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I. CRIACIONISMO DE UMA PERSPECTIVA BÍBLICA

“Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem” (Hb 11.3)

A primeira palavra do Gênesis, é “princípio”, “começo” (bereshith). Esse primeiro livro da Bíblia conta as histórias da criação do mundo, do começo da humanidade, do começo do pecado, do começo das nações, do começo de Israel, o Povo de Deus. 

O Gênesis pode ser dividido em duas partes, como mostra o gráfico. 

1. ”No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). 

A História Universal começa com uma confissão de fé: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). O termo hebraico usado nessa declaração importante é “bará”, que significa criar do nada, sem material preexistente (ex niilo). Foi isto que Deus fez “no princípio”. “Deus […] que chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17. Ver Sl 33.1,6,8,9; Sl 8.1; Sl 19.1). Entretanto, noutros contextos, o termo  pode significar fazer surgir alguma coisa de algum material preexistente.

“Esta é a declaração mais sublime em toda a literatura religiosa e filosófica. Com mitos e fantasias, o homem primitivo procurou explicar a criação do mundo natural e a origem da vida humana. Cientistas e filósofos de todos os tempos têm teorizado e especulado a respeito. Todavia, nunca se pôde melhorar esta sublime e toda-suficiente declaração: “No princípio… Deus…” (William Blaikie)

2. ”A terra, porém, estava sem forma e vazia…” (v.2).

Isto pode significar que Deus primeiro criou a matéria bruta, sem forma, vazia, e, então passou a dar-lhe forma e a enchê-la de plantas e animais. Há outras interpretações para essas palavras, mas não cabe comentá-las aqui…

Tudo pronto, “formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gn 2.7). A tabela a seguir mostra a sequência dos atos criadores de Deus, conforme lemos no Gêneses. Note que há uma relação entre os três primeiros dias e os três últimos.   
A desordem inicial progride para a ordem, o caos para o cosmos. Isto é tanto mais significativo porque Deus, é claro, poderia ter criado tudo instantaneamente. Entretanto, ele preferiu fazê-lo em seis dias…  “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra […].“

3. O Shabhath (Sábado).

E, havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia […]. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou […]” (Gn 2.1-2). Os seis dias da atividade criadora de Deus, seguidos de um dia de descanso, revelaram a maneira metódica de Deus trabalhar e estabeleceram uma ritmo para a vida ativa do homem: trabalho e descanso, seis dias de trabalho, um dia de descanso. 

Séculos mais tarde, para que os homens não se esquecessem desse princípio, Deus o transformou em mandamento, o quarto dos Dez Mandamentos: 

“Lembra-te do dia de sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor, teu Deus; não farás nenhum trabalho… porque, em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, no sétimo dia, descansou; por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou”  (Êx 20.8-11). 

No Novo Testamento, a partir da ressurreição de Jesus num domingo, primeiro dia da semana, os discípulos de Jesus e a Igreja passaram a guardar esse dia como sendo o dia de descanso, o Dia do Senhor (At 20.7; I Co 16.2). Eles entenderam o espírito ou essência do mandamento: trabalho e descanso. Como muitos cristãos hoje, eles obedeciam ao mandamento, sem legalismo; não eram “sabatistas”. Ao que parece, muitos cristãos evangélicos em nossos dias não guardam o domingo. Pode até ser outro dia da semana, se o trabalho o exigir, mas que se tenha um dia para descanso, família e adoração! 

4. Os seis dias da criação.

Os intérpretes têm opiniões divergentes sobre a duração dos dias da criação. Pensam alguns que foram dias literais de 24 horas. Outros entendem que os dias da criação foram, na verdade, longos períodos de tempo (aions). Sobre o assunto, o teólogo, professor e missionário Albertus Pieters escreveu: “A exegese apenas não nos permite saber, com certeza o que o autor [do Gênesis] tinha em mente; entretanto, podemos estar razoavelmente seguros de que não se referia a dias de 24 horas.”

De fato a palavra “dia” tem vários sentidos na Bíblia, inclusive um período de tempo indeterminado (Gn 1.5; Sl 42.8; Hb 3.8; Is 2.12; I Ts 5.2; Jó 18.5). Mas essa discussão é muito mais científica do que teológica, e escapa ao nosso propósito. O princípio dos seis dias de trabalho seguidos de um dia de descanso permanece. E a verdade que queremos destacar e proclamar aqui é inconfundível: “No princípio, criou Deus os céus e a terra!” 

