A Bíblia nos ensina que Deus “fez todas as coisas para determinados fins” (Sl 16.4), e as fez “com sabedoria” (Sl 104.24). Ele sabiamente planejou a Criação e tudo o que haveria de acontecer. Planejou e determinou executar. Os teólogos dão a isso o nome de decreto divino. O decreto é um só, mas inclui muitas particularidades, daí dizer-se decretos divinos. Deus executa seus decretos nas obras da Criação, da Providência e da Redenção, sendo esta última uma providência especial. Estas obras serão estudadas posteriormente, neste curso.
| BASES BÍBLICAS PARA A DOUTRINA DOS DECRETOS DE DEUS | ||
| Textos principais | Palavras e frases chaves | Os teólogos chamam de |
| Is 14.24-27; Is 37.26; Is 49.9-10; At 2.23; Ef 1.3-5; Ef 1.11 | pensei, determinei, desígnio, determinou dispus estas coisas e as faço executar conselho, vontade, propósito, executarei determinado desígnio e presciência de Deus nos escolheu, nos predestinou, conselho, vontade | Decreto ou Decretos de Deus |
| As difíceis doutrinas da Eleição e Predestinação serão estudadas posteriormente. | ||
1. Características dos decretos divinos.
2. Decretos causativos e permissivos.
Os teólogos dividem os decretos divinos em quatro tipos: causativos, permissivos, eletivos e preteritivos. Estes dois últimos serão estudados mais tarde. Os causativos referem-se àquelas coisas que Deus mesmo executa: criação, preservação, redenção, mudanças no coração do homem (Sl 104.24-29; 119.91; Fl 2.13). Os permissivos referem-se àquelas coisas que Deus não executa, mas permite que seus agentes morais livres executem: queda dos anjos e dos homens, a atuação de Satanás e dos demônios, os atos pecaminosos dos homens. Por razões que escapam à nossa compreensão, Deus decretou não impedir estas coisas, mas somente controlar sua extensão e seus resultados (Gn 37.18-21; Gn 37; Gn 45.5; Gn 50.20; At 2.22-24; At 14.16).
3. Objeções à doutrina dos decretos de Deus.
Nenhuma outra doutrina tem sido mais calorosamente discutida do que esta. O maior debate têm sido sobre:
Avaliação.
Que são os decretos de Deus? Como Deus executa os Seus decretos? Cite duas passagens bíblicas que confirmam essa doutrina. Cite três palavras bíblicas que justificam a designação teológica: “decretos de Deus”. Cite quatro características dos decretos divinos. Qual é a sua reação pessoal ao saber que Deus planejou tudo o que acontece neste mundo. Que significam para você Dn 5.23 e Rm 8.28?
______________________
As Escrituras não foram dadas para satisfazer nossa curiosidade, mas para edificar nossas vidas. O mesmo se pode dizer destes estudos.
Nesta mensagem, vamos refletir sobre algumas aplicações práticas das verdades aprendidas com o estudo sobre os Decretos de Deus. O destaque daquele estudo foi a doutrina da Soberania de Deus. Esta doutrina importante não é um princípio abstrato, cujo único propósito é explicar ou tentar explicar a razão última das coisas. Não. O estudo sobre a Soberania de Deus deve suscitar em nós um temor piedoso e ajudar-nos a viver uma vida justa e submissa a Deus.
1. Atitude de piedoso temor.
Por que, em épocas diferentes, a grande maioria das pessoas mostra-se despreocupada acerca das realidades espirituais e eternas, e ama os bens e os prazeres da vida mais que a Deus? Por que o pecado corre desenfreado? Por que, mesmo entre os que se dizem cristãos, há tão pouca submissão a Deus, a Cristo e ao Espírito?
A resposta a todas estas indagações é uma só: “Não há temor de Deus diante de seus olhos” (Rm 3.18). O sábio Salomão escreveu: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 1.7). Esse temor não deve ser confundido com o medo servil que os pagãos têm dos seus deuses. Não. O temor a Deus, tantas vezes recomendado na Bíblia, é uma atitude espiritual que leva Deus a sério, que considera a Sua Palavra, e treme (Sl 2.11; Is 66.2; Fl 2.12).
