não somente ouvintes […]” (Tg 1. 21-22).
Lembremo-nos de que um grande avivamento começou na ilha de Lewis, nas Hébridas, quando um grupo de pessoas que orava pelo avivamento foi tocado com as palavra do salmista: “Quem subirá ao monte do Senhor? Quem há de permanecer no Seu santo lugar? O que é limpo de mãos e puro de coração […]. Este obterá do Senhor a bênção […]” (Sl 24. 3-5).
Éber Lenz César
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