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O Deus que Intervém

Todos os dias somos bombardeados com notícias de acidentes, violência, crimes, guerras… Familiares, irmãos e amigos próximos sofrem com problemas conjugais, adversidades, enfermidades… E nós nos perguntamos: “Por que, Senhor? Por que essas coisas acontecem?” Quando o mal nos atinge mais diretamente, a pergunta fica mais pessoal… e egoísta: “Por que comigo?” 

Por trás de todas essas perguntas, há uma outra, básica: Deus se importa com os nossos problemas, com os nossos sofrimentos, com o que acontece neste mundo? 

Os ateus nem sequer creem que Deus existe. Os deístas creem em Deus, mas um Deus transcendente, lá em cima, distante; acham que Deus criou, sim, o mundo, mas largou-o no espaço e em nada intervém. Entretanto, como cristãos, nós somos teístas: cremos que Deus é ao mesmo tempo transcendente e imanente; ele não somente criou o universo, mas o sustenta, intervindo, inclusive, na história humana e na vida das pessoas. O nosso Deus é um  Interventor! 

O profeta Daniel, quando exilado na Babilônia com o povo de Israel, disse ao rei Nabucodonosor: “Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade […]. É ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis […].” (Dn 2.20-21). 

O conhecido Salmo 121 é muito claro: “Olho para os montes e pergunto: ‘De onde me virá o socorro?’ O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra! […]. O Senhor é o seu protetor! […]. O Senhor o guarda de todo mal e protege sua vida. O Senhor o guarda em tudo que você faz, agora e para sempre.” À luz de outras passagens bíblicas, isto não pode significar que nenhum mal nos sobrevirá (ver Jo 16.33), mas, sim, que o Senhor se importa, está atento e, a seu tempo, intervirá e fará que “todas as coisas cooperem para o bem”, como escreveu o apóstolo Paulo (Rm 8.28). 

Uma coisa precisa ficar bem clara: Deus é Soberano! Ele intervém quando quer e como quer, sempre com um propósito muito bom. Ele ouve, sim, nossas orações. Se não o fizer da maneira como desejamos e esperamos, podemos e devemos confiar. Ele fará algo melhor, de valor eterno!  

A história de José é um belo exemplo. Aos 17 anos, esse filho de Jacó e bisneto de Abraão foi vendido como escravo por seus próprios irmãos, e levado para o Egito. Por muitos anos ele sofreu como escravo e, depois, acusado injustamente, como um prisioneiro. Não perdeu a fé, não abdicou de seus valores. Mesmo assim, podemos supor que ele fez aquelas mesmas perguntas que nós fazemos:“Por que, Senhor?”

Deus tinha planos para a vida de José. Quando ele completou 30 anos, Deus ouviu suas orações e o tirou da prisão. Mais que isso, algo inimaginável: Deus o fez Governador do Egito, o segundo homem em importância, abaixo do Faraó! Quando seus irmãos vieram ao Egito comprar mantimento, José foi quem os atendeu. Quando o reconheceram, ficaram com medo, pensando que José se vingaria deles. Mas José lhes disse, e esse é o ponto, o clímax dessa história: “Por acaso sou Deus para castigá-los? Vocês pretendiam me fazer o mal, mas Deus planejou tudo para o bem. Colocou-me neste cargo para que eu pudesse salvar a vida de muitos […]” (Gn 50.19-21; 45.7-80).

As histórias de Moisés, do Êxodo, da conquista da Terra Prometida e muitas outras estão repletas de intervenções divinas, tanto para libertar e abençoar os envolvidos, como para disciplinar e castigar os desobedientes e infiéis. O espaço aqui não nos permite citar tantas e poderosas intervenções.

Vou mencionar, porém, a oração do rei Josafá, de Judá, quando exércitos inimigos vieram para atacar Israel. Corajosa e humildemente ele orou diante de seus súditos: “Ó Senhor […] tu governas todos os reinos da terra […]. Não temos forças para lutar contra esse exército imenso […], mas esperamos o socorro que vem de ti […]”.  Deus lhes enviou um profeta que lhes disse: “Tomem suas posições; depois, fiquem parados e vejam o livramento do Senhor […]” Posicionados, cantando e louvando, Josafá e seu povo viram a intervenção de Deus: “O Senhor trouxe confusão sobre os exércitos de Amon, Moabe e do monte Seir, e eles começaram a lutar entre si […]. Não escapou nem um só dos inimigos” (2 Cr 20-22).

A maior de todas as intervenções de Deus em nossa história foi a vinda de Jesus, seu Filho, e tudo o que ele fez  para que, crendo nele, pudéssemos ser perdoados, transformados e salvos: “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho único, para que todo o que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Diante do que tem acontecido e vem acontecendo em nosso país e no mundo não há como não questionar: Por que Deus  permitiu o Holocausto?  Por que permitiu o ataque terrorista às Torres Gêmeas e ao Pentágono? Por que permitiu que fanáticos inescrupulosos invadissem e depredassem os palácios do Governo, em Brasília? Por que não impediu que o Hamas atacasse Israel com tamanha violência e crueldade? Por que permitiu que a retaliação de Israel chegasse a tanto? Por que as guerras? Para muitas senão para todas essas questões, não temos resposta…

Em quase todas as situações, tudo o que podemos fazer é confiar! Como disse o Salmista: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” (Sl 37.5). Pois, como já ficou claro, Deus permite e usa até mesmo as coisas ruins que nos fazem ou que nos acontecem para, no final, realizar sua “boa, perfeita e agradável” vontade tanto em nossa vida como ha história (Rm 12.2). A longo prazo, Deus está pondo ordem no caos resultante do pecado humano. Jesus vai voltar, como prometeu! Então, haverá “novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (II Pe 3.13). Aquenta firme!

Pr. Éber Lenz César

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