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O fruto do Espírito. VII. Bondade

A bondade é mais uma virtude que faz parte do fruto do Espírito. Ela se parece muito com a benignidade, mas não é exatamente a mesma coisa. A Bíblia mostra essa diferença de forma prática.

A benignidade é uma bondade dirigida especialmente a quem não merece e nem pode retribuir. É por isso que Jesus disse que Deus é benigno: Ele “faz o sol nascer sobre maus e bons, e manda chuva sobre justos e injustos” (Mt 5.45). Lucas acrescenta que ele “é benigno até para com os ingratos e maus” (Lc 6.35).

Já a bondade é algo mais amplo. Todos sabemos o que significa ser uma pessoa bondosa, mas a Bíblia nos ajuda a enxergar isso de forma ainda mais clara.

Curiosamente, no Novo Testamento, apenas dois homens recebem explicitamente o título de “bons”: José de Arimateia e Barnabé, cujos gestos de bondade comentarei abaixo. Mas e Jesus? Claro que ele foi o homem mais bondoso que já existiu. Mas os evangelhos não dizem simplesmente “Jesus foi um homem bom”, porque isso seria óbvio demais. Em vez disso, vemos sua bondade em cada gesto, cada palavra, cada milagre.

A bondade de Deus e de Cristo

João escreveu: “Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4.8). Podemos aplicar o mesmo princípio à bondade: quem não é bondoso não conhece a Deus, porque ele é bondoso. O mesmo vale para Jesus, que é “Deus conosco”.

Lembre-se da cena em que um jovem rico se aproximou de Jesus dizendo: “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?” (Lc 18.18-19). Antes de responder, Jesus perguntou: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom senão um, que é Deus.”
Ele não estava negando sua própria bondade. Na verdade, estava sondando o coração do jovem: “Você me chama de bom porque acha que sou apenas um mestre, ou porque reconhece que eu sou Deus? Afinal, bondade perfeita só em Deus.” Como filhos de Deus e discípulos de Jesus, somos chamados a refletir essa mesma bondade.

Exemplos de homens bondosos

1. José de Arimateia.

Lucas registra sobre ele: “José, membro do Sinédrio, homem bom e justo, que não tinha concordado com a decisão e o procedimento dos outros… pediu o corpo de Jesus a Pilatos, tirou-o da cruz, envolveu-o em linho e o colocou em um túmulo novo, cavado na rocha” (Lc 23.50-53).

Enquanto a maioria dos líderes religiosos estava tomada pelo ódio e condenou Jesus injustamente, José teve coragem de discordar. Ele não se deixou levar pela pressão do grupo. Mais do que isso, ofereceu seu próprio túmulo — algo caro e preparado para si mesmo — para que o corpo de Jesus fosse sepultado com dignidade. A bondade de José se manifestou em uma palavra: generosidade.

2. Barnabé.

Barnabé aparece em Atos como alguém sempre disposto a apoiar e acreditar nas pessoas. Quando o evangelho começou a alcançar os gentios em Antioquia, ele foi enviado para avaliar a situação. Poderia ter criticado ou repreendido, mas fez o contrário: “Ao ver a graça de Deus, alegrou-se e os encorajava a permanecer firmes no Senhor” (At 11.23). Por quê? Porque era “homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé” (At 11.24).

Barnabé também foi o primeiro a acreditar na conversão de Saulo (Paulo). Enquanto todos os discípulos tinham medo dele, Barnabé o acolheu, apresentou-o aos apóstolos e defendeu sua fé (At 9.26-27). Mais tarde, foi até Tarso buscá-lo para ajudá-lo no trabalho em Antioquia (At 11.25-26).

Além disso, Barnabé foi generoso materialmente: vendeu um campo e entregou o valor para a obra da igreja (At 4.37).

Bondade é generosidade

Olhando para José de Arimateia e Barnabé, aprendemos que bondade se traduz em generosidade:

  • Generosidade no julgamento: José não se deixou dominar pelo ódio coletivo contra Jesus; Barnabé não se prendeu ao preconceito contra os gentios ou contra Paulo.
  • Generosidade nos recursos: José ofereceu seu túmulo; Barnabé vendeu seu campo e doou o apurado.

Jesus ilustrou essa bondade generosa na parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20). O dono pagou a todos o mesmo valor, mesmo aos que trabalharam menos horas. Quando alguém reclamou, ele respondeu: “Você está com inveja porque eu sou bom?” Ser bom, nesse caso, foi ser generoso além do esperado.

Conclusão

Que o Espírito Santo produza em nós essa mesma bondade. Que possamos ser lembrados como pessoas generosas no olhar, no julgamento e no repartir. Que os exemplos de José de Arimateia, Barnabé e, acima de tudo, de Jesus Cristo, nos inspirem.

Assim como Paulo disse aos Romanos, que também se diga de nós: “Estou certo de que vocês estão cheios de bondade” (Rm 15.14).

Éber M. Lenz César

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