No século 20, com o aumento da prosperidade e da longevidade, parte do apelo religioso se perdeu, diz o autor dos três livros publicados no Brasil pela Editora Fundamento: Uma breve história do mundo; Uma breve história do século XX e Uma breve história do cristianismo. Geoffrey Blainey afirma que “na Europa e em algumas regiões dos Estados Unidos, o comparecimento às igrejas decaiu rapidamente, assim como a aceitação dos códigos sexuais e morais pregados por elas”.
Decaiu, mas não acabou. A prova disso é o comunicado oficial da reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares, no dia quatro de setembro de dois mil e doze, quanto à obra literária para o processo seletivo do COLUNI 2013 (Colégio Universaitário): “Informamos que a prova de Língua Portuguesa não conterá questões relacionadas ao conteúdo do livro mencionado [Violetas e Pavões, de Dalton Trevisan] e que ficam mantidos os demais itens do conteúdo de Língua Portuguesa e Literatura constantes no edital”. Além de acertada, a deliberação do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) da universidade em relação a este assunto foi corajosa, bem como as outras manifestações espontâneas, de fundo religioso ou não, como, por exemplo, os pronunciamentos do Tribuna Livre e do Colégio Anglo.
Tem sido sempre assim: ousadia de um lado e ousadia contrária do outro lado. Duas vozes diferentes, pronunciadas com elegância ou sem elegância. No início deste ano a senadora Marta Suplicy escreveu que a sociedade melhorou: “Foi acionado o gatilho da busca da felicidade”. Uma das provas dessa mudança é o fato de que “entre ‘ficar’, morar junto, divorciar e casar novamente, não se estranha mais”.
Poucos anos antes, o conhecido consultor de empresas, conferencista e ex-colaborador das revistas Exame e Veja, Stephen Kanitz, fez alguns pronunciamentos notáveis: “Geneticamente, somos feitos para que o casamento dure. Infelizmente, nos últimos 50 anos, há um enorme movimento para mostrar um outro tipo de sociedade [a tal sociedade do “gatilho acionado”], na qual o casamento duradouro não é o ideal […]. Há uma pressão da mídia dizendo que o casal monogâmico é um extraterrestre fora de moda, pois o casal moderno é aquele que tem relações sexuais com o maior número de parceiros”.
Em julho deste ano, Luiza Nagib Eluf, procuradora da justiça do Ministério Público de São Paulo, declarou: “A exclusividade entre parceiros não deveria merecer tanta prioridade. A supervalorização da fidelidade [matrimonial] é um erro, é a maior causa da infelicidade conjugal […]. Está na hora de corrigir padrões de comportamento que contrariam a natureza humana e por isso não são respeitados”.
Por causa de vozes como as de Marta Suplicy e de Luiza Eluf, contrárias à disciplina sexual, “vivemos em uma sociedade hipersexualizada”, como explica a psicóloga Rosely Sayão. “O erotismo, inclusive, perdeu lugar porque agora o que vale é o sexo”, continua a autora de Como Educar Meu Filho?. E mais: “Músicas, imagens, publicações: tudo transpira sexo [e] os jovens praticam o sexo adulto de forma infantil: sem compromisso com os resultados que podem advir de seus atos”.
O livro que acaba de ser retirado do edital de exame para ingresso no COLUNI sem dúvida alguma poria mais fogo a esse sexo adulto praticado de forma infantil.
Muitos pais e mães de Viçosa sabem o que pode acontecer quando seus adolescentes não se dominam. Um exemplo das consequências possíveis é que os meninos podem se tornar pais prematuros e as meninas, mães prematuras. Rosely Sayão diz que “quando a gravidez acontece, a jovem, em especial, se sente perdida” e “sem saber como resolver a questão, a ideia suicida surge como a melhor solução, sem que a jovem consiga ter o exato alcance desse ato”.
Salve a 489ª reunião do CEPE realizada na semana passada!
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