5. A criação do homem e os detalhes acrescentados em Gênesis 2.

O segundo capítulo do Gênesis acrescenta detalhes importantes à História da Criação, principalmente no que se refere à criação do homem.  

GÊNESIS 1 GÊNESIS 2
A criação progressiva, em 6 dias. Por último, Deus cria o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, e lhes atribui o domínio sobre a Criação. E lhes ordena “Sede fecundos, multiplicai-vos…”  (1-28) Deus forma o homem do pó da terra e lhe sopra nas narinas o fôlego de vida, e o homem passa a ser alma vivente, uma pessoa (v.7).
Deus lhes disponibiliza ervas, árvores e animais para mantimento (29-30) Não havia ainda nenhuma planta, nem chuva. Deus planta o Jardim do Éden e ali coloca o homem (para o cultivar e guardar).  O homem poderia alimentar-se de todas as árvores, menos a árvore do conhecimento do bem e do mal (8-17).
Deus forma a mulher com a costela de Adão (20-22). Adão a recebe: “Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne… Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tonando-se os dois uma só carne” (23-24)

Sobre a criação do homem, o citado A. Pieters escreveu, em Notes on Genesis, 1954: 

“Os detalhes acrescentados em Gênesis 2, ‘formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida’ (Gn 2.7) indicam cuidados especiais, aproximação e doação. A ‘imagem e semelhança’ não era física, evidentemente, mas moral e espiritual. Soprando nas narinas do homem em prospecto, Deus o fez ‘alma vivente’, uma pessoa com espírito, razão, inteligência, moralidade; uma criatura capaz de relacionar-se com o seu Criador. Isto distingue o homem de todos os animais. Essa distinção evidencia-se também no domínio que o homem exerce sobre os animais e sobre a natureza. Séculos mais tarde, o salmista louvaria a Deus, dizendo:  “Ó Senhor, Senhor nosso […], quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres? […]. Fizeste-o, no entanto, por um pouco menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste. Deste-lhe domínio sobre as obras da tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste […]” (Sl 8.3-9).  

6. A localização do Éden. 

As referências geográficas relacionadas com o Éden (“na direção do Oriente” e rios Pisom, Giom, Tigre e Eufrates) indicam que o mesmo realmente existiu numa determinada região geográfica, a chamada Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, e, possivelmente, regiões adjacentes. Hoje, essa região é ocupada pelo Irã e pelo Iraque. 

Em anos recentes, os arqueólogos encontraram, naquela região, placas de argila datadas de c. 3.000 a.C., contendo histórias da criação notavelmente semelhantes às do Gênesis. A diferença principal entre as histórias mesopotâmicas da criação e a narrativa bíblica é que aquelas são politeístas, ao passo que esta, naturalmente, é monoteísta.

7. Criação ou Evolução? 

A História da Criação, é preciso dizer, não tem propósitos científicos, não explica um monte de coisas. O propósito desta e de tantas outras Histórias Bíblicas é religioso e teológico. Warfield, conceituado teólogo, escreveu:  

“[…] há duas maneiras de olhar o mundo. Você pode olhar as coisas, as maravilhas da natureza, estudá-las, dissecá-las e conhecê-las, ou pode olhar além, e ver o Criador. A ciência vê e estuda as coisas, a natureza, a criação; a Bíblia aponta o Criador!” (WARFIELD, B.B., citado por Robert Deffinbaugh em Genesis: From Paradise to Patriarchs, Highlights in the History of Israel). 

Em 1859, Charles Darwin escreveu sobre “A Origem das Espécies”. Suas idéias evolucionistas fizeram a cabeça de muitos cientistas. Não cabe aqui expor e discutir o pensamento de Darwin e seus desdobramentos. Há muitos livros sobre o assunto.  A ideia básica é a seguinte:

“Aperfeiçoamento progressivo dos seres vivos, através do desenvolvimento de formas inferiores a formas superiores de vida, sendo o homem a coroa do movimento ascendente.” (W. Arndt em Dificuldades Bíblicas, Concordia, 1957, p. 74). 

