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AS SETE PALAVRAS DE CRISTO NA CRUZ. 4. “Deus meu, por que me desamparaste?”

(Mr 15.33-37)

De todas as palavras que Jesus disse na cruz, essa é, sem dúvida, a mais difícil de entender. Martinho Lutero passou um dia inteiro meditando nesta palavra. No fim do dia, ele anotou: “Deus desamparou Deus! Quem pode entender isto?” 

Na eternidade, quem sabe, o próprio Jesus, ainda com as cicatrizes da cruz, nos dirá o que sentiu na hora extrema de sua paixão e por que orou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste.” 

1. Trevas sobre a terra.

Jesus foi crucificado à hora terceira (9:00 da manhã). Desde então, até a hora sexta (12:00), ele falou três vezes. “Chegada a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até à hora nona”  (15:00).(Mr l5.33). 

Por que houve trevas sobre toda a terra?  Cristo, na cruz, travou sua batalha maior e mais decisiva contra os poderes das trevas (Lc 22.52-53). Derrotou-os no ambiente deles. As trevas do Calvário representam ainda o desamparo que Jesus experimentou naquelas horas finais do seu martírio.

“O universo que por ele fora criado entrou em convulsão, sintonizando-se com a dor do Senhor da Glória, escondendo-se o sol ante a injustiça da crucificação de Jesus.” (R. McAlister, obra citada).

A hora extrema.

À hora nona clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mr 15.34). No grego, a palavra usada é abandonaste, que é um pouco mais forte. 

Como dissemos, esta quarta palavra de Cristo na cruz é a mais difícil de entender; é um mistério. Portanto, é sem dogmatismo que assumimos que Jesus realmente não foi abandonado por Deus. O Pai não abandonaria o “Filho amado” (Mt 3.17),  

Por que, então o Filho de Deus, Jesus, sentiu-se abandonado? Porque, encarnado, estava no lugar dos pecadores, assumindo seus pecados, pagando suas penas, fazendo expiação por eles. Outras passagens confirmam isso: 

“Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas… mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos […]. Ele levou sobre si o pecado de muitos […]” (Is 53.5,6,12). 

“Cristo […] não cometeu pecado […] sofreu em vosso lugar […] carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos aos pecados, vivamos para a justiça […]” (I Pe 2.21-25). 

O citado R.McAlister escreveu: “Naquele momento, Jesus sentiu pesar sobre si todo o pecado do mundo […], conheceu a dor que o pecado traz, dor da separação de Deus […].” 

Boa nova, advertência e conforto.      

A quarta palavra de Cristo na cruz nos ensina: 

  • O pecado é coisa séria. Deus é amor, e ama o pecador; mas ele é justo também, e tem que punir o pecador ou ao seu substituto. Ele exige expiação. Cristo, nosso substituto, fez expiação por nós; foi o nosso “bode expiatório”.
  • O pecado separa o homem de Deus. “As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus […]”(Is 59.2). O homem, mesmo o salvo, quando em pecado, sente-se separado de Deus; sabe que Deus reprova o que está fazendo. A comunhão desse homem com seu Deus pode ser restaurada prontamente. Basta que se arrependa, confesse e deixe o pecado (I Jo 1.5-9).

É comum nos sentirmos desamparados ou abandonados por Deus quando sofremos perdas ou reveses. Dizemos: “Deus me abandonou.” Não é verdade. Cristo sentiu-se assim, pelas razões expostas. Contudo, feita a expiação, ele orou: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.”  Se estamos em pecado, não há como evitar o sentimento de desamparo. Porém, temos a promessa: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei. Assim, afirmemos confiantemente: O Senhor é o meu auxílio, não temerei […]” (Hb 13.5,6. Ver Sl 1.1,4).

Éber M.Lenz César

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