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Salmos para Dias Difíceis. VI. Dia de desolação

Salmo 13

Como pastor, por longos anos, precisei consolar e animar muita gente desolada. Quando missionário na África do Sul, meu trabalho mais desafiador foi nos campos de refugiados das guerras de Moçambique e Angola. Aqueles milhares de portugueses tinham muitos motivos para estarem tristes, desanimados, desesperados, desolados. Eles tiveram que fugir às pressas de seus respectivos países, com risco de vida, deixando tudo para trás. Muitos perderam, de forma trágica, alguns dos seus entes queridos. Na África do Sul, foram acolhidos nos referidos campos, cerca de 12 pessoas em cada tenda. 

O termo desolação tem um sentido literal e um sentido figurado. Há lugares desolados (destruídos, abandonados, afastados, desérticos) e há pessoas desoladas (profundamente decepcionadas, entristecidas, desanimadas, consternadas, desesperadas). 

A professora Maria Alice Guimarães escreveu:

“[…] desolação é  uma sensação de fim de caminho, de pré-morte. Com ela vem o desânimo, o desamor e tudo desvirtua.  A vida perde o foco; a graça já não tem graça… 

Na desolação, os que creem em Deus e no poder da oração, oram […]. Recebem, mas, às vezes, somente depois. Aí fica mais difícil, […] acabam pensando que Deus não os está ouvindo.”

O Salmo 13 é uma oração do rei Davi num dia particularmente difícil. Ele estava angustiado, muito triste, desolado mesmo. 

Davi começa com um lamento, típico de uma pessoa desolada. 

“Até quando, Senhor, te esquecerás de mim? Será para sempre? Até quando esconderás de mim o teu rosto? Até quando terei de lutar com a angústia em minha alma, com tristeza em meu coração cada dia? Até quando meu inimigo terá vantagem sobre mim?” (Vs. 1-2).

Num primeiro momento, Davi até pensa que Deus se esqueceu dele, e que ele está por contra própria. Isso é terrível!

Mesmo assim, cônscio de sua angustiante necessidade, ele suplica:

Volta-te e responde-me, Senhor, meu Deus! Restaura o brilho dos meus olhos ou morrerei. Não permitas que meus inimigos digam: ‘Nós o derrotamos!’ Não deixes que se alegrem com meu tropeço” (Vs. 3,4). 

Nesse ponto, ao que parece, Davi fez uma pausa… Pôs-se a refletir. Recordou ocasiões anteriores, igualmente sofridas, em que Deus ouviu suas orações e o socorreu.  Ele mudou o tom de sua oração.

Em vez de “Até quando, Senhor, te esquecerás de mim? Até quando terei de lutar […] com tristeza em meu coração cada dia?”, ele diz: “Senhor, eu confio em teu amor; por teu livramento me alegrarei.” (v. 5) 

Ele pode ter pensado: “Se Deus me ouviu e me libertou tantas vezes no passado, por que não o fará agora? Não! Ele não se esqueceu de mim! Eu é que, por um pouco, me esqueci do seu amor e do seu poder. Sim, eu confio! Eu confio! Posso até antecipar o próximo livramento, e me alegrar!” 

Então, com fé renovada, ele concluiu:

“Cantarei ao Senhor, porque ele é bom para mim!” (V.6).

Irmão amado, se, por algum motivo, num dia difícil, você se sentir desanimado, triste e desolado, e achar que Deus se esqueceu de você, e que você está só com seu problema, lembre-se de que, em circunstâncias passadas, igualmente adversas, Deus ouviu suas orações e o ajudou… Ore e confie que ele o fará outra vez, e sempre!

Não pense nem diga: “O Senhor se esqueceu de mim!”  Isso é muito negativo e desolador. E não é verdade! O correto e melhor é orar: “Senhor, eu confio em teu amor; por teu livramento me alegrarei.”  Depois, testemunhar: “Cantarei ao Senhor, porque ele é bom para mim”.

Um tal de Alessandro Rodrigues escreveu estes versos:

“Está pensando que Deus se esqueceu de abençoá-lo?
Que ele não ouviu suas orações? Fique calmo. Acalme seu coração.
Deus está caprichando sua benção. Em breve você a receberá. Então, você vai cantar o hino da vitória!”

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