1. O que é — e o que não é — longanimidade?
No Novo Testamento, aparecem duas palavras diferentes em grego que traduzimos por longanimidade ou paciência.
As duas aparecem em Tiago 5.7-11:
Philip Keller, em seu livro O Fruto do Espírito Santo, descreve paciência assim:
“É a incrível capacidade que o amor verdadeiro tem de permanecer firme diante de pessoas difíceis e situações adversas, sem perder o equilíbrio. Quem é paciente tem uma tolerância especial diante do que parece intolerável. É alguém que espera o momento certo para agir — de forma calma, mas atenta.”
Contudo, é preciso deixar claro que ser paciente não é ser impassível, indolente, ou indiferente. Tampouco é ter uma atitude fatalista diante da vida, sentando-se num canto para ficar de braços cruzados e dizer: “O que tem de acontecer acontecerá”. A paciência não tem nada de fraco. Ao contrário, sendo um atributo divino, e um “fruto do Espírito”, é uma virtude poderosa, que exerce uma tremenda influência.
2. A paciência de Deus e de Cristo
Depois da idolatria de Israel ante o bezerro de ouro, no Sinai, e tendo Moisés destruído as tábuas da Lei, Deus lhe ordenou que lavrasse outras duas tábuas de pedra, e lhe disse: “Eu escreverei nelas as mesmas palavras que estavam nas primeiras, que quebraste.” Moisés, então, reconheceu: “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade […]” (Êx 34.6). Davi também disse: “O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno” (Sl 103.8).
Jeremias declarou: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos” (Lm 3.22).
Muitas vezes perguntamos: “Por que Jesus ainda não voltou?” O apóstolo Pedro responde:
“O Senhor não demora em cumprir Sua promessa… Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos se arrependam” (2 Pe 3.9).
Jesus reflete essa mesma paciência do Pai. Ele foi chamado de “homem de dores” (Isaías 53.3). Teve paciência com os discípulos, mesmo quando eles não entendiam muito do que dizia e fazia. Hoje, continua sendo paciente conosco — mesmo quando caímos repetidas vezes nos mesmos pecados. Seu Espírito nunca desiste de nos conduzir de volta ao caminho certo.
3. Como viver a paciência no dia a dia?
a) Precisamos ser pacientes conosco mesmos. Nosso crescimento físico, emocional e espiritual leva tempo e exige esforço. Até Jesus cresceu “em sabedoria, estatura e graça” (Lucas 2.52). Pedro nos lembra: “Cresçam na graça e no conhecimento do Senhor” (2 Pedro 3.18).
Muitas vezes queremos resultados imediatos — mas precisamos aprender a esperar o processo.
b) Precisamos ser pacientes com os outros. Paulo tinha convicção de que “Aquele que começou a boa obra em vocês vai completá-la” (Fp 1.6). Ele também escreveu: “Aconselhem os desobedientes, animem os desanimados, fortaleçam os fracos e sejam pacientes com todos” (1 Ts 5.14).
c) Precisamos esperar com paciência a volta de Cristo. O Novo Testamento menciona a volta de Cristo mais de 250 vezes. Mas parece que demora, não é? Pedro explica: Jesus está esperando, porque ainda quer salvar mais pessoas (2 Pe 3.9). E o evangelho precisa alcançar todas as nações antes do fim (Mc 13.10).
Nós ansiamos pelo dia da volta do nosso amado Salvador, e oramos: “Maranata! Vem, Senhor Jesus!” (1 Co 16.22). Mas até lá precisamos esperar com paciência — firmes na fé e dedicados a compartilhar o evangelho, para que mais pessoas sejam alcançadas.
Éber M. Lenz César
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