Salmos 40 e 41
Cedo ou tarde, de um modo ou de outro, todos temos decepções. Alguns não alcançam seus objetivos; outros veem desfazer-se o namoro, o noivado ou mesmo o casamento. Há ainda as decepções com amigos e até com irmãos em Cristo. Uma pessoa em quem confiamos, a quem abrimos o coração, de repente…
Davi teve suas decepções. Nos Salmos 40 e 41, ele fala de instabilidade, de pobreza, de enfermidade, de pecado e de inimigos que falavam mal dele e lhe desejavam a morte.
Sua maior decepção foi com um certo amigo: “Até o meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comida do meu pão, levantou contra mim o calcanhar”. (41.9)
Contudo, apesar disso, ele se mostra feliz, confia no Senhor e o louva, repetidas vezes:
“Esperei constantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei […]” (40.1).
“Bem-aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança […]” (40.4).
“São muitas, Senhor meu Deus, as maravilhas que tens operado, e também os teus desígnios para conosco […]” (40.5).
“Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim […]” (40.17).
“O Senhor protege […] o Senhor assiste […]” (41.2-3).
“Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, de eternidade para eternidade! Amém e amém!” (41.13).
Os homens nos decepcionem muitas vezes, mas Deus é fiel e nunca nos decepciona. Os homens mudam, viram a cabeça e o coração. Deus, porém, é o mesmo ontem, hoje e eternamente; seu amor é imutável!
1. Deus não nos decepciona quando nos faltam recursos, sejam materiais ou emocionais.
“Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim […]” (40.17).
O amor de Deus não se restringe aos ricos e auto-confiantes; não se altera se empobrecemos. Ele ama seus filhos por aquilo que eles são de fato; e não pelo que eles têm ou pensam que são. Ao contrário. muitas das “amizades” deste mundo são oportunistas e interesseiras.
O filho pródigo teve muitos “amigos” na terra distante, enquanto durou sua herança. Depois, quando “começou a passar necessidade, ninguém lhe dava nada.” Que decepção! Porém, quando arrependido, tornou à casa do pai, este o acolheu como filho e lhe deu uma festa. O Pai Celestial não decepciona!
2. Deus não nos decepciona quando adoecemos.
“O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença tu lhe afofas a cama” (41.3).
Que quadro! Deus como um enfermeiro… Ele não fica irritado nem retém suas bênçãos quando, por motivo de enfermidade, nós, seus servos, interrompemos o trabalho que fazemos para ele na igreja e no mundo.
Às vezes, quando adoecemos, pensamos que Deus se esqueceu de nós. Mas é bem o contrário. Pode até ser que ele o permite para trazer-nos para mais perto dele e ter mais do nosso tempo…
Não é sempre assim com os nossos amigos e irmãos. Às vezes eles se distanciam e até nos censuram quando, enfraquecidos, vamos para a cama. Davi passou por isso “Os meus amigos falam mal de mim […]. Se algum deles me vem visitar, diz coisas vãs […]. Peste maligna deu nele […]. Caiu de cama, já não há de levantar-se” (41.5-8).
3. Deus não nos decepciona quando pecamos.
Davi sabia que podia orar: “Compadece-te de mim, Senhor; sara a minha alma, porque pequei contra ti” (40.4). Ele sabe, e nós precisamos saber que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”.
Se pecamos, perdemos a comunhão com ele e a culpa nos deixa muito tristes. Pensamos até que Deus desistiu de nós. Mas não é assim. Não foi assim com o referido filho pródigo.
Ao contrário, alguns dos nossos amigos e irmãos não são os mesmos conosco, se pecamos… É certo que nosso pecado causa transtorno na igreja. Contudo, temos o direito de esperar que nos amem e nos ajudem a encontrar o caminho do arrependimento e da restauração, como Jesus fez com a mulher adúltera (João 8.1-11. Ver Gálatas 6.1; II Timóteo 2.24-26). Obviamente, é também o que devemos fazer com os outros, para não decepcioná-los!
É muito bom saber que Deus, nosso Pai, e o Senhor Jesus Cristo estão conosco no dia da decepção. Eles nos amam e nunca nos decepcionam!
Éber Lenz César
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