Há cientistas céticos que nem sequer creem em Deus. Expõem e defendem o evolucionismo. Porém, há muitos cientistas cristãos criacionistas. Muitos dos fundadores de vários campos da ciência eram criacionistas. A conceituada revista, Christianity Today (No Brasil, Cristianismo Hoje) publicou um artigo a respeito, afirmando: ”Metade dos adultos nos Estados Unidos creem que Deus criou Adão e Eva e assim começou a raça humana”. A maioria dos cristão brasileiros é criacionista. A Associação Brasileira de Pesquisa da Criação (ABPC) promove seminários em defesa da Criação e divulga livros criacionistas de renomados cientistas cristãos.  

A ciência nem sempre tem razão. Há muitos equívocos na ciência. Teorias e descobertas de ontem são negadas e corrigidas hoje; as de hoje poderão ser alteradas amanhã. A ciência é assim. Todavia, a Palavra de Deus “está firmada no céu” e “permanece para sempre” (Sl 119.89).

O crente não aceita declarações e argumentos que neguem verdades bíblicas. E a Bíblia diz: “No princípio, criou Deus!” (Gn 1.1). Outras muitas passagens tanto no Velho como no Novo Testamento, confirmam essa verdade!

A Bíblia não é contra a ciência. A fé não exclui a razão, o espírito não exclui o intelecto. E a ciência nem sempre é contra a Bíblia. Em muitos casos, até justifica o título que Werner Keller deu ao seu livro de pesquisas arqueológicas: “E a Bíblia Tinha Razão…” 

8. Um testemunho impactante

Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos, em suas Memórias Espirituais, deu esse testemunho:  

“Minha fé… foi-me infundida desde a infância. Apesar dos períodos de dúvida, ela foi confirmada e fortalecida pelos benefícios espirituais palpáveis que recebi da ‘certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem’ (Hb 11.1). É só pela fé que posso manter um relacionamento com o Criador onipotente e com meu Salvador pessoal…

“Também comecei a enxergar que minha fé cristã e meu ponto de vista científico podiam ser compatíveis, e não conflitantes. Uma das passagens bíblicas que me ajudaram a compreender isto se encontra na carta de Paulo aos romanos… ‘Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem… sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis’ (Rm 1.19-20). A idéia de Paulo era que as glórias do mundo à nossa volta provam a existência de Deus. 

“Como Paulo, vejo a glória de Deus em torno de mim, nos mistérios insondáveis do universo e na diversidade e complexidades da criação. Surpreendemo-nos maravilhados diante do carvalho que cresce da bolota, da flor que viceja, do DNA que modela a aparência e o caráter de um ser vivo. É quase humanamente incompreensível o fato de na nossa galáxia, a Via Láctea, haver bilhões de estrelas equivalentes ao sol, e, no universo, bilhões de galáxias equivalentes à nossa. No outro lado do espectro, admiro-me diante do fato de o átomo indivisível que estudei no segundo grau ser na verdade uma coleção de componentes notáveis, matéria e antimatéria, girando em direções diferentes, e ainda assim unidos por forças de imenso poder… 

 “O conhecimento científico só aumenta meu senso de que a glória divina preenche todo o universo. Ao longo dos séculos, os cientistas foram descobrindo cada vez mais sobre essas verdades – verdades que sempre existiram. Nenhuma dessas descobertas contradiz minha crença num Ser último e superior… Como crente que sou, não me embaraço com as descobertas nas áreas da astronomia, geologia e paleontologia: de que o universo é enorme e está em expansão, e de que a terra é muito antiga…”

Aplicação

Os que crêem na história da criação têm uma vontade enorme de 

  • aproximar-se do Criador
  • conhecer o Criador
  • relacionar-se com o Criador
  • adorar o Criador
  • obedecer ao Criador
  • servir ao Criador

E mais, quando cansados, aflitos e necessitados, recorrem ao Criador, porque 

“Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga… (Ele) faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor… Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.28-31).   

Se desejar ler mais sobre Criação e Eoilução

Criação e Evolução, Não Criação ou Evolução (Associação Brasileira de Cristãos na Ciência)

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