Na última mensagem, vimos que a mansidão anda de mãos dadas com a humildade em várias passagens do Novo Testamento. Humildade é, antes de tudo, reconhecer nossa dependência de Deus. A mansidão, por sua vez, se mostra principalmente em como nos relacionamos com os outros. Geralmente, quem é humilde também é manso.
1. Midiã: a escola da humildade e da mansidão
Moisés era altivo e independente, mas agiu precipitadamente e com violência no Egito. Achando que era “o cara” para libertar os hebreus da escravidão, acabou matando um egípcio para defender um hebreu. Com medo da punição do Faraó, fugiu para Midiã, onde passou quarenta anos longe dos holofotes. Deus usou esse tempo e o anonimato para torná-lo “[…] mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra” (Nm 12.3). Então, Deus apareceu a Moisés e lhe disse: “Vem, agora, e eu te enviarei a Faraó, para tirar o meu povo do Egito.” Moisés respondeu com humildade: “Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?” (Êx 3.10-11).
Assim como Moisés, muitas vezes pensamos que somos os “melhores” para certas tarefas ou ministérios. Essa falta de humildade pode gerar autoconfiança exagerada, sentimento de superioridade e prepotência, tornando-nos menos mansos em palavras e atitudes. Quando isso acontece, fracassamos e, às vezes, nos sentimos inúteis. Deus nos coloca na “Midiã” do anonimato até que aprendamos a humildade e a mansidão.
2. Mais do que ser delicado ou suave
Na Bíblia, mansidão vai além do ser delicado ou gentil. Significa abrir mão dos nossos direitos e entregá-los a Deus. Por exemplo, quando alguns samaritanos se recusaram a hospedar Jesus e seus discípulos, dois deles quiseram pedir a Deus para destruir aquela aldeia. Jesus respondeu: “Vocês não sabem de que espírito são […]. E seguiram para outra aldeia” (Lc 9.51-56). Ele ensinou que a mansidão envolve deixar para lá, mesmo quando alguém nos trata mal.
Jesus mesmo, “quando ultrajado, não revidava; quando maltratado, não ameaçava, mas se entregava àquele que julga com justiça” (I Pe 2.23). O verso 21 completa: “Cristo sofreu por vocês, deixando um exemplo para seguirem os seus passos.”
Não é fácil praticar isso. Quando somos prejudicados, parece natural lutar pelos nossos direitos ou pedir a Deus que castigue quem nos fez mal. Mas quando confiamos em Deus e deixamos nossos direitos em suas mãos, muitas vezes saímos ganhando (I Co 6.6-7).
3. Mansidão no ministério
O apóstolo Pedro escreveu: “Santificai Cristo em vosso coração, estando sempre prontos para explicar a esperança que há em vocês, mas façam isso com mansidão e respeito” (I Pe 3.15-16). Paulo, a Timóteo: “O servo do Senhor deve ser paciente, amável e disciplinar com mansidão os que se opõem” (II Tm 2.24-25). Devemos ser humildes, mansos e brandos quando explicamos ou defendemos a fé cristã perante aqueles que a negam ou ridiculizam, quando evangelizamos os descrehtes, ou até mesmo quando admoestamos e disciplinamos aqueles que se desviaram da sã doutrina. Humildade e mansidão não são virtudes incompatíveis com os deveres da admoestação e da disciplina. Ser humilde e manso não significa fraqueza.
Lembremos sempre as palavras de Jesus: “Tomai sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas almas” (Mt 11.29).
Éber M. Lenz César
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