3. Atitude de obediência implícita.
Este estudo sobre a soberania de Deus deve levar-nos ao reconhecimento da nossa pequenez e completa dependência de Deus. O resultado será uma vida de obediência. Esse é o antídoto divino contra a maldade ingênita do nosso coração. Orgulhosos e rebeldes que somos, por natureza, temos um forte senso de importância e grandeza pessoal, e costumamos ser auto-suficientes demais. O corretivo para isto é o reconhecimento da Soberania e Onipotência de Deus. O homem gloria-se em si mesmo ou em Deus, e vive para servir e agradar a si mesmo ou para servir e agradar a Deus. Ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).
Deus mandou Moisés dizer ao Faraó do Egito: “DeIxa ir o meu povo”. O Faraó respondeu com orgulho: “Quem é o Senhor para que Lhe ouça a voz e deixe ir Israel? Não conheço o Senhor, nem tão pouco deixarei ir a Israel” (Êx 5.1-2). A rebeldia do Faraó resultou de sua ignorância quanto à majestade e à autoridade de Deus. E ele se deu mal por causa disto!
4. Atitude de humilde resignação.
O reconhecimento da Soberania de Deus excluirá toda e qualquer murmuração. Somos propensos a pensar que nossos bens nos pertencem com exclusividade; que, uma vez levados avante os nossos planos, com diligência, temos o direito de esperar sucesso; que, se trabalharmos duro e acumularmos riquezas, merecemos conservá-las e desfrutá-las; que, se temos uma família feliz, nenhum poder tem o direito de penetrar o círculo encantado e abater a um dos nossos queridos. Assim, sobrevindo a decepção, a perda do emprego, a falência ou a morte, revoltamo-nos contra Deus. Porém, o indivíduo que, pela graça divina, reconhece a Soberania de Deus, cala suas queixas e curva-se perante a vontade divina (I Sm 3.18; Jó 1.20-22: II Co 12.7-10).
5. Atitude de gratidão e alegria.
Entretanto, se aprendemos verdadeiramente a bendita doutrina da Soberania de Deus, nem a obediência nem a resignação acontecem a contragosto. Muito pelo contrário, sabendo que a vontade soberana de Deus é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2), submetemo-nos de bom grado, e dizemos como o salmista: “Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o Seu santo nome” (Sl 103.1). Certamente o apóstolo Paulo tinha isto em mente quando escreveu: “Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai…” (Ef 5.20). É fácil dar graças a Deus quando tudo nos corre bem, segundo as nossas expectativas. Mas as Escrituras nos dizem para darmos graças “por tudo”, mesmo quando as circunstâncias nos parecem adversas. Deus é Soberano, mas também é Pai, sábio e amoroso. Ele faz que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que O amam (Rm 8.28).
6. Atitude de adoração e culto.
Tem-se dito, com propriedade, que a verdadeira adoração estriba-se no reconhecimento da grandeza de Deus. Ora, essa grandeza se vê de maneira superlativa na Soberania de Deus. Na presença do entronizado Rei Divino, até os serafins “cobrem o rosto” (Is 6.1-3).
Há pouco mais de duzentos anos, a piedosa Madame Guyon, presa por dez anos em hórrida masmorra, iluminada apenas por uma vela, escreveu as seguintes palavras sobre a
Verdadeira Liberdade
Um passarinho sou
tirado das campinas;
mas na gaiola eu pouso e canto
a quem me deu esta sina;
sou prisioneira alegre, e quanto!
porque, meu Deus, isto te apraz.
Que posso eu mais fazer?
Eu canto sem cessar;
e Aquele a Quem o amor eu dou,
certo, ouve o meu cantar;
as minhas asas Ele as atou,
porém, se inclina a ouvir-me a voz.
Esta jaula me cerca;
não vôo na amplidão;
com meu voar assim tolhido,
é livre o coração.
Na prisão não me é impedido
o vôo livre de minha alma.
Ah! É bom alçar-me
a Deus, além cadeias.
Adoro todo o Teu desígnio,
e amo, Senhor, Tua providência.
Em Tua vontade, Deus, diviso
minha alegria e liberdade!
(Os pensamentos principais desta mensagem foram extraídos e adaptados do livro: Deus é Soberano, de A.W.Pink, cuja leitura recomendamos).
Para se aprofundar neste assunto
Os Decretos de Deus, por D. M. Lloyd-Jones
Os Eternos Decretos de Deus, Curso Fundamentos da Fé Reformada da I Igreja Presbiteriana do Recife.
#FéEmDeus
#MensagensCristãs
______________________
Se este estudo lhe foi útil e edificante, eu agradeço se comentar.
Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
0
Sua avaliação é muito importante!