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AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ. 5. “TENHO SEDE” (Jo 19.28)

As sete palavras de Cristo na cruz não foram registradas, todas elas, pelos quatro evangelistas. Mateus e Marcos registraram apenas uma e a mesma palavra, a quarta: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Lucas anotou a primeira, a segunda e a sétima, respectivamente: “Pai, perdoa-lhes, porque n_o sabem o que fazem”, “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”, e “Pai, nas Tuas m_os entrego o meu espírito”. João registrou a terceira, a quinta e a sexta palavras: “Mulher, eis aí o teu filho […]”, “Tenho sede”, e “Está consumado”

Jesus disse as três primeiras palavras durante as três primeiras horas de sua crucificação, ou seja, entre nove e doze horas; as outras quatro frases, ele as pronunciou numa rápida sucessão nos momentos finais de sua agonia.

1. Jesus cumpre a Escritura.

Em Jo 19.28 lemos o seguinte: “Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!”  “Depois” de que? O contexto imediato faz-nos pensar que Jesus proferiu essa palavra logo depois de ter dito à sua mãe: “Eis aí o teu filho […]” (Jo 19.26-27). Entretanto, como vimos, Mateus e Marcos contam  que  “desde a hora sexta até à hora nona houve trevas sobre toda a terra”,“por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste” (Mt 27.45-46). Foi, portanto,  “depois” dessas horas de trevas e desse clamor angustiante que Jesus disse: “Tenho sede!”  Teve sede de Deus e, depois, sede de água. Sofreu no espírito e no corpo. 

“Vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse […]” Em meio a tanto sofrimento, e pouco antes de morrer, o Salvador quis ainda   “cumprir a Escritura”. Séculos antes, Davi tinha profetizado o sofrimento do  Messias, incluindo estes seus lamentos: “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca […]”, e “[…] na minha sede me deram a beber vinagre” (Sl 22.15; 69.21). Jesus, para cumprir esta Escritura, um detalhe profético, disse: “Tenho sede!” Os soldados romanos “embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca” (Jo 19.29). Jesus cumpriu a Escritura consciente e deliberadamente; os   soldados o fizeram inconscientemente, involuntariamente. 

No Velho Testamento, há muitas e detalhadas profecias relativas ao nascimento,  à vida e à morte de Jesus. Todas se cumpriram, literalmente. Veja, por exemplo: Mt 1.22-23; Lc 4.17-21; Mr 15.27-28; Jo 19.24. Pedro disse aos Israelitas reunidos no templo de Jerusalém: “Vós negastes o Santo e o Justo […]. Matastes o Autor da vida […]. Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas [ …]” (At 3.14-18). Paulo, pregando em Antioquia, disse a mesma coisa: “[…] os que habitavam em Jerusalém, e as suas autoridades, não conhecendo a Jesus, nem os ensinos dos profetas […] quando o condenaram, cumpriram as profecias […]”  (At 13.27-30). Temos aqui: 

  1. O zelo de Cristo para com as Escrituras. 
  2. O cumprimento de mais uma profecia. “Mais uma promessa de Deus se cumpriu. De fato todas elas têm que se cumprir; não podem falhar. Glória ao Seu nome! Isto é uma consolação para todos os seguidores de Jesus, porquanto sabemos que todas as profecias concernentes a nós têm que se cumprir” (C. Beggs ). 
  3. Um exemplo da ação soberana e poderosa de Deus. Ele cumpre seus propósitos, mesmo que, para tanto, tenha que usar homens ímpios e descrentes.    

2. A humanidade de Jesus.

Contudo, Jesus  não disse “Tenho sede!” somente para cumprir uma profecia.  Ele teve sede de verdade, muita sede. Estava pendurado na cruz há horas, esvaindo-se em sangue, debaixo de sol quente (das nove até às doze horas, e agora outra vez, às quinze horas). Esta é a segunda vez, neste Evangelho, que Jesus externou essa necessidade física, muito humana (Jo 4.7). Outras passagens nos  evangelhos e nas epístolas dizem que ele teve fome (Mt 4.2), ficou cansado (Jo 4.6), e “foi tentado em todas as cousas, à nossa semelhança” (Hb 4.15). É muito importante pensar em tudo isto, porque a plena humanidade de Jesus é uma doutrina bíblica, e  tão importante como a de sua plena divindade. 

A quinta palavra de Cristo na cruz, mais do que qualquer outra, revela sua humanidade, e lembra-nos:     

  1. Jesus sabe, por experiência, o de que necessitamos, física e espiritualmente. Ele passou pelo que nós passamos, exceto no pecado. “Convinha que, em todas as cousas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote […]. Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados […]” (Hb 2.17-18).
  2. O exemplo de vida que o homem Jesus nos deixou  pode e deve ser seguido por seus discípulos, em todos os tempos. Não podemos negligenciá-lo e, então, dizer: “Jesus era Deus. Eu não sou Deus.” Paulo recomendou aos filipenses: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus […]” (Fp 2.5). E Pedro escreveu: “Cristo sofreu em vosso lugar,  deixando-vos  exemplo para seguirdes os Seus passos […]” (I Pe 2.2l). 
  3. Jesus padeceu por nós, para salvar-nos do inferno. Teve sede na cruz para livrar-nos da sede no inferno. Na  parábola  do Rico e Lázaro, o rico, “no inferno […] clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda a  Lázaro  que  molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.23-24). Ora, o mesmo Jesus é a “agua viva” que pode dessedentar-nos definitivamente, aqui e na eternidade. Ele disse: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba […]. Aquele que beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede […]” (Jo 4.10,14; 7.37).          

     Você já bebeu dessa “água”? Já se apropriou, pela fé, dos benefícios do sacrifício de Cristo na cruz?

Éber M.Lenz César 

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