Estudos no Sermão do Monte
Em seguida às bem-aventuranças que descrevem o caráter do cristão, Jesus passou a dizer aos seus discípulos que eles poderiam exercer uma forte influência sobre o mundo, se cultivassem aquele caráter.
Usando metáforas conhecidas, disse-lhes:
“Vós sois o sal da terra […]. Vós sois a luz do mundo […].”
A necessidade da luz é óbvia. E o sal tem uma variedade de usos. É condimento e preservativo. No passado, antes do invento da refrigeração, ele era usado principalmente para preservar a carne do apodrecimento. E na verdade ainda o é, como no charque, também chamado carne-de-sol. É o sal que o conserva e lhe dá sabor.
1. Igreja e mundo: duas comunidades distintas.
Essas duas comunidades são diferentes, mas relacionadas. A diferença é radical e imprescindível; a relação é necessária. Explicando:
Evidentemente, a humanidade é insossa e está apodrecendo; precisa do sal. O mundo é tenebroso e perdido, e precisa de luz.
Estes esclarecimentos são importantes porque, hoje em dia, é simpático e mais elegante deixar indefinidas as fronteiras e as diferenças entre as duas comunidades, igreja e mundo. Mas, vamos desenvolver mais o significado dessas metáforas.
2. O sal da terra (Ler Mt 5.13).
Isto significa que os crentes verdadeiros, os que têm ou estão desenvolvendo as características referidas nas bem-aventuranças, são como o sal: têm um tremendo poder de penetração e transformação. Ao passo que a humanidade é como a carne em processo de deterioração ou apodrecimento. Os cristãos podem retardar esse processo ou mesmo revertê-lo, ainda que não totalmente.
Deus estabeleceu outras influências restringentes na humanidade, tais com o Estado e a Família. Estas e outras instituições exercem uma influência sadia sobre a sociedade. Entretanto, Deus planejou que a mais poderosa força inibidora do pecado fosse a igreja.
A eficácia do sal está condicionada à sua salinidade (Veja 5.13b). O sal (cloreto de sódio) é um produto químico estável, resistente. Não obstante, pode ser contaminado por impurezas, tornando-se, então, inútil e até perigoso. Da mesma forma o cristão. A salinidade do cristão é o seu caráter conforme descrito nas bem-aventuranças (e em muitas outras passagens bíblicas). Isto é discipulado cristão verdadeiro, visível em atos e palavras.
Se o cristão for contaminado pelas impurezas do mundo, ele perde a salinidade, ou seja, sua capacidade de influenciar e mudar o mundo à sua volta.
3. A luz do mundo (Ler Mt 5.14-16).
Jesus disse também: “Vocês são a luz para o mundo […]”. Mais tarde ele diria: “Eu sou a luz do mundo […]” (Jo 8.12). Portanto, nós somos a luz do mundo por derivação, brilhamos com a luz de Cristo, como a Lua brilha com a luz do Sol (Fp 2.15). Isso acontece por meio das nossas “boas obras” ou “coisas boas que fazemos” (5.16, na RA e na BLH). Essas “boas obras” envolvem tudo o que fazemos por amor a Cristo e aos nossos semelhantes, e também nossa maneira de ser, agir e reagir. É a luz de Cristo brilhando do mundo através de nós!
A eficácia da luz está condicionada à sua intensidade e posição. Jesus acrescentou: “Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto. Pelo contrário, ela é colocada no lugar próprio para que ilumine a todos que estão na casa” (5.14-15, BLH). A luz de Cristo, que está em nós, não pode ser escondida dentro da igreja. Ela é útil lá fora, no mundo, nas trevas.
4. Responsabilidade dupla.
Nossa responsabilidade é dupla: “O sal e a luz têm coisas em comum: eles se dão e se gastam, e isto é o oposto do que acontece com qualquer tipo de religiosidade egocentralizada” (P. Thielicke).
Perguntas para reflexão:
(Resumo e adaptação livre do livro de John Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Ed ABU, São Paulo, SP, 2a edição, 1997. Pr. Éber Lenz Cesar, para Escolas Dominicais, Pequenos Grupos ou pregações).
#CristoViveEmMim
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