Jesus já falou sobre o caráter do cristão (bem-aventuranças), a influência do cristão (sal e luz) e a justiça do cristão (aplicações da lei de Deus). Na sequência (Mt 6), ele fala ainda da justiça do cristão, mas numa outra área da vida.
Nos estudos sobre a #justiça moral, vimos que os fariseus, distorcendo a Lei, enfatizavam os procedimentos externos e aparentes em detrimento dos verdadeiros sentimentos e intenções do coração. Jesus, ao contrário, dizia que a observância da Lei deve começar no coração. Esmolas, oração e jejum não têm valor quando praticados externamente apenas, com a intenção hipócrita de parecer mais religioso ou piedoso do que realmente é.
Jesus advertiu: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles […]” (Mt 6.1). À primeira vista, essa advertência de Jesus pode parecer contraditória com o que ele disse antes: “Vós sois a luz do mundo […]. Brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras […]” (5.14,16). Mas não há contradição. Em Mt 6.1, o que Jesus condena é a prática de boas obras (morais ou religiosas) com a intenção de se exibir, de parecer o que não é e receber elogios por isso. Mas em Mt 5.14-16, ele ensina que as verdadeiras boas obras, tão naturais, espontâneas e visíveis como a luz; glorificam a Deus, não aos que as praticam (Mt 5.16b). Vamos examinar os três exemplos dados por Jesus.
1. A esmola do cristão (6.2-4).
O VT ensina muito sobre a compaixão pelos pobres. Deus é bom o misericordioso; nós também devemos ser (Mt 5.48). Jesus esperava que seus discípulos fossem doadores generosos, mas os advertia contra as motivações egoístas, exibicionistas. No caso das esmolas ou ofertas, o importante não é o que a mão está fazendo, mas o que o coração está pensando enquanto isso. Três possibilidades:
(a) desejo de aparecer e receber louvor das pessoas;
(b) desejo de sentir-se bem consigo mesmo;
(3) desejo de agradar a Deus e ser aprovado por ele.
Os #fariseus buscavam o louvor dos homens. Razão porque Jesus os chamou de “hipócritas” (o termo grego significa ator).
É fácil condenar os fariseus… Mais difícil é reconhecer que nós também, muitas vezes, gostamos de aparecer ou de “contar aos outros” a ajuda que damos aos necessitados ou as ofertas que damos na igreja, e isto com a intenção de receber elogios. Referindo-se aos fariseus, Jesus acrescentou: “[…] eles já receberam a sua recompensa” (6. 2). Se o que buscavam era a admiração e os elogios dos homens, já os tinham. Sempre há os que se impressionam com as representações dos atores que enchem os palcos da sociedade… e das igrejas.
Mas, então, qual é a maneira cristã e sincera de dar esmolas ou fazer ofertas? Jesus responde em Mt 6.3. Não toque trombeta, não alardeie; não busque a glorificação dos outros; e não fique pensando no que fez e se achando o máximo; isto é auto glorificação.
Jesus disse ainda: “Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (6.4). Não os homens, mas Deus, de algum modo. Há também a alegria de ver o contentamento e alívio do necessitado (ou da igreja) a quem se fez a doação.
2. A oração do cristão (6.5-6).
“Gostavam de orar […].” Se fosse só isto… Mas gostavam de orar em lugares públicos “para serem vistos dos homens”. A mesma intenção de se exibir, de parecer piedoso e ser admirado. Essa hipocrisia ainda ocorre em nossos dias. Precisamos examinar nossos motivos mais íntimos.
A orientação de Jesus no v.6 não significa que só podemos orar no quarto com a porta fechada. Jesus e os apóstolos oravam a sós e também com outras pessoas, em lugares públicos. Aqui também Jesus está falando da motivação: o desejo sincero de falar com Deus. “Fechar a porta” pode ser um equivalente ao fechar os olhos e se concentrar somente em Deus. De novo Jesus contrasta as recompensas: os que oram para serem vistos e admirados pelos homens só recebem isto. Os que falam com Deus, de verdade, têm resposta às suas orações (v.6. Ver SL 66.18-20).
3. O jejum do cristão (6.16-18).
#Jejum é abstenção total ou parcial de alimento durante períodos de tempo mais curtos ou mais longos. Os judeus jejuavam “duas vezes por semana” (Lc 18.12). João Batista e seus discípulos jejuavam regularmente. Antes de iniciar seu ministério terreno, Jesus jejuou (Mt 4.1-2), mas os discípulos de Jesus não jejuavam, quando com Jesus (Mt 9.14; Lc 5.33). Os apóstolos, mais tarde, jejuaram (At 13.2-3).
Na Bíblia, o jejum relaciona-se com a auto-humilhação, #arrependimento, quebrantamento, confissão, autodisciplina e oração (Sl 35.13; Is 58.3,5; Ne 9.1-2; Jn 3.5; Dn 9.2ss; At 9.9). Jejum e oração eram praticados em situações especiais de maior necessidade, visando bênçãos especiais (Ef 4.16; At 13.1-3).
O problema com os fariseus, referido nesta passagem do Sermão do Monte, era, uma vez mais, a hipocrisia, a intenção de “parecer aos homens que jejuavam” (Mt 6.16). E de novo Jesus menciona a recompensa humana que buscavam e a recompensa ou bênção de Deus pelo jejum espontâneo e sincero (vs. 16b, 18b). A orientação do v. 17 não implica em nada especial, fora do comum, mas apenas a naturalidade, que não tem nenhuma intenção de fingir espiritualidade. Seria pieguice.
(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott , A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997.Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos e pregações. Não pode ser impresso e vendido